25º Domingo do Tempo Comum

18 setembro, 2022

Pedro Gouveia| A riqueza que gera solidariedade.

 

O plano evangélico deste 25º Domingo do Tempo Comum conta-nos sobre a parábola do administrador infiel (cf. Lc 16, 1-13). Esta história, a primeiro momento pode nos conduzir a um total estranhamento, por parecer que Nosso Senhor propõe deliberadamente aos seus discípulos o exemplo de um espertalhão. Também em outras ocasiões, Jesus adota exemplos contraditórios, como ao comparar Deus com um juiz sem justiça (cf. Lc 18, 1-8) ou ao convidar que seus seguidores sejam espertos como as serpentes (cf. Mt 10, 16). O astuto personagem em questão se trata um homem rico e desonesto, características estas não louvadas por Jesus, mas evidencia-se no conto, a habilidade que o gerente tem em administrar o dinheiro que possui, propensão que de tal maneira deve ser traduzida para a vida cristã. Enfim, se este administrador serve de exemplo para nós não o é senão por sua habilidade.

 

Segue-se, então, uma série de advertências de Jesus sobre o uso do dinheiro: o Mamon, falso deus, potência que escraviza o mundo. A riqueza é uma das fontes comumente denunciadas do orgulho e da autossuficiência humana que leva o homem a satisfazer, sem escrúpulos, suas próprias paixões e esquecer a precariedade da sua condição (cf. Dt 8,17-18; 1Jo 2,16). Os “filhos do mundo”, apresentados pela parábola (cf. v. 8), são esta parcela de homens que servem apenas ao dinheiro, por somente conhecerem este universo fugaz e agirem para ele. Mas é de certo também, que o homem é capaz de transformar algo injusto e desonesto em serviço, em solidariedade, primordialmente quando compreende que acima de tudo, Deus é a única realidade viva que merece sua atenção. Contrapõe-se, portanto, aos escusos filhos das trevas, a figura dos “filhos da luz”, aqueles que recebem a instrução divina, os membros da comunidade, opostos aos seus adversários.

 

Adverso é o cenário apresentado pela Primeira Leitura (cf. Am 8, 4-7), que nos diz da vivência de uma religião caduca, de liturgias vazias, sem testemunhos concretos. Outrora no tempo de Amós (séc. VIII a.C.), durante os momentos de crise ressurgem os comércios ilegais e clandestinos que subjugam os pobres, amigos do Senhor. Todos esses devaneios são o triste resultado da vaidade e autossuficiência no coração do homem: a Deus agrada mais a docilidade e a obediência. São gestos que valem mais que os sacrifícios, porque para o Senhor importa a permanência fiel na escuta de Sua Palavra salvífica. Pelo profeta, Deus fala em defesa dos marginalizados, os protege e dá ao povo uma lei referente a estes últimos.

 

Louvando o Senhor que eleva os pobres (cf. Sl 112), junto à São Paulo reconhecemos na Segunda Leitura que a vontade salvífica de Deus é universal, revelada por nosso único mediador: Cristo Jesus. As admoestações destinadas à Timóteo (cf. 1Tm 2, 1-8), Bispo de Éfeso, refere-se à oração pública das primeiras comunidades cristãs. Assim como a caridade do Pai por nós, a prece dos cristãos deve ser feita sem exclusivismos, destinando-se particularmente às autoridades constituídas, para que governem com justiça. Também hoje, em nossas comunidades eclesiais, somos chamados a orar pelos nossos representantes públicos, ainda mais neste período de eleições gerais no país. Rezar para que os legisladores e executores da lei continuamente se convertam e busquem incessantemente a construção de uma sociedade mais justa, pacífica e fraterna.

 

Em síntese, se Jesus mesmo nos diz sobre a necessidade de se vender tudo para servir aos pobres (cf. Lc 41,25-33), a Liturgia deste Domingo pede que esta riqueza seja geradora de amizades, dado que um “amigo fiel é refúgio seguro: quem o encontrou, encontrou um tesouro” (Eclo 6, 14). As riquezas realizam sua função de servir ao homem quando se destinam a produção de benefícios para os outros e para a sociedade. Evidentemente, elas são um bem que vem de Deus: quem as possuir deve usá-las e fazê-las circular de tal modo que também os necessitados possam usufruir de seus frutos.

 

Como afirma São João Crisóstomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir mérito na partilha com os demais (cf. S. JOÃO CRISÓSTOMO, Homiliae XXI de Statuis ad populum Antiochenum habitae, 2, 6-8: PG 49, 41-46). Se reconhecermos que tudo advém de nosso divino patrão, veremos que o mal está no apego desmedido às riquezas, porque rico, não é mais que um humilde administrador do que possui (Cf. S. GREGÓRIO MAGNO, Regula pastoralis, 3, 21: PL 77, 87-89).

 

 

Pedro Nunes Gouveia

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de origem: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Praia da Costa, Vila Velha – ES

Paróquia de pastoral: Nossa Senhora da Penha, Flexal, Cariacica – ES

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