Formação

Se formos olhar a história da humanidade, constataremos que o sino, antes de tudo, é um instrumento de comunicação interpessoal e comunitário. O som

Se formos olhar a história da humanidade, constataremos que o sino, antes de tudo, é um instrumento de comunicação interpessoal e comunitário. O som do sino chama atenção do destinatário de que há algo a comunicar, algum fato que precisa da atenção dele. Historicamente, o sino é um instrumento que convoca para a reflexão, o luto, a alegria e a festa. Em muitas cidades pequenas, o tocar do sino é igual de preparar-se para a celebração ou o anúncio de morte na comunidade.

Há 26 anos, o senhor Claudio Pignaton Bremenkamp, 63, toca os sinos da capela Nossa Senhora da Assunção, no interior de Santa Maria de Jetibá. Ele afirma que o toque do sino é uma prece que ele faz todo o domingo a Deus. “É uma forma de agradecer e também suplicar a Deus por tudo o que ele nos faz. Eu me emociono quando ouço o sino, porque hoje em dia é difícil ver comunidades que ainda possuem essa tradição”.

A criatividade das diversas culturas sobre este instrumento é notória. Cada povo em cada país sabe usar, com arte, o sino, seja por razões religiosas ou patrióticas. A Igreja Católica, cuja espiritualidade se expressa e é vivida em símbolos e sinais, vem usando, através da história, o sino como um convite à mística, à oração, à solidariedade e tantos outros sentimentos que surgem das criatividades e iniciativas.

“Se o sino é uma peça tão importante na comunidade, na igreja… Que ele acaba ficando para trás: uma das últimas coisas a serem lembradas na igreja é o sino. Porque eles são usados só quando precisam mesmo”, afirma o senhor Claudio Pignaton.

Os monges por exemplo se deixam guiar nos momentos de parada para o silêncio orante ou a oração comunitária. As catedrais e Igrejas, convocam os fiéis para a Celebração dos Santos Mistérios, a comunidade a expressar sua alegria pelo nascimento de novos cristãos. Por muitas vezes a Igreja convida as pessoas para ocasiões de sofrimento e solidariedade, assim através das badaladas dos sinos os momentos são marcados e levam os fiéis a rezarem.

O que é um sino?

Sino: do latim signum, sinal; instrumento de bronze com a figura de um vaso cônico (diz-se obcônico) invertido, que produz sons que podem ser mais ou menos fortes, agudos ou graves, afinados em diferentes notas musicais dependendo do diâmetro de sua boca e da espessura de sua bacia. Esses sons podem ser obtidos por intermédio de peça sólida, badalo, quando percutido em sua parte interna, ou por martelo, quando percutido em sua superfície externa; há outras referências na literatura e em documentos de época sobre a existência de sinais sem, necessariamente, a referência aos sinos.

O responsável pela fabricação do sino é um artesão geralmente denominado de fundidor, ou ainda mestre fundidor; mas também pode ser chamado de sineiro. A ele cabe determinar as dimensões, o formato, a sonoridade e demais características do sino. Todos esses elementos incidem sobre a afinação do sino.

Sinos eletrônicos nas Igrejas

Os tradicionais instrumentos de bronze estão sendo substituídos pelos eletrônicos. São muitas as razões da troca que passam pelo viés econômico, pela estrutura da igreja, pela opção do padre e da comunidade e, até mesmo, pela variedade de música oferecida pelo eletrônico. Independente do motivo, a mudança adquire também caráter simbólico: é um pouco de modernidade entrando nos templos religiosos.

Colocados no alto das torres das igrejas, normalmente, são acionados através de uma corda presa no pêndulo, com comprimento suficiente para tocar o piso do templo. Com os eletrônicos podem ser colocados em qualquer local, pois são equipamentos semelhantes a um aparelho de som. Após programados, são capazes de tocar de quinze em quinze minutos, a cada uma hora ou qualquer que seja o intervalo de tempo determinado pelo padre.

“É preciso de uma aldeia para se educar uma criança”                            

“É preciso de uma aldeia para se educar uma criança”

                                                                                                             Provérbio de origem africana

Desde 1964, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade como um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal. O tempo quaresmal é contínuo chamado à transformação interior, rumo à alegria das festas pascais. Nos domingos deste tempo, fica mais forte, em um movimento crescente, o convite a sair do individualismo, rumo à vida nova, marcada pelo sentido comunitário e pela busca por respostas de diálogo.

A Igreja no Brasil, como maneira de vivenciar essa espiritualidade, propõe a Campanha da Fraternidade, cujo objetivo é unir forças na construção de uma sociedade que melhor corresponda à mensagem do Evangelho (cf. Mc 1,15).

Para esse ano de 2022, os bispos do Brasil nos convidam “à luz da fé, a refletir sobre a educação em nosso país, convictos de que ela é indispensável para a construção de um mundo mais justo e fraterno”. A CF tem como tema: “Fraternidade e Educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor”,  (Pr 31,26). Somos provocados a refletir sobre o ato de educar, que educar não é um ato isolado e sim, um encontro entre educadores e educandos.

A proposta para esse ano é promover um diálogo sobre a realidade educativa no Brasil, à luz da fé cristã, propondo caminhos em favor do humanismo integral e solidário. Além disso, buscará refletir sobre o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo com a colaboração das instituições de ensino; incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a Casa Comum.

Objetivos da CF 2022:

  • Analisar o contexto da educação na cultura atual, e seus desafios potencializados pela pandemia. 
  • Verificar o impacto das políticas públicas na educação. 
  • Identificar valores e referências da Palavra de Deus e da Tradição cristã em vista de uma educação humanizadora na perspectiva do Reino de Deus.
  • Pensar o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo, com a colaboração dos educadores e das instituições de ensino. 
  • Incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a casa comum. 
  • Estimular a organização do serviço pastoral junto a escolas, universidades, centros comunitários e outros espaços educativos, em especial das instituições católicas de ensino. 
  • Promover uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, em especial, dos mais pobres.

Cartaz da CF 2022

No cartaz, diante da mulher, surpreendida em flagrante adultério, e que está prestes a ser apedrejada, Cristo, Divino Mestre e Educador, apresenta um novo ensinamento que se revela como um verdadeiro ato de esperança no ser humano. Jesus educa de maneira pedagógica, integral e a partir de uma ação repleta de sabedoria e amor. Este é o único momento em que o Evangelho mostra Jesus escrevendo. Não se sabe o que Ele escreveu. Sob a luz da espiritualidade quaresmal, o autor apresenta uma releitura da cena com uma possível escrita sobre o chão: AMOR E SABEDORIA palavras retiradas do lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31, 26).

As pedras espalhadas pelo chão resumem parte do desfecho daquilo ensinado por Jesus. “Vai e não peques mais.” Palavra que inaugura um novo estilo de vida marcado pela conversão. O cartaz direciona o interlocutor ao Mestre Jesus, o centro da fé. Convertidos pela Palavra e comprometidos com a vida, dom e compromisso, nosso olhar se dirige a Jesus que é mostrado em perfil, em pé e com disposição corporal curva em direção a mulher posta a juízo. A cabeça de Jesus, emoldurada por um círculo, auréola, é o eixo do cartaz, lugar onde parte a inteligência, a sabedoria e por consequência, a “Palavra de vida eterna.” (Jo 6.68).

A disposição da mulher, também curva no cartaz, se coloca a ouvir, aprender e percorrer uma nova vida que brota da Cruz. Sua cabeça é aparelhada com os pés da Santa Cruz, esta que aparenta suave como marca d’água ao fundo do cartaz. Duas cores predominam no Cartaz: verde e laranja. A cor verde a lembrar o que é vivo e a cor laranja a instigar a fidelidade criativa, própria do segmento. Estas duas cores darão a qualidade visual de todo material da CF, a fim de induzir a lembrança ao tema e ao lema escolhidos para o ano de 2022. Tanto a mulher quanto Jesus tem-se na área peitoral, o repouso da mão, gesto que reflete a interação pedagógica de quem ensinou e de quem aprendeu.

Sobre o peitoral de Jesus, um pequeno coração em cor vermelha, este, a comprimir o gesto misericordioso e educador refletido nesta arte. Inspirados por Ele, todos são convocados a pensar a integralidade da educação. Ela perpassa todos os aspectos da vida humana. “Com Cristo, aprendamos a falar com sabedoria e ensinar com o amor. Eis o tempo de conversão e compromisso!”.

 

Família é a célula vital da sociedade, é a primeira sociedade natural do ser humano. É na família que se constrói a personalidade da

Família é a célula vital da sociedade, é a primeira sociedade natural do ser humano. É na família que se constrói a personalidade da pessoa. É preciso amor, encorajamento para que a confiança seja adquirida, a fim de que o sujeito se torne ativo e integrante na vida e na sociedade.

De alguns anos para cá, a tecnologia vem ganhando espaço no meio familiar. Os celulares se tornaram uma extensão das pessoas. Não se sai de casa sem o aparelho de telefone. A evolução tecnológica transformou as famílias. A cena mais comum nos lares nos dias atuais, são os pais sentados no sofá mexendo nos seus smartphones, com a televisão ligada e cada filho no seu espaço. Até mesmo o diálogo sofreu transformações.

Marco Romanha morador de Cariacica, membro do Encontro de Casais com Cristo da Arquidiocese de Vitória, acredita no diálogo olho no olho, apesar de achar que não é uma pratica tão fácil de ser exercida nos tempos atuais.

“A internet pode dificultar os laços familiares se ela for instrumento de fuga. Acredito na possibilidade que temos de conseguir superar qualquer dificuldade, qualquer diferença de pensamento que exista, a partir do diálogo. A tecnologia não vai substituir essa conversa, porque o teclado, a tela, aceita qualquer coisa que seja ali digitado, e que muitas vezes, o olho no olho vai muito além daquilo que é dito. Uma expressão do olhar, uma expressão facial, uma atitude de paciência e de respeito é demonstrado muito claramente no diálogo”, ressaltou.

Para o Padre Renato Criste, pároco da Catedral de Vitória e Coordenador Pastoral, é essencial um conhecimento mais profundo das ferramentas tecnológicas e uma reflexão mais intensa sobre os modos de educar.

“ É necessário, redescobrir e compreender o potencial humanizador da cultura cientifica e tecnológica. Detectar sua dimensão ética, em uma perspectiva capaz de promover a compreensão dos recursos e dos problemas da educação dos filhos e também dos relacionamentos familiares”, afirma.

Os impactos do uso da tecnologia na vida das famílias e das pessoas virá com o tempo, pois apesar de parecer que já estamos inseridos a muito tempo nesse mundo tecnológico, ainda é bastante recente a inserção digital na sociedade.

A tecnologia pode tanto ser positiva como negativa no seio familiar. No entanto, quem as usa que saberá o sentido e o significado a ser dado. É preciso usar da tecnologia para aproximar a família, criar laços fortes e permanentes.

“O uso da internet pode ser um facilitador para a família. Vivemos num tempo de muita informação, atividades, trabalho, estudo, diversas demandas para todos os membros, que acabam tendo que saber administrar bem o tempo. Se houver uma boa administração do tempo, a internet, a tecnologia, pode favorecer o convívio familiar. Na medida em que estão distantes podem combinar no grupo da família um momento de convívio, de estar junto, trocar ideias”, acrescenta Marco Romanha.

 

“Ninguém come essa carne sem antes a adorar(…) pecaríamos se não a adorássemos”                      

“Ninguém come essa carne sem antes a adorar(…) pecaríamos se não a adorássemos”

                                                                                                                                                                                                                                                      (Santo Agostinho)

O tabernáculo como lugar da presença do Senhor vivo, surge no segundo milênio da cristandade, ao se falar da presença permanente de Cristo pela transubstanciação do pão e do vinho. Essa consciência já estava presente na Idade Antiga, onde a eucaristia era venerada e conservada para os doentes. Abra-se, agora, uma nova dimensão da realidade cristã: a Eucaristia torna-se objeto de contemplação, oração e adoração, pessoal e comunitária. “Fora da celebração do memorial do Senhor, a Santa Eucaristia é objeto de culto como sacramento permanente”, diz o Dicionário de Liturgia.

A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II reafirma essa verdade e o Missal Romano recomenda que “de acordo com a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes locais, o Santíssimo Sacramento seja conservado num tabernáculo, colocado em lugar de honra na igreja, suficientemente decorado e que favoreça a oração.

Normalmente, o sacrário deve ser único, inamovível, não transparente, fechado de modo que se evite ao máximo o perigo de profanação”.

Ainda segundo o Missal, no altar em que se celebra a Missa não é conveniente que haja sacrário. A presença de Cristo na assembleia, no sacerdote, na Palavra, prepara o fiel para receber Cristo na Eucaristia. Assim, é preferível que o sacrário se localiza numa capela apropriada para adoração e oração dos fiéis, ligada com a igreja e visível, ou ainda, no presbitério, fora do altar da celebração, na forma e lugar mais adequados, caso não seja possível a capela.

Ao reservar um espaço para o sacrário, a Igreja proporciona aos fiéis condições para maior recolhimento e percepção do mistério que envolve a presença real de Cristo Eucarístico. O material e a localização do sacrário na igreja devem convidar o fiel a chegar mais perto deste mistério.

Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória
e Grupo de Reflexão do Setor Espaço Celebrativo da Comissão Litúrgica da CNBB
A missão da iniciação à vida cristã precisa ser como na primeira comunidade cristã: “perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração

A missão da iniciação à vida cristã precisa ser como na primeira comunidade cristã: “perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).

A catequese tem por missão encontrar respostas de fé para o ser humano, desafiado pelos tempos atuais sobre as inúmeras interrogações. Quem é Jesus Cristo? O que a catequese ensina? Como transmitir Jesus Cristo para as crianças, adolescentes, jovens e adultos? A resposta fundamenta-se em Cristo, missionário de Deus, enviado ao mundo para anunciar o Reino, de paz, justiça e fraternidade.

A Campanha Missionária de 2021 apresenta uma sólida resposta para as várias perguntas feitas na catequese. O tema proposto para esse ano é: “Jesus Cristo é missão” e o lema: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20). A catequese necessita de catequistas missionários e missionárias da ternura, compaixão e da esperança, que sejam buscadores de Cristo dando máxima importância para ouvir e colocar em prática a Palavra de Deus. Assim, poderão anunciar Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, sendo alimentados pelo banquete da Palavra e pela mesa da Eucaristia.

A missão da catequese é introduzir os catequizandos no Mistério da fé, na pessoa de Cristo, na missão de anunciar o Reino de Deus que exige: “Credes em Deus e crede também em mim” (Jo 14,1). Jesus quer mostrar uma fé substancial, incluindo confiança num triplo e uno: Pai, Filho e Espírito Santo em plena comunhão na missão divina. O Filho amado, revelado na plenitude dos tempos, manifesta a totalidade de Deus, que precisa ser acolhido com atitude de fé, oferecendo o anúncio da Salvação aos pobres e necessitados, na vida eclesial em suas diversas formas de celebrar a fé encarnada em Cristo e ensinada na catequese. Antes de ser uma verdade, o Mistério é um acontecimento realizado na história e oferecido como Salvação. Esse Mistério de Deus chega à sua plenitude em Jesus de Nazaré, anunciado pelos catequistas que têm a missão de fazer que a mensagem chegue ao coração dos catequizandos.

A missão da catequese é buscar fundamentos sólidos para viver a fé, fundamentada na Palavra de Deus e na pessoa de Jesus Cristo. “A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como venera o próprio Corpo do Senhor, já que, principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma tanto da Palavra de Deus quanto do Corpo do Cristo, o pão da vida, e o distribui aos fiéis” (DV, n. 21), para uma missão específica. “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Deve levar os catequizandos  a entenderem o “logos” de Deus, encarnado em Maria, que fez morada em seu ventre, nasceu, viveu e caminhou cuidando da “casa comum” ensinando a verdadeira missão do discípulo missionário. Uma catequese que anuncia Cristo e seu Reino, com igualdade e justiça, mesmo que não seja compreendido por muitos, porque sua proposta era revolucionária; por isso não era entendido mesmo entre seus familiares, assim também é o anúncio da catequese.

O catequista precisa ser um pedagogo da fé no Mistério de Deus, que revela Cristo, utilizando o caminho fecundo, expressado pelo ano litúrgico, que apresenta o Mistério de Cristo, ao longo do decurso do tempo. Deve valorizar a importância de cada dia, e, de modo especial, o domingo, Dia do Senhor. A catequese precisa garimpar para descobrir que a liturgia é caminho que leva os catequizandos para fonte mais profunda, Cristo. “Mas o mistério de Cristo se desdobra por todo o ciclo anual, desde a sua encarnação e nascimento até a ascensão, pentecostes e a expectativa, cheia de esperança, da vinda do Senhor” (SC, n. 102).

Percorrendo esse caminho muitos afirmarão que: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” ((Gl 2,20). Essa é a missão da catequese, apontar o caminho e identificar Cristo, na liturgia e no Mistério da Igreja, “Ela é, ao mesmo tempo, humana e divina, visível, mas dotada de bens invisíveis, presente no mundo, mas peregrina, de tal forma que o que nela é humano está subordinado ao que é divino, o visível ao invisível” (SC, n. 02).

Pe. Roberto Francisco Sebastião Natal

Coordenador da Comissão Arquidiocesana para a Ação Missionária

A Igreja celebra em outubro o mês dedicado às Missões A Campanha Missionária 2021 traz como tema: “Jesus Cristo é missão” e o lema:

A Igreja celebra em outubro o mês dedicado às Missões

A Campanha Missionária 2021 traz como tema: “Jesus Cristo é missão” e o lema: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20). É um convite a dar continuidade ao tema de 2020, na identidade missionária da Igreja onde a vida é verdadeira experiência de missão. Tem como objetivo despertar uma maior consciência da missão ad gentes e retornar, reacender, ressignificar com novo ardor a transformação missionária da vida pastoral da Igreja, com olhar atento, na compaixão e esperança, acompanhado com gestos de ternura e compaixão.

A Igreja deve sentir-se motivada pela mensagem do Papa Francisco, para o Dia Mundial das Missões. A Campanha Missionária destaca o testemunho de missionários e missionárias na compaixão e da esperança. A missão acompanhada da compaixão é urgente e necessária, também recomendável para o cuidado da “casa comum”, da dignidade humana, junto com todas as iniciativas missionárias e olhando para a realidade atual, enfrentada neste tempo de pandemia, com a capacidade de mascarar, justificar a indiferença e apatia com o aspecto social das crises crescentes no Brasil. E tendo presente a missão de compaixão entre os profissionais de saúde, às famílias enlutadas, migrantes indígenas, educadores com solidariedade universal além-fronteiras.

A motivação para este mês é ser presença de Igreja neste contexto de pandemia da covid-19, que se prolonga, e evidenciou ampliando o sofrimento, solidão, pobreza e injustiças, junto aos que tanto já sofrem: os pobres e excluídos da sociedade. Com esta ação missionária, queremos valorizar os quatro pilares que orientam as iniciativas missionárias: o encontro celebrativo, o testemunho, o diálogo e a caridade, sendo Igreja em “saída” no encontro. Olhando para a família, a saúde, educação, trabalho, com gestos de compaixão, para além das fronteiras. A Igreja é convidada a reavivar os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo, o missionário do Pai.

A Novena Missionária iluminada pela leitura orante da Palavra de Deus, segue os quatro passos importantes: leitura, meditação, oração e contemplação com a Lectio Divina, que significa uma “lição divina”, rezar com a Palavra de Deus. Assim desenvolve-se uma espiritualidade bíblica, catequética, litúrgica, e acima de tudo, missionária. A Novena Missionária aponta para quatro degraus de profunda importância com a Palavra de Deus.

1º degrau – Leitura – O que o texto nos diz? Deve-se ler lentamente o texto, duas vezes. Ainda não é hora para tirar mensagem para a vida, primeiro, compreenda o texto. Quem são as personagens do texto; qual é o rosto de Deus. Um subsídio pode ajudar entender o texto. 2º Degrau – Meditação – O que Deus quer nos dizer com esse texto? Deve-se destacar os versículos ou palavras mais fortes, sem querer interpretar. Atualizar o texto, comparando a situação da época com a situação atual. O que tem a ver com a sua, nossa vida. 3º Degrau – Oração – O que esse texto me faz dizer a Deus? O que foi lido, meditado, agora é transformado em conserva com Deus. A oração é o lugar de falar com Deus, no louvor, no agradecimento, na súplica; “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa), também, o silêncio ajuda. 4º Degrau – Contemplação – Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Qual a conversão da mente, do coração, vida que o Senhor pede para mim? É necessário enxergar a vida com os olhos de Deus. Ver Jesus Cristo, o missionário de Deus e não deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos. Na comunidade de esperança, fé e caridade, resultado do discípulo (a), missionário (a), de Jesus Cristo, sendo fermento na ação evangelizadora com valores espirituais.

A Novena Missionária deste ano aprofunda nove preciosos temas, com o desejo de tocar em realidades, bem concretas e atuais para os nossos tempos de enfrentamento da crise com a pandemia do Covid-19. A Palavra de Deus ilumina a missão. Ela apresenta para os missionários e missionárias, um grande desafio, falar o que vimos e ouvimos.

No primeiro dia, introduz toda a temática da: Campanha Missionária 2021 – (At 4,18-21), onde a Palavra de Deus ilumina a vida da comunidade no seguimento comprometido com a missão de Cristo.

Segundo dia: O que vimos e ouvimos nas famílias – (At 16,29-34), a Palavra de Deus iluminando as famílias.

Terceiro dia: O que vimos e ouvimos na saúde (At 5,12-16), a Palavra de Deus ilumina os profissionais da saúde.

Quarto dia – O que vimos e ouvimos na educação – (At 22,3-4.6-8), a Palavra de Deus ilumina o ensino para a vida.

Quinto dia: O que vimos e ouvimos das populações em situação de rua e de abandono – (At 11,27-30), a Palavra de Deus ilumina os excluídos da sociedade.

Sexto dia: O que vimos e ouvimos dos migrantes indígenas – (At 10,34-36), a Palavra de Deus ilumina vida dos migrantes e povos nativos.

Sétimo dia: O que vimos e ouvimos no mundo do trabalho – (At 20,33-35), a Palavra de Deus ilumina o mundo do trabalho.

Oitavo dia: O que vimos e ouvimos nos gestos de compaixão – (At 4,32-35), a Palavra de Deus ilumina a vida com ternura e compaixão.

Nono dia: O que vimos e ouvimos na missão além-fronteiras – (At 1,8), a Palavra de Deus ilumina para além-fronteiras.

Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, oriente os missionários e missionárias a seguir a Cristo, onde encontramos a fonte de toda missão.

 

Oração do Mês Missionário 2021

Deus Pai, Filho e Espírito Santo, comunhão de amor, compaixão e missão. Nós te suplicamos: derrama a luz da tua esperança sobre a humanidade que padece a solidão, a pobreza, a injustiça, agravadas pela pandemia.

Concede-nos a coragem para testemunhar, com ousadia profética e crendo que ninguém se salva sozinho, tudo o que vimos e ouvimos de Jesus Cristo, missionário do Pai.

Maria, mãe missionária, e São José, protetor da família, inspirem-nos a sermos missionários da compaixão e da esperança. Amém.

 

Pe. Roberto Francisco Sebastião Natal

Coordenador da Comissão Arquidiocesana para a Ação Missionária

No Brasil, em vista da colonização a partir de 1500, é forte a marca do período barroco. As construções religiosas seguindo modelos europeus foram

“Tomai e bebei todos(…), tomai e comei todos (…). Fazei isso em memória de mim” (Lc 22, 19)

No Brasil, em vista da colonização a partir de 1500, é forte a marca do período barroco. As construções religiosas seguindo modelos europeus foram adaptadas à realidade local, dando origem ao estilo coloquial brasileiro que perdura no nosso imaginário religioso. 

Entre as duas guerras mundiais, sobretudo a partir do Movimento Litúrgico, a Igreja busca resgatar o significado e dignidade próprios do altar. Surgem  propostas para uma nova organização do espaço celebrativo litúrgico e seus componentes constitutivos. Gatti recorda que o altar não pode ser apenas objeto útil à celebração, mas sinal desta. E Brouard, que “os fieis se reúnem em torno de um espaço que é vazio, para lembrar o mistério da Presença divina, cujo lugar central por excelência é o altar. Este deve, pois, ser modesto e colocado com justeza para mostrar o respeito à alteridade de Deus e à comunhão fraterna dos fiéis preparados para a celebração eucarística”.

O Concílio Vaticano II retorna a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. O altar é o centro da celebração e, ao mesmo tempo, memorial, presença e anúncio. A Igreja nos orienta que este seja fixo, significando de modo mais claro e permanente o próprio Jesus Cristo, Pedra viva. Seja de material digno e sólido, como a pedra natural ou a madeira. Os castiçais sejam colocados sobre ele ou nas suas laterais. A ornamentação com flores seja moderada, não sobre, mas junto a ele. Sobre a mesa do altar pode ser colocado somente o que se requer para a celebração da Missa. Só a Deus ele é dedicado, pois só a Deus é oferecido o Sacrifício Eucarístico, por isso deve ocupar lugar que seja o centro convergente de todas as atenções.

“Olhai, pois, Senhor, para este altar que preparamos para celebrar vossos mistérios; que ele seja o centro de nosso louvor e ação de graças (…) e, aproximando-nos de Cristo, a pedra viva, (…) em louvor de vossa glória”.

Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória

A natureza e função do altar nos são apresentadas pelo Missal Romano, onde este, “em que se torna presente sob os sinais sacramentais o

Tomai e bebei todos (…), tomai e comei todos(…). Fazei isto em memória de mim”.

(Lc 22, 19)

Entre a “mesinha” de pedra usada para oferecer o sacrifício destinado ao banquete dos deuses e a mesa do sacrifício do Senhor, onde Deus se oferece a si mesmo em Jesus Cristo, há uma longa história. O arquiteto Vincenzo Gatti nos recorda que o altar, pós Concilio Vaticano II, volta a ser centro, isto é, “realidade visível e motivo fundamental do ser Igreja”, manifestando assim “a presença do Cristo altar, vítima, sacerdote, que se realiza na Celebração Eucarística”.

A natureza e função do altar nos são apresentadas pelo Missal Romano, onde este, “em que se torna presente sob os sinais sacramentais o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é chamado a participar quando é convocado para a Missa; é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia”.

Na sala da última Ceia temos não uma mesa, como a entendemos hoje, mas um tampo em torno do qual estavam os participantes instalados. Apoiavam-se com o cotovelo esquerdo e comiam com a mão direita, ‘do mesmo prato’, todos juntos. Um número maior de pessoas exigiria vários grupos de mesa. Essa forma estava presente na Igreja dos primeiros séculos.

De mesa para altar em bloco, há maior visibilidade da dimensão sacrifical e sintonia com o culto das relíquias. Essa acentuação excessiva se deu na Idade Média. Do centro da assembleia, nos primeiros séculos, para o presbitério, na abside, aos poucos o altar foi sendo separado da comunidade reunida. A sua posição sofreu alterações significativas. Na Alta Idade Média, o altar ao ser recuado para a parede oriental, parecia-se mais com um console, na certa, em vista do desenvolvimento da piedade da época. Esse período também foi marcado pela multiplicação de altares secundários, nas naves laterais. O período Barroco trouxe o tabernáculo inserido na estrutura do altar, chamada retábulo, onde se acrescenta o trono da exposição da custódia para a Adoração Eucarística.

Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória