O título acima é o tema da celebração do Jubileu de 50 anos dos encontros Intereclesiais que será realizada em Jerônimo Monteiro no próximo dia 25 de janeiro. Também foi o tema do I Intereclesial realizado em Vitória em 1975, do qual tive a honra de ter participado ainda como jovem estudante de teologia. Éramos um grupo de 70 pessoas representantes de Comunidades Eclesiais de Base de 12 Estados brasileiros, com cinco bispos participantes, padres, leigos e leigas e teólogos.
Foi nesse encontro que aflorou a expressão da opção preferencial pelos pobres e da atuação da Evangelização na sociedade. Em sintonia com o Concílio Vaticano II que definia, conforme a Constituição Dogmática Lumen Gentium (nº 13), a Igreja como “Povo de Deus”, elevava-se a expressão “Igreja que nasce do povo”. Seguindo o Concílio Vaticano II, invertia-se a pirâmide: todo o Povo de Deus e não apenas a hierarquia eclesiástica.
Colocava-se a questão que até hoje desafia o “ser Igreja” conforme sempre nos confidencia o Papa Francisco: como fazer nascer da Igreja clerical uma Igreja que nasce do povo? Para isso, buscava-se uma presença mais significativa da Igreja na luta pela libertação dos povos, de modo que nenhuma ovelha se perdesse.
A Igreja realizava uma grande mudança eclesiológica que abandonaria o exclusivismo que reservava a salvação apenas para seus fiéis e caminhava para o inclusivismo. Como dom de Deus, a Igreja católica, conforme a LumenGentium, “tende eficaz e constantemente à recapitulação total da humanidade com todos os seus bens sob a cabeça, Cristo, na unidade do Seu Espírito”.
No ano seguinte, houve o II Intereclesial também aqui em Vitória contando com a participação de 100 pessoas de 24 dioceses e 17 Estados brasileiros. Nesse encontro estiveram presentes 13 bispos, além de padres, leigos e leigas representantes das CEBs e teólogos. O tema desse encontro foi “Igreja, povo que caminha” e, a partir desse momento, passou-se a utilizar sob diversas formas a palavra geradora como nos dizia Paulo Freire, Caminhada.
Nesse ano em que celebramos o Jubileu da Esperança, vemos que em seu tema essa palavra caminhada fica nas entrelinhas; como “Peregrinos de Esperança” caminhamos. Somos, então, um povo que caminha, um povo peregrino. Um povo cheio de esperança, que caminha junto pelas vias e vielasdo mundo.
A experiência de caminhada das CEBs, todos juntos, celebrando e lutando diante das dores e esperanças, fortaleceu a vida eclesial em todo o Brasil e outras partes do mundo. Já no 6º encontro ocorrido em Trindade, Goiás, em 1986, estiveram presentes como representantes das comunidades, bispos, padres, leigos e leigas, teólogos, 1.647 pessoas. Diante do tema do encontro – Povo de Deus em busca da Terra Prometida – a experiência da caminhada em conjunto tornou-se o baluarte da esperança do povo sofrido e maltratado. Consciência de que juntos somos fortes e temos força de alcançar a Terra Prometida. A salvação de cada um situava-se na capacidade de nos juntarmos como comunidade pelo Espírito de Deus. Estamos diante do aspecto comunitário da salvação e não de uma visão individualista ainda muito presente entre nós.
A celebração comemorativa do Jubileu de ouro do Intereclesial das CEBs em Jerônimo monteiro insere-se nesse contexto de caminhada e esperança e de preparação do 16º Intereclesial que ocorrerá em 2027 na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Como Povo de Deus, peregrino de esperança, é também tempo de festejar a caminhada de meio século e pedir ao Senhor que continue a alimentar esse mesmo povo faminto de justiça e paz. Que a Eucaristia seja esse alimento em toda a caminhada que se tem pela frente!
Edebrande Cavalieri

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