As tradições culturais foram incluindo, ao longo da história, alguns elementos que nos remetem ao sentido do evento salvífico conhecido como Semana Santa. Assim temos um tempo marcado entre o domingo de ramos lembrando a recepção de Jesus em Jerusalém e o domingo da Ressurreição de Cristo, mistério central da fé cristã. Ao longo da semana se lembra os momentos em que Jesus é ungido por sua mãe Maria, o anúncio de sua morte, a traição de Judas Iscariotes, a última ceia de Jesus Cristo, a crucificação e morte. Os ritos na Igreja Católica são riquíssimos de significado e propícios à expressão da fé de seus fiéis.
Ao mesmo tempo, nesse cenário que nos remetem àquele momento específico da história da salvação, encontramos diversos caminhos representados por alguns atores que acompanharam a via sacra. O Papa Francisco nos propõe algumas perguntas para refletirmos: “Quem sou eu, diante de Jesus que sofre”? Quem sou eu diante do Crucificado e do Ressuscitado?
A atitude de Judas Iscariotes sempre nos aparece de maneira clara. Alguém que finge amar Jesus e o beija. Só que esse beijo é traiçoeiro, traidor. Era o sinal para a entrega do mestre. Fingimento e traição estão no horizonte da vida de tantos cristãos!
Também poderíamos encontrar a atitude das lideranças políticas que agem com pressa, instituem tribunais, buscam falsos testemunhas e constroem mentiras. São capazes de levar a multidão de pessoas a escolherem Barrabás em vez de Jesus. Em vez de trilharem o caminho da verdade, pautam suas vidas com mentiras e processos fraudulentos.
Temos a disposição de pessoas como Simão Cirineu que se ofereceu a ajudar a Jesus a carregar a cruz. Aquela cruz que foi levada ao calvário foi suficiente para o mistério da salvação, contudo há tantas outras cruzes espalhadas na humanidade com pessoas que precisam de ajuda para que possam superar as dificuldades do dia a dia. A solidariedade no sofrimento é atitude essencialmente cristã, pois expressa o mandamento do amor.
A Semana Santa, nos diz o Papa Francisco, é um bom momento para “confessar e retomar o caminho certo”. É um tempo muito forte e uma oportunidade para abrirmos as portas dos nossos corações, as portas de nossas paróquias, nossas comunidades, nossas fraternidades. Um tempo para cada um, recolhido no silêncio desse tempo, abrir o coração para a graça de Deus. A semana santa é um tempo de graça.
Só que a abertura do coração à graça de Deus não termina nesse movimento individual, pessoal, podemos dizer. O Papa nos diz que é preciso sair ao encontro de Jesus e ao encontro dos outros. A ressurreição não é um evento particular, algo que acontece apenas para uma pessoa ou um grupo. Ela nos impõe a obrigação de sairmos pelo mundo e dar a boa notícia, a notícia verdadeira.
Como seguidores somos chamados a sermos suas testemunhas. Contudo, as forças do mundo representadas no Evangelho de Mateus (28, 8-15) pelos sumos sacerdotes e anciãos, logo após o domingo da ressurreição, compraram o serviço dos soldados para que difundissem uma grande mentira: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis”. A ressureição de Jesus não interessava a eles, que pagaram bem caro para que os soldados difundissem uma mentira. E a mentira espalhou-se rapidamente entre os judeus.
Às forças do mundo não interessa a verdade da fé cristã. Ainda temos tantos sumos sacerdotes e anciões que contratam “soldados espalhados nas redes sociais” para mentirem para o povo negando o evento salvífico decorrente da fé cristã. Vivemos um tempo de muito medo e silêncio, de guerras e divisões, de sofrimento e angústia.
Mas o Ressuscitado nos encoraja: “Não tenhais medo” (da verdade). “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. A fé cristã está construída sobre os alicerces da Verdade e dela temos que ser testemunhas. A verdade da fé é Jesus Cristo Ressuscitado. Do contrário nossa fé seria vã, falsa.
Edebrande Cavalieri

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