
Mensagem de dom Dario Campos nas exéquias no velório do ex-governador do Espírito Santo Max Mauro
15 de novembro de 2024
Queridos irmãos e irmãs,
Paz e bem!
Saúdo o senhor vice-governador, Ricardo Ferraço, e em sua pessoa saúdo a todos os representantes do governo estadual. Saúdo, também, aos que nesta casa exercem seu mandato, como representantes de nosso amado povo. Saúdo ainda, as demais autoridades dos Poderes Constituídos, que se fazem presentes, bem como a todos que aqui se encontram neste momento de despedida de nosso irmão Max Mauro. De forma muito afetuosa, saúdo os familiares e amigos próximos de nosso irmão, esses que são testemunhas de quem ele foi em sua intimidade e com todos os valores que conhecemos.
Com minhas brevíssimas palavras, desejo partilhar com vocês, meus irmãos e irmãs, dois aspectos do trecho do Evangelho de São João que acabamos de ouvir. O primeiro encontra-se na afirmação de Jesus: “não se perturbe o vosso coração”. O segundo, a indicação que Jesus Mestre faz sobre as moradas da casa do Pai, nosso destino final.
Este relato do Evangelho retrata a vivência da primeira comunidade cristã, marcada pelas dúvidas e dificuldades do caminho iniciado com a Ressurreção do Senhor. De fato, Jesus ao se despedir de seus discípulos: “não se perturbe o vosso coração”, deseja que os mesmos mantenham viva a confiança no cuidado amoroso do Pai, que nunca abandona seus eleitos.
Meus caros irmãos e irmãs, é nesta relação de intimidade e comunhão com o Senhor, que vivemos o dia a dia, na certeza de que nunca caminhamos sozinhos. Firmes diante das adversidades e das perdas que sofremos aos longo de nossas vidas, pois, sabemos em quem depositamos a nossa esperança, como afirma São Paulo. Deste modo, hoje depositamos, com grande confiança, o nosso irmão Max Mauro, nas mãos amorosas do Senhor, ele que procurou viver sua fé com dedicação e seriedade, sendo reconhecido pelos valores que tinha, enriquecidos pela luz do Evangelho.
No texto do Evangelho, Jesus indica o seu retorno para junto do Pai, a fim de preparar uma morada eterna para os seus. A Palavra morada, evoca a união profunda com o Mestre que o discípulo deve cultivar e viver, como o ramo unido à videira, sem a qual jamais teria vida.
Meus irmãos e irmãs, hoje nos despedimos de alguém que marcou, de forma profunda, o nosso Estado do Espírito Santo, seja pela maneira como viveu, bem como, pelo que fez em toda a sua vida pública. Reconhecemos que os valores que o distinguiram foram frutos de uma profunda experiência humana e de fé. Alguém que nutris um grande amor pela Virgem Maria, a Senhora da Penha, de quem aguardava a passagem na Romaria dos Homens. Um homem íntegro que dignificou a política de nosso Estado, por meio de um olhar atento para os mais necessitados e sofredores, nunca virando as costas para os problemas reais daqueles que lhe foram confiados.
Somos hoje convidados pela Palavra do Evangelho a depositá-lo na palma da mão amorosa de Deus, na esperança de que, em Cristo, seja acolhido na morada eterna e repouse em paz. Hoje, rezamos, pedindo ao Pai Eterno que o acolha, garantindo-lhe o repouso após a vida longa e fecunda que ele viveu. Ao mesmo tempo, pedimos também, que o Senhor nos fortaleça e nos acompanhe sempre, a fim de que jamais deixemos de trilhar o caminho que nos conduz à verdade e à vida que é o próprio Jesus Cristo.
Com confiança de filhos e filhas, depositamos o nosso irmão, entregamos o nosso irmão, sob o olhar da Virgem da Penha, a fim de que ela interceda por ele junto ao Seu Filho Jesus Cristo.
E para terminar quero ler para vocês um poema de Guimarães Rosa e tenho certeza de que todos vão guardar em seu coração:
“Depois de morto, quando eu chegar ao outro mundo,
Primeiro quererei beijar meus pais, meus irmãos, meus avós, meus tios, meus primos.
Depois irei abraçar longamente uns amigos – Vasconcelos, Ovalle, Mário…
Gostaria ainda de me avistar com o santo Francisco de Assis.
Mas, quem sou eu? Não mereço.
Isto feito, me abismarei na contemplação de Deus e de sua glória,
Esquecido para sempre de todas as delícias, dores, perplexidades
Desta outra vida de aquém-túmulo”.
Dom Dario Campos, ofm
Arcebispo de Vitória


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