Comunidade completa 121 anos em Guarapari

16 março, 2022

A Comunidade de São José, localizada no Bairro Rio Grande, município de Guarapari, surgiu da necessidade das famílias terem um lugar mais próximo para professar a sua Fé. Devido à falta de comunidade na localidade, os fiéis tinham que se locomover para comunidades próximas. A necessidade também se deu ao fato de as comunidades de Fundão, Pau d´Óleo, Itajubaia, Reta grande e Valão, precisarem de uma igreja mais perto.

Em 1901, o Sr. Galdino Rocha doou a área para a construção da igreja. No início da construção as famílias se reuniam para rezar o terço e cantar a ladainha de Nossa Senhora numa barraca, onde hoje é a sacristia da igreja. O primeiro padroeiro foi São Fernando, por motivo desconhecido, mais tarde mudou para São José.

A construção da Igreja de São José envolveu, principalmente, três famílias italianas (Meriguetti, Cerutti e Dazzi), como também, uma família alemã (Buback). Em 1905 foram iniciadas as obras pelos quatro responsáveis, Plínio Dazzi, João Buback, Honório Arcanju e Horeste Meriguetti. Os construtores foram os italianos Coradini e Mansueta Personale, que conseguiram levar a obra até meia parede. Mais tarde João Buback, Honório Arcanju e Horeste Meriguetti trabalharam na obra como pedreiros. Angelim Meriguetti, Pio Dazzi, João Dazzi entre outros, fizeram a parte de madeira, sendo esta toda serrada a braço.

O material para a construção da igreja foi retirado do terreno de Leopoldo Rosa (hoje de José Rosa) e puxado por bois.  Para isso, foi construída uma estrada lateral no morro da igreja, por onde passavam as zorras.  Foram ainda usados tijolos de barro que foram feitos no valão e puxados por bois e pedras rachadas à marreta. O piso da igreja ficou muito tempo com pedras brutas.

Para a cobertura da igreja, foram usadas telhas feitas de cimento e areia retirada do rio da região, que foram fabricadas na olaria de Angelim Meriguetti. Infelizmente, devido às dificuldades financeiras, as obras da igreja foram interrompidas por volta de 1909. Há relatos de que o Bispo queria a conclusão das obras complementares da igreja de São João do Jaboti (hoje a comunidade de São João Batista), com a intenção de torná-la paróquia e mandou interromper as obras da igreja de Rio Grande.

A coordenação da igreja naquela época, contou com dois candidatos, sendo eles, Plínio Dazzi e José Cerutti, sendo que na disputa de votos José Cerutti ganhou a coordenação. Plínio Dazzi lavrou tudo em ata no livro próprio da igreja que sumiu na década de 50. Segundo alguns relatos, suas página foram utilizadas para copiar hinos religiosos.

Dando continuidade à obra, João Buback emprestou sua experiência como pedreiro, fazendo a frente e o arco da igreja. A igreja foi construída na base de mutirão. Cada família doava dias de serviço. A imagem de São José veio da Itália, doada por Nino Mello. Os fundadores da igreja compraram uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, mas um padre pegou para restaurar e nunca mais devolveu.

Os bancos foram fabricados por Protásio Cerutti e Josias Cerutti e custeados por Maria Cerutti em 1947. No início da Construção da igreja, havia uma casa de estuque que servia de escola. Ali também era feito o trabalho de catequese por Luiza Izoton Meriguetti (primeira professora da comunidade).

Nos finais de semana, ela ensinava catequese e abrigava os alunos em sua casa, dando-lhes pousada e alimento. Na segunda-feira, as crianças iam à escola, almoçavam com Luiza e voltavam para casa a pé ou a cavalo.

Os padres compareciam 02 vezes por ano, viajavam a comunidade a cavalo. Quem desejasse assistir mais missas no ano, teria que deslocar-se até Guarapari, montado a cavalo ou ir a Anchieta em canoas. As celebrações eram procissões com o Santíssimo. Para tanto, na época foram feitos 300 m de estrada para que ela pudesse passar. Havia, também, o costume de romarias para o convento em Vila Velha, feitas a pé ou a cavalo.

No início a comunidade era formada por Pau d´Óleo, Serra Queimada (Atual Reta Grande), Itajobaia, Valão, Fundão, Taquara do Reino, Jaqueira e Duas Barras. Com o tempo, as mencionadas localidades foram se tornando independentes e formando novas comunidades, exceto Valão e fundão que passaram a frequentar Serra Queimada e Rio Grande.

O padre, em suas visitas, ficava hospedado na canônica, onde pessoas eram escaladas para servi-lo. A cozinheira da canônica foi Úrsula Zani, casada com Faustino Merigueti, passando depois a missão para sua filha Emília Meriguetti  Buback, falecida em 1981. A galinha caipira ao molho pardo, a macarronada e a polenta eram os pratos principais servidos.

O primeiro veículo que chegou à comunidade, foi um pequeno caminhão, que pertencia ao Sr. Beco Ramalhete. Participavam ativamente da vida em comunidade as famílias, Julião, Machado, Balthazar, Malaquias, Tavares, Rosa, Ilário, Ramalhete, Ferreira, Aires, Motta, arcanjo, Simões, Honorato, Dazzi, Cerutti, Souza, Flores, Porto, Meriguetti, Motta, Pinheiro, Merísio e Morosini. Essas famílias passaram para suas gerações a responsabilidade de continuar a missão e manter a tradição religiosa, que sobrevive até hoje nesta comunidade.

Uma comunidade que é considerada pequena em número de pessoas, mas gigante em união, fé, solidariedade e amor ao próximo. Hoje a comunidade mantém seus compromissos com celebrações dominicais às 8h, missas seguindo a agenda paroquial, Via-Sacra no tempo de Quaresma, Celebrações de Natal, Catequese, Casamentos e Batizados.

“Texto escrito com base nas Declarações feitas por José Meriguetti, aos 84 anos de idade, sendo esta feita ao mês de janeiro de 1991 e familiares de antigos membros da Comunidade de Rio Grande.”

Coordenadores de 1905 a 2022

  • José Cerutti
  • Plínio Dazzi
  • Gervázio Dazzi
  • Izidoro Cerutti
  • Luiz Buback
  • Manuel Tavares
  • Arlindo Bigossi
  • Faustino Buback
  • Oreste Porto
  • Edson Simões
  • Maria do Carmo Buback
  • Estela Mares Simões
  • Maria da Penha Vieira Porto
  • Marinete Porto Souza
  • Helhodório Porto Souza

Curiosidades:

CEMITÉRIO

O Cemitério tem aproximadamente a idade da igreja, tendo como doador do terreno Luiz Meriguetti.  A comunidade se responsabilizava pela limpeza e conservação enquanto o coveiro era o Sr. Antônio Marques¸ assumindo em seguida, Benedito Rosário.

REFORMAS E MUDANÇAS

No decorrer dos anos, a igreja passou por muitas reformas, isso resultou numa alteração brusca em sua estrutura física e arquitetônica dentre elas podemos citar:

  • O altar foi totalmente modificado;
  • No inicio não havia nenhuma divisória, era tudo presbitério;
  • Havia um peitoril que acomodava os fiéis para comunhão;
  • A mesa do altar era feita de cimento e pintada de preto;
  • O sacrário era fixo na parede;
  • Na época, não ficavam hóstias consagradas nas comunidades;
  • Antes a igreja tinha um mezanino para acomodação do coral, que hoje não existe mais.

IGREJA FECHADA

A igreja chegou a ficar 6 meses fechada por desentendimento de herdeiros com o Padre Fernando.

 

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Administrador Paroquial – Pe. Alexandre Ferreira

 

Confira alguns registros históricos

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