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Programa de problemas
Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos, qualificado por comandantes militares como "insultuoso, agressivo e revanchista" em relação às forças armadas, tem provocado também reações de descontentamento e críticas ao Governo do presidente Lula, por parte de setores da Igreja Católica.
Bispos, padres e leigos engajados em movimentos pró-vida reagem a quatro artigos do documento tornado público no mês passado.
Os itens propõem ações coordenadas de governo para apoiar "a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto", "mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos", "a união civil entre pessoas do mesmo sexo" e "o direito de adoção por casais homoafetivos".
A defesa desses valores é tão ofensiva a setores da Igreja Católica quanto foi, para os militares, a proposta de se criar uma "comissão nacional da verdade", também contida no programa, com o objetivo de examinar as violações de direitos humanos praticadas durante a ditadura (1964-1985).
"Vemos nessas iniciativas uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula" – afirma o bispo de Assis, Dom José Simão, responsável pelo Comitê de Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que congrega as dioceses do Estado de São Paulo.
Dom José Simão declara que essa insatisfação é compartilhada por outros bispos brasileiros: "A igreja é contra. É claro que os arcebispos, os bispos são contrários (ao documento)."
