Diácono que é avô será padre

8 junho, 2021

No próximo dia 31 de julho será ordenado padre na Arquidiocese de Vitória o diácono permanente João Tozzi Sobrinho, que é viúvo há 10 anos, pai de Renato, Carina e Fábio e avô de 5 netos. Esta é uma situação incomum e será histórica, pois pela primeira vez a Igreja particular de Vitória vai ordenar um viúvo como sacerdote. O diaconato permanente, que foi restaurado pelo Concílio Vaticano II, é um grau da ordem e o diácono pode ser um homem solteiro, casado ou viúvo.

Nascido em 12 de setembro de 1943, hoje então com 77 anos, o diácono João Tozzi está atualmente na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Praia da Costa. Porém sua relação com a Igreja começou desde muito cedo. Ele conta que desde os 4 anos de idade frequentava a Igreja de São Sebastião, em Jucutuquara, e com cerca de 8 anos começou a sentir o desejo pela vocação a partir dos sermões do capelão da Polícia Militar, Monsenhor Raimundo Pereira de Barros, que tocavam seu coração e o emocionava muitas vezes.

A catequese do diácono João foi feita na capela do colégio Salesiano, onde ele brincava e ao mesmo tempo aprendia tudo sobre a Igreja. Neste local foi brotando cada vez mais a vontade de seguir o sacerdócio. “A gente era muito pobre, eu o caçula de 9 filhos e a gente sabe que o caçula não tem voz e nem vez em casa. Um dia o padre disse que ia conversar com minha mãe sobre a possibilidade de eu ir para o seminário e eu tinha uns 10 anos, mas eu fiquei sabendo depois que minha mãe não aceitou. Porém, eu fiquei com o desejo de ser padre a vida toda”.

O diácono cresceu, chegou a juventude e conheceu a noiva Nélida. Eles namoraram durante 3 anos e se casaram no dia 17 de janeiro de 1970, na Capela do Colégio Salesiano. Muito emocionado, ele conta que foram casados durante 41 anos, mas desde o dia do casamento manifestou para a esposa que um dia ainda queria ser padre. Durante 25 anos a família viveu em Jardim América, onde João era frequentador assíduo da Paróquia Santa Maria Goretti começando sua vida pastoral onde atuou no círculo bíblico, Pastoral Operária, catequese e conselho da comunidade.

Com o passar dos anos, os filhos cresceram e a família foi morar em Vila Velha e ele começou a frequentar o Santuário e a esposa na Comunidade Santo Antônio, na Praia da Costa. A partir de um chamado da esposa João começou a frequentar a mesma comunidade. Lá ele foi Ministro da Eucaristia, coordenador da comunidade, trabalhou na construção do templo, foi ministro da palavra.

“Sempre fui muito acolhido, nunca fui discriminado pela minha idade e me sinto muito amado por essa paróquia. Com a criação da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a chegada do padre Renato Criste, eu participava do Conselho e o ajudava muito nos trabalhos da construção da Paróquia. Um dia padre Renato me fez um convite: ‘Seu João o senhor não gostaria de ser diácono? ’ E quando ele falou aquilo para mim eu pensei que a escola diaconal seria o caminho para eu ser padre”.

Para iniciar o processo diácono João precisava da autorização da esposa, que já estava com câncer de útero na época, fazendo quimioterapia e ela assinou a carta autorizando para que ele fosse para a escola diaconal e um ano depois ela faleceu no dia 04 de fevereiro de 2011. (Emocionado) “E eu tenho um apreço e um carinho muito grande pelo padre Renato, pois ele me deu todo apoio quando minha esposa estava no hospital e foi um Pai. Nossa paróquia também nos deu todo apoio, minha esposa foi muito atuante na paróquia na Santo Antônio e foi ministra da Eucaristia seis meses antes de morrer. Ela levava comunhão para os doentes e eu falei que era hora dela parar e se cuidar, pois estava com as pernas muito inchadas”.

Se tornando viúvo, diácono João conta que viu as portas se abrirem e procurou Dom Dario Campos, Arcebispo Metropolitano de Vitória, para externar seu desejo: “Dom Dario é um Pai, me acolheu de braços abertos e em um abraço eu senti o abraço de um pai que eu nunca tive, pois, meu pai morreu e eu tinha 10 anos de idade. Eu senti algo diferente naquele abraço e pensei ‘meu Deus o que será? ’ E o resultado é a minha ordenação hoje”.

O diácono detalha que estudou 5 anos e meio na escola diaconal, cursou 3 anos de Teologia Pastoral e não perdeu uma formação de comunidade, da paróquia e sempre ia para os retiros participando de tudo que podia e se dedicando às pastorais. “Trabalhei 3 anos na Pastoral Carcerária e nessa pastoral eu aprendi muito a ouvir. Aqueles presos muitas vezes eles choravam sem dignidade nenhuma, um sofrimento medonho, aquelas celas fedorentas. Mas a gente dava todo carinho e amor a eles, e eu aprendi a ouvir e sentir a dor também do coração daqueles homens”.

No último sábado ele recebeu a ligação do padre Jorge, reitor do Seminário Nossa Senhora da Penha, falando sobre sua ordenação e conta que deu pulos de alegria. Essa é a minha história, esse sonho vai se realizar e eu quero agora me dedicar ao máximo a Igreja. Eu me sinto plenamente bem, pois a paróquia é a extensão da minha família. Esses 10 anos me ensinaram a viver com isso”.

Ordenação Presbiteral

A ordenação presbiteral acontecerá no dia 31 de julho, às 9h, no Santuário Divino Espírito Santo, em Vila Velha, dia de Santo Inácio de Loyola – fundador da Companhia de Jesus e um grande admirador de Jesus Cristo. A data será compartilhada entre dois amigos: o diácono permanente João Tozzi e diácono transitório Vitor César Zille Noronha. Eles se conhecem desde a adolescência de Vitor, pois são da mesma comunidade de origem: Santo Antônio, na Praia da Costa.

Vitor enfatiza: “A minha relação é de amizade e admiração por que de alguma forma o diácono João Tozzi participou da minha caminhada como cristão. Somos da mesma Comunidade Eclesial de Base. E eu me recordo da minha juventude de vários momentos em que ele me apoiou e orientou. Durante minha caminhada, quando entrei no seminário ele sempre rezou por mim e me deu palavras de incentivo. Foi algo natural e quando teve essa possibilidade de ele ser ordenado padre e eu também quase como comunhão decidimos que gostaríamos de ser ordenados juntos e fizemos o pedido ao arcebispo, que com alegria disse sim. ”

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