O pudor, custódia da pessoa

Pe. Renato Criste Covre

Mestre em Teologia do Matrimônio e Família.

A moda atual, feminina e até mesmo masculina de nossa cultura coloca em evidência o corpo. Até aí, que mal existe em usar roupas da moda, por exemplo, que deixam predominantemente o corpo exposto? O mal está somente porque o ambiente sagrado (a igreja) requer um determinado comportamento? Antes de mais nada, a questão concentra-se na ausência da experiência do pudor, que é um sentimento característico da pessoa. O pudor diz respeito tanto a dimensão instintivo-sexual da sexualidade como a dimensão afetivo-psicológica, isto é, faz com que nos envergonhamos do fato que se colocam à amostra as nossas reações sensuais.

A partir do momento que se trata de uma experiência afetiva, para poder compreender ocorre levar em consideração não simplesmente o vivido pelo sujeito, mas o motivo que o produz. É aí que nos é revelado o seu profundo senso humano e moral.  Isto é, o pudor busca evitar uma reação contrária à dignidade da pessoa. Tende-se a ocultar as qualidades sensuais para si mesmo, para que deste modo a pessoa não seja instrumentalizada. Isto que no pudor é essencial é precisamente a intencionalidade que se busca evitar: a objetivação do corpo. Não se trata de esconder uma coisa em si negativa, mas de não provocar no outro ou dentro de si uma intencionalidade contraria ao valor que cada individuo comporta em si mesmo. Não se refere por isso à nudez parcial ou integral em si mesma, mas ao modo com o qual se olha a nudez, as qualidades da pessoa.

Podemos dizer, então, que o pudor é a custódia da própria subjetividade, do valor que cada um é. O pudor ajuda a compreender a subjetividade da própria pessoa, do momento que, graças a autoconsciência de si e o autodomínio que de si consente, o homem se percebe como um ser distinto do restante da criação, do mundo animal.  

A amostra do corpo, sem pudor, deixa de lado o valor e a beleza do sujeito. Esta passa a ser visto, apenas pelas suas qualidades físicas e avaliado por qualquer preço. Sem esse sentimento de “vergonha”, o corpo e as suas qualidades não guardam o mistério da pessoa. A nobreza da pessoa, esta, portanto, não necessariamente naquilo que ela expõe, mas naquilo que ela oculta e protege, porque descobriu que é detentora de uma beleza singular. Com o pudor o sujeito pode agora ter um critério interno como que para estabelecer uma ordem na própria interioridade.

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