Em tempos de correria e distrações, há gestos que permanecem como raízes profundas em meio ao caos. São pequenas tradições familiares, transmitidas com amor, que carregam um poder silencioso de transformar vidas. Uma dessas tradições é a fé — aquela que se aprende no colo da avó, se fortalece com o exemplo da mãe e floresce no coração dos filhos e netos.
É nesse espírito que a história de três gerações de mulheres devotas de Nossa Senhora da Penha nos convida a parar, respirar fundo e recordar o essencial: a fé que une, consola, fortalece e permanece.

Josefa Matias Meneghetti carrega no coração uma fé que é herança. Desde menina, aprendeu com os pais que o caminho da vida se fortalece com oração, que a devoção é abrigo nos dias bons e sustentação nos dias difíceis. Hoje, aos pés de Nossa Senhora da Penha, ela revive essas lembranças e celebra o que mais valoriza: ter transmitido essa fé às futuras gerações.
“Minha devoção veio dos meus pais. Aprendi com eles, passei para meus filhos e, agora, passo para meus netos”, conta emocionada, com os olhos marejados e o coração cheio de gratidão.
Uma dessas sementes que floresceu foi Eliene, sua filha. Cresceu sob o olhar firme e terno da mãe, aprendendo que a fé não se impõe — se vive e se compartilha. Sua história com Nossa Senhora da Penha é marcada por um daqueles milagres que transformam toda a vida.
“Há 15 anos, fiz a Romaria dos Homens e, depois dela, recebi a graça de engravidar. O médico dizia que era impossível devido à minha condição de saúde. Eu não fui pedir essa graça… fui apenas caminhar com fé. Mas, depois de percorrer aqueles 15 km, da Catedral de Vitória até o Convento da Penha, a maternidade chegou como um presente inesperado”, relembra Eliene, com a voz embargada e o olhar voltado para o alto, como quem agradece a cada instante.

A graça recebida tem nome: Vitória. E talvez por isso mesmo, o lugar preferido dessa menina — agora adolescente — seja o Convento da Penha. Não por acaso, desde o primeiro ano de vida, ela acompanha a mãe e a avó nas peregrinações. A fé que a gerou foi a mesma que a ensinou a caminhar.
Hoje, com 15 anos, Vitória já vem ao Convento de duas a três vezes ao ano. E toda vez, sem falhar, sobe descalça a ladeira da penitência, como forma de entrega e amor. “Desde que tinha apenas um ano de idade, faço isso. Mas, este ano, pela primeira vez, subi calçada”, conta. “Dessa vez foi bem diferente. Fiquei olhando… estava tudo tão diferente.” Sua fala vem carregada daquela sensibilidade que só a fé amadurecida proporciona — ela percebe que, mesmo quando os gestos mudam, a essência da fé permanece viva e profunda.
A história de Josefa, Eliene e Vitória é mais do que um bonito testemunho: é a prova de que a fé, quando plantada com amor, floresce mesmo nas pedras da caminhada. É a certeza de que o verdadeiro milagre é ver a devoção atravessar o tempo, vencer o cansaço, passar de mãos dadas por gerações.

Nos passos dessa família, se revela o que há de mais bonito na fé: sua capacidade de unir avós, mães e filhas no mesmo gesto de amor à Mãe das Alegrias. Porque quando a fé é vivida em família, ela não se perde — ela se eterniza.
O testemunho dessas mulheres de fé ecoa fortemente o tema vivido neste primeiro dia da Festa da Penha: “Com Maria, peregrinos do Amor.” Foi esse amor — vivido como fé, missão e serviço — que guiou os milhares de fiéis ao Convento, e que move também a caminhada dessa família Meneghetti.
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