Rosácea

11 dezembro, 2020

“Enquanto as Igrejas românicas eram escuras, lembrando cavernas, as catedrais góticas são exuberantes, convidam a olhar para o alto e dão um sentido ascensional ao ato de estar na Igreja. (…) Sem falar nas cores das rosáceas, em que o vermelho se destaca. A intenção era que, durante as Vésperas e na Hora Mariana, a luminosidade filtrada criasse a sensação de um incêndio, verdadeiro fogo iniciático”.

(E. Pellizari)

A rosácea, grande abertura circular, é um elemento arquitetônico ornamental próprio das catedrais do estilo gótico, presente em quase todas as Igrejas construídas entre os séculos XII e XIV. Apresenta-se sobre portal da fachada principal ou no transepto. Sua decoração é feita em sentido radial, com vidros coloridos, representando pétalas de rosa de forma estilizada, origem do nome.

A arquitetura deste período, vertical e majestosa, apresentando torres de pontas agulhadas e arcos ogivais, convida a união com o divino e se desenvolve a partir do surgimento das pequenas cidades, com a intensificação das relações de comércio. As inovações técnicas trazem grandes mudanças nas construção das igrejas: na fachada, três portais de acesso às três naves, e na estrutura, abertura de grandes vãos para entrada da luz, antes impossível. A rosácea, com origem no “oculus” romano e tendo sido pequena janela no estilo romântico, pode, agora, abranger toda a largura da nave.

Como os grandes vitrais deste período, a rosácea permite, através da luz e da cor, a ascensão ao sagrado e o conhecimento da Bíblia. Geralmente, no centro de sua composição, surge uma figura: os mais retratados são a Virgem Maria com o Menino, cenas da vida de Crsito e dos apóstolos ou outras histórias bíblicas. Durante o período do seu uso, passa por transformações na sua forma de representação até chegar desenhos rendilhados em pedra (traceria) e usa vidros com cores fortes que acentuam o realismo da representação.

No Brasil, temos alguns exemplos neogóticos que também apresentam a rosácea em sua composição arquitetônica, como a Catredal da Sé em São Paulo. De cores vibrantes e com forte atração pela luz filtrada, são ornatos belíssimos que ajudam a compor um ambiente favorável à oração pessoal e comunitária em nossas Igrejas.

Raquel Tonini,
membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória
e Grupo de Reflexão do Setor Espaço Celebrativo da Comissão Litúrgica da CNBB
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