FESTA DA PENHA: PELAS ESTRADAS DA VIDA

3 abril, 2024

Desde a chegada dos portugueses aqui no Espírito Santo quando foi construída uma pequena capela em Vila Velha teve início a devoção a Nossa Senhora da Penha. Aqui começa a ser construída um caminho marcado por tantas coisas, dores, fé, caminho solidário e solitário também. É a estrada da vida! No mais profundo da fé do povo sempre um chamado: “Oh! Vem conosco caminhar”.

A festa que está na 454ª edição representa esse caminhar juntos. Formamos hoje um grande povo devoto. Não somos os primeiros e nem os últimos. Formamos um povo que caminhou junto ao longo dos anos e desse mesmo povo somos seus herdeiros devotos. A festa que hoje celebramos é um caminho de memória de tantos que passaram por esta estrada de fé, e por esse motivo, o nosso mais profundo respeito às marcas deixadas em formas de objetos deixados pelos diversos espaços do convento. Cada lembrança de milagre e agradecimento representa esse caminho de fé. A sala dos milagres não é um espaço de museu do passado, mas a memória que alimenta a fé presente e futura.

Em todos os caminhos e em cada passo dessa devoção uma certeza: nunca estamos sozinhos. A primeira pessoa a puxar a procissão é Maria, a mesma que esteve com os apóstolos e com eles percorreu as estradas de Jerusalém depois da Ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, a certeza que “Santa Maria vai”.

Pelas estradas da vida vamos nós, hoje. Como estamos indo nesse caminho? Cada um por si e Deus por todos? Caminhamos divididos ou em pé de guerra? A devoção mariana nos chama e nos convoca: não negues nunca a tua mão a quem te encontrar? O caminho solidário jamais poderia ser solitário e muito menos egoísta. Somos um povo reunido historicamente num caminhar juntos, numa experiência profunda de amizade social, de fraternidade. As dores nos unem. Os interesses nos separam. A fé nos salva. O ódio nos manda para o fogo eterno da perdição.

O grande desafio nas estradas da vida desse momento presente é o caminhar juntos, numa experiência de fé fraternal. A Campanha da Fraternidade foi esse chamado mais concreto para esse ano e ela deveria ecoar em nossas vidas. Um mundo dividido em guerras, em divisões, em polarizações políticas e ideológicas é radicalmente o oposto da fé e da devoção a Nossa Senhora da Penha. Nunca uma mãe gostaria de ver seus filhos divididos! Nunca uma mãe gostaria de ver sua família em pé de guerra!

Cada procissão que realizaremos nesse oitavário deveria expressar essa luta por um mundo novo de unidade e paz. Cada romeiro precisa seguir o caminho, pois abre-se caminho e tantos seguirão. Não haverá romaria cristã numa comunidade polarizada. Ou caminhamos juntos, ou perdemos os passos de Maria e nos perdemos nos caminhos da vida. Maria caminha conosco em romaria, caminha conosco como irmãos, caminha conosco em nossas dificuldades e nossa fé. Nunca nos deixa sozinhos.

A festa da Penha desse ano nos chama para celebrar esse caminhar junto de Maria com a Igreja de Jesus Cristo. As romarias concretas devem expressar nossa vida em comunhão e participação. Participamos em nossa fé dos passos de Maria ao longo da história realizados por seus devotos, por seus filhos. Passos de Maria, caminhada com Maria!

Nas estradas da vida nos sentimos irmãos e irmãs, nos sentimos filhos que habitam uma mesma casa. Somente seremos dignos das promessas de Cristo na medida em que caminhamos como irmãos e irmãs, juntos, abrindo novas trilhas, buscando novas fontes de água pura, trazendo em nossas mãos tantos irmãos e irmãs que nos pedem solidariedade e sustento na caminhada. As mesmas mãos que elevamos aos céus serão as mesmas mãos que se estendem aos irmãos e irmãs necessitados.

Assim a nossa Festa da Penha desse ano fará das estradas da vida um caminho de paz e bem, um povo que luta por um mundo novo de unidade e paz, um povo que aprende a cada dia a viver em comunhão e participação.

Edebrande Cavalieri

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