Texto de pe. Xavier, uma proposta para refletir sobre o significado do Natal.
É NATAL: FESTA DE DEUS E FESTA DA HUMANIDADE
É Natal! “Deus veio para o que era seu” (Jo 1,11).
Deus pisa firme na terra. O Eterno mergulha no tempo e no espaço. Até que enfim “o rei exilado” volta para casa porque a terra, antes de ser o chão do ser humano, é a pátria de Deus. É aqui que Ele quer morar.
A sua trajetória cruza aquela da humanidade. Não há mais duas histórias separadas. Deus e o ser humano voltam a andar juntos pelo mesmo caminho. Agora há uma única história: aquela do amor entre Deus e a humanidade.
É Natal! “O mundo não o reconheceu... e os seus não o acolheram” (Jo 1,11).
Deus vem, mas continua sendo banido pela humanidade, empurrado para a periferia da existência, colocado de escanteio por uma geração que se acha capaz de dar conta sozinha, deturpado por religiões que usam seu nome em benefício próprio, explorado a fim de enriquecimento ilícito, reduzido a um deus ex machina que é mobilizado como saída para problemas insolúveis ou como suporte para falhas humanas, transformado num talismã, num tapa-furos, num acessório cultural ou numa mercadoria ou ainda num símbolo da busca utilitarista de êxito e segurança. Deus vem, mas não há lugar para Ele. O mundo que não acolhe a Deus é um mundo sem alma humana.
É Natal! “O Verbo se fez carne” (Jo 1,14).
Deus encharca-se de humanidade e reveste a humanidade de divindade. A troca é perfeita. A encarnação de Deus é, ao mesmo tempo, a re-criação do ser humano.
O Absoluto se faz pequeno até caber numa manjedoura e faz grande o ser humano ao ponto de se tornar “carne de sua carne”. Ele assume as feições de uma criança. A partir de agora não é só a beleza da natureza que proclama a sua grandeza, nem é mais o templo o lugar privilegiado de sua presença. São os seres humanos, sobretudo os pequenos e os pobres, como o menino deposto na manjedoura, a revelação mais surpreendente e desarmante do seu rosto.
É Natal! “E veio morar no meio de nós” (Jo 1,14).
Deus insiste em habitar a história. Sua casa é onde mora a humanidade. Seu lugar privilegiado é o coração do ser humano, o centro de sua vida. É este o espaço que lhe pertence de direito.
Não faz isso por mania de grandeza ou por sede de conquista, mas simplesmente por amor. Ele sabe que o ser humano só será feliz se viver uma intensa comunhão com Ele. É por isso que sai toda hora à sua procura.
Não se importa de qual seja a condição humana. Ao contrário, faz questão de se fazer próximo de quem mais está distante dele.
É Natal! “E nós vimos sua glória... e dele recebemos Graça sobre Graça” (Jo 1,14.16).
Deus vem. Chegou o tempo da Graça. É dia de se entregar ao encantamento, de dar espaço à gratidão e de renovar a esperança. Toda culpa é apagada pelo seu perdão, toda treva é iluminada por sua luz, toda tristeza é derrotada pela sua alegria, todo esforço de se levantar após as recaídas encontra nele apoio, toda solidão é preenchida com sua presença, toda nudez é revestida com a plenitude de seu Amor e todo sofrimento é aliviado com sua proximidade.
É Natal! “Aos que crêem em seu nome, ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,12). Deus vem para presentear a humanidade. Até que enfim realiza seu sonho desde sempre. Entra na história não para mandar e desmandar nem tampouco para julgar e condenar, mas para comunicar ao ser humano a sua vida divina. Faz isso de graça, sem pedir nada em troca. Natal, portanto, é o dia em que o ser humano pode vir à Luz, enxergar a Verdade e nascer à Vida nova.
É Natal! É dia da humanidade se tornar mais humana.
É dia de depor as armas e semear a paz.
É dia de derrotar a morte com a cultura da vida.
É dia de a luz dissipar as trevas.
É dia de espantar a tristeza com pulos de alegria.
É dia de vencer o cansaço e redobrar a ousadia
É dia de quebrar os muros do individualismo e tecer redes de solidariedade.
É dia de derreter a indiferença ao calor da afetividade.
É dia de estender as mãos para acolher o dom de Deus.
É dia de varrer o egoísmo do coração para deixar espaço ao Amor.
É dia de desistir do culto das aparências para buscar a Essência.
É dia de vencer a apatia e o desespero para fermentar os nossos dias com o lêvedo da esperança.
É Natal!
Festa de Deus que assume a natureza humana e festa da humanidade que encontra seu destino na divindade.
É Natal!
Festa do Verbo encarnado que revela o rosto de Deus e aponta ao ser humano sua verdadeira identidade.
FELIZ NATAL
Festa profundamente humana se for vivida como a festa de Deus que volta para ficar conosco para sempre.
Pe. Saverio Paolillo
Missionário Comboniano
Pastoral do Menor e Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo
REDE AICA – Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente
