Como ser um Bispo?

5 agosto, 2020

A pergunta é muito sugestiva e pode causar curiosidade em muitas pessoas. Afinal, como um padre pode ser eleito ao Episcopado algum dia? A dúvida começa a ser respondida de acordo com o cânon 378 do Código de Direito Canônico, que destaca os requerimentos para desempenhar o ofício: é preciso ter fé firme, bons costumes, piedade, zelo das almas, sabedoria, prudência e ser eminente em virtudes humanas e dotado das demais qualidades; gozar de boa reputação; ter ao menos, trinta e cinco anos de idade; ter sido ordenado presbítero pelo menos há cinco anos e ter adquirido o grau de doutor ou ao menos a licenciatura em sagrada Escritura, teologia ou direito canônico, em um instituto de estudos superiores aprovado pela Sé Apostólica, ou ao menos ser verdadeiramente perito nestas disciplinas.

Segundo Dom Geraldo Lyrio Rocha, nomeado bispo pela primeira vez há 36 anos, sendo auxiliar de Dom Silvestre na Arquidiocese de Vitória, essa pergunta tem uma resposta complexa: “O ministério episcopal não é por escolha do candidato. Ninguém se candidata ao episcopado. É um chamado da Igreja. Então entre os presbíteros, alguns serão chamados para exercer o ministério episcopal sendo colocados à frente de uma porção do povo de Deus que constitui uma diocese”.

Dom Geraldo, que também foi o primeiro Bispo da Diocese de Colatina, o primeiro Arcebispo da Arquidiocese de Vitória da Conquista, na Bahia e o Arcebispo da Arquidiocese de Mariana, em Minas Gerais – uma das mais antigas do Brasil, conta que seu sonho sempre foi ser padre e ficar à frente dos fiéis, exercendo seu ministério em uma paróquia e realizando o serviço pastoral. Cumpriu por 17 anos esse desejo até ser escolhido pelo papa João Paulo II para o ministério episcopal.

Em relação a hierarquia, ele explica que um bispo não deixa de ser padre. Ele se torna um sucessor dos Apóstolos pela ordenação episcopal. Um novo bispo é inserido em um Colégio Apostólico que tinha Pedro à sua frente. Hoje os bispos sucedem os apóstolos e tem à sua frente o sucesso de Pedro, que é o Papa.

Diferente da formação para ser um sacerdote, para tornar-se bispo não existe um curso de preparação. O bispo é um padre que é escolhido para esta missão. O processo é conduzido pela Nunciatura Apostólica a qual recebe a indicação de candidatos para ocupar as sedes que estão vagas. A nunciatura faz uma grande consulta a respeito do candidato de forma sigilosa e cabe ao Núncio escolher entre aqueles que foram indicados, os componentes que irão para uma lista tríplice que será encaminhada à Roma, acompanhada de um dossiê sobre cada um dos candidatos.

Esta lista tríplice é levada a Congregação para os Bispos – que é um organismo da Santa Sé – e ali é colocada uma ordem entre os candidatos em primeiro, segundo e terceiro lugar com as justificativas. Esta lista é levada ao Papa e é apresentado o dossiê de cada um dos candidatos. O Papa diante dessas informações que recebe, coloca à frente do nome do escolhido a sua assinatura.

“Então é uma escolha pessoal do Papa que tem essa missão de indicar e nomear os bispos para as diversas situações em toda Igreja. Depois que o Papa nomeia é que o candidato vai ser consultado. Então a Nunciatura vai dizer ao candidato que ele foi escolhido e perguntar se ele aceita. Essa resposta deve ser dada por escrito”, detalha Dom Geraldo.   

Entre os desafios de ser um bispo, o Arcebispo Emérito destaca o pastoreio neste momento atual que vivemos de mudança de época e que atinge sobretudo os valores. Ele ressalta que há uma desorientação sobre o que é certo e o que é errado, mudanças de compreensão dos valores da família, da religião e até mesmo da compreensão de Deus. Já entre as maiores alegrias, para ele está a de ordenar um novo padre. Ele também ressalta a convivência com os irmãos bispos, padres e o acompanhamento das comunidades e dos leigos os quais assumem seu papel no mundo e descobrem cada vez mais o sentido da Fé e da presença de Jesus Cristo em suas vidas. 

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Cada país possui a sua congregação de bispos que não é um sindicato ou associação de classe. É um espaço de troca de experiências, harmonia das ações, propostas comuns para dar uma unidade a missão à Igreja dentro de um território nacional. O Brasil possui a maior conferência episcopal do Mundo: são 481 bispos, sendo 169 eméritos e 312 na ativa, segundo dados atualizados até dezembro de 2019. Cada conferência tem seu estatuto próprio e no caso da CNBB, o estatuto prevê a eleição da presidência a cada 4 anos. Anualmente, este presidente se encontra com o Papa e apresenta um relatório sobre a ação da Igreja no País. Dom Geraldo Lyrio Rocha foi presidente da CNBB de 2007 a 2011.   

Bispo e Bispo Auxiliar

Aquele que está à frente com a responsabilidade de conduzir a Igreja particular é o Bispo Diocesano. No nosso caso, como Vitória é uma Arquidiocese, ela tem um Arcebispo Metropolitano. Ele é o pastor dessa porção do povo de Deus que constitui a Igreja Particular de Vitória. Dadas as dimensões de uma Arquidiocese, o Bispo pode ter um auxiliar para colaborar com ele no pastoreio e assim o solicita quando necessário. 

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