Coleta Nacional da Solidariedade

9 abril, 2025

No próximo dia 13 de abril, a Igreja celebra o Domingo de Ramos, data que marca o início da Semana Santa e convida os fiéis a uma reflexão profunda sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Além do significado espiritual, a celebração também é um momento de solidariedade, pois a coleta realizada durante as missas dos dias 12 e 13 tem um destino especial: parte do valor arrecadado é destinado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e a outra parte permanece na Arquidiocese de Vitória para auxiliar em suas ações pastorais e sociais.

A coleta do Domingo de Ramos, tradicionalmente conhecida como “Coleta Nacional da Solidariedade”, integra a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). O objetivo da campanha é de chamar a atenção sobre uma situação que, na sociedade, necessita de conversão, em vista do bem de todos.

A divisão dos valores arrecadados segue uma estrutura bem definida: 60% do total ficam na Arquidiocese de Vitória, sendo aplicados em iniciativas locais voltadas para o atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade, apoio a projetos sociais e fortalecimento das atividades evangelizadoras nas comunidades. Os outros 40% são enviados à CNBB, que os direciona ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Esse fundo financia projetos de impacto social e evangelização em diversas regiões do Brasil, especialmente nas áreas mais carentes.

Na Arquidiocese de Vitória, 100% do valor arrecado com a Coleta da Solidariedade é destinado ao trabalho social da Arquidiocese e administrado pelo Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica, sendo empregado em favor das atividades da Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança, Pastoral do Povo de Rua, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Carcerária, dentre outras, para levar a Assistência Religiosa às pessoas privadas de liberdade nas unidades prisionais, visitar os doentes nos hospitais e residências, visitar os idosos que vivem na solidão, acompanhar o desenvolvimento das crianças, visitar e orientar suas famílias, levar a escuta, o atendimento e o encaminhamento das pessoas em situação de rua, dentre outras tantas ações de prestação do serviço do amor e da caridade com as pessoas em situação de vulnerabilidade.

Para se ter uma ideia, do valor arrecadado com a Coleta do ano passado e destinado à Arquidiocese, 63% foi destinado aos atendimentos sociais. Há também o investimento nas atividades de formação e capacitação de novos agentes e lideranças das pastorais sociais, nos encontros de espiritualidade e nas assembleias, na articulação e organização do Fórum dos Projetos Sociais.

Como as pastorais e projetos sociais acessam esse recurso?

Para acessar os recursos do Fundo Arquidiocesano de Solidariedade as pastorais precisam estar integradas aos Fóruns das Pastorais e dos Projetos Sociais, elaborar o seu plano anual de trabalho, definindo as atividades que serão realizadas, onde e quando serão realizadas, os itens de despesas. o público que será beneficiado, as ações que serão realizadas e os responsáveis por cada atividade.

A Coleta da Solidariedade é uma doação espontânea, sem nenhuma obrigatoriedade. Ela se define como doação! E quem define o quanto doar é consciência de cada doador. É ele que decidirá sobre a causa e os destinatários da coleta. Assim como o apóstolo São Paulo, na segunda carta aos Coríntios, capítulos 8 e 9, motiva os cristãos daquela cidade para fazerem uma coleta para as comunidades de Jerusalém que estavam passando por uma grande necessidade. Assim os motiva: “Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois “Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7).

“Mais importante que o valor doado é enxergar as pessoas, grupos e comunidades que precisam da sua doação, pois doar sem enxergar a necessidade do outro é apenas um mero cumprimento de desencargo de consciência, ou apenas para cumprir o seu “sacrifício quaresmal” em busca da própria redenção em detrimento à degradação da dignidade humana à qual milhares de pessoas estão submetidas. A doação precisa ser encarnada na compaixão e na empatia. Precisa ser um gesto de amor sem holofotes, sem a necessidade dos apelos midiáticos, dos likes, dos compartilhamentos, da visibilidade que inflama o ego”, comenta Elizabeth membro do Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica.

Esse ano foi abordado na Campanha da Fraternidade os problemas ambientais que tem incidência direta sobre a questão social, várias ações foram feitas nesse sentido, como o diagnóstico rápido e participativo realizado em todas as Áreas Pastorais que evidenciou as mais diversas formas de degradação ambiental, como o uso abusivo de agrotóxicos, o desmatamento desenfreado para atender à especulação imobiliária, a ausência de saneamento básico em várias comunidades, a má gestão do lixo, os alagamentos constantes, dentre tantos outras denúncias dos crimes ambientais que afetam os mais pobres;  e, de modo geral, afeta a todo mundo, pois vivemos num universo onde tudo está interligado, como diz o Papa Francisco em sua Encíclica Laudato Si.

Com essa consciência de ajudar o próximo e a nós mesmo que a Arquidiocese conta com a participação ativa das comunidades paroquiais para que a arrecadação seja um verdadeiro testemunho de fé e solidariedade.

A Campanha do Domingo de Ramos é um convite para que cada cristão pratique a caridade e participe ativamente da construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A doação não é apenas um ato financeiro, mas um compromisso com a missão evangelizadora e social da Igreja.

Que possamos neste tempo de preparação para a Páscoa, ter gestos de solidariedade fortalecendo a fé e a esperança de que é possível transformar vidas por meio do amor cristão.

Fundo Nacional de Solidariedade

Visando tornar a coleta do Domingo de Ramos ou Coleta da Solidariedade, eficaz instrumento de solidariedade, em 1998, na 36° Assembleia Geral, a CNBB criou o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) (40% da coleta), o FNS, fruto do gesto concreto dos cristãos, assume o compromisso social, como importante instrumento para apoio a iniciativas de enfrentamento das condições de pobreza e miséria. O Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) (60% da coleta) permanecem na diocese de origem, os recursos são destinados ao apoio a projetos locais de enfrentamento da miséria e da exclusão social.

Os Fundos de Solidariedade promovem a fraternidade entre as diversas regiões do Brasil, tem por objetivo promover a erradicação de vulnerabilidade e risco social, ao atenderem projetos com dificuldade de obterem financiamento, não obstante os grandes benefícios que propiciam às populações carentes.

A metodologia adotada na concessão de recursos dos Fundos intenta o desenvolvimento local/comunitário, econômico e social, sobretudo das regiões mais necessitadas, mediante o fortalecimento das organizações comunitárias, de processos de formação cidadã e geradores de renda.

A animação e gestão dos recursos do FNS que esteve a cargo da Caritas Nacional entre 1999 e 2014, agora, assumida pela CNBB, promotora da Campanha da Fraternidade e da Coleta da Solidariedade.

Os processos de recebimento, análise, deferimento e acompanhamento de todos os projetos, são de responsabilidade do departamento Social da CNBB, conjuntamente com o Conselho Gestor do FNS-CNBB.

Para envio de projetos a Instituição deve estar em conformidade com o Edital do Fundo Nacional de Solidariedade, publicado em fns.cnbb.org.br.

O cadastro do projeto será realizado por meio do sistema acessado em: fns.cnbb.org.br preencher por meio eletrônico todos os dados solicitados referentes ao projeto.

Após o envio, os projetos serão analisados pelo Conselho Gestor do FNS- CNBB. A Instituição poderá acompanhar os status do trâmite do projeto no sistema.

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