A manhã desta terça-feira (09/09) aconteceu a abertura oficial da Semana Teológica 2025. O encontro teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguido da acolhida feita pelo arcebispo metropolitano de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, RCJ, que dirigiu palavras de boas-vindas aos participantes, destacando a importância do evento como espaço de reflexão e atualização da missão da Igreja.

Logo em seguida, a primeira conferência foi conduzida pelo Prof. Dr. Moisés Sbardelotto, com o tema “A Igreja em saída nas rodovias digitais”. Em sua fala, o pesquisador trouxe um olhar histórico e crítico sobre as transformações sociais e eclesiais provocadas pelas tecnologias digitais, especialmente nas últimas três décadas.
Sbardelotto recordou que, até os anos 1990, o acesso e a produção de conteúdos dependiam de equipamentos caros e conhecimento técnico. “Gravar um áudio, um vídeo ou até escrever um texto demandava quase um grande conhecimento, sem contar o custo das tecnologias. A partir dos anos 2000, sobretudo com a chegada dos smartphones em 2007, vivemos um verdadeiro sinal dos tempos: a tecnologia se torna barata, intuitiva e acessível, facilitando não só o consumo, mas também a produção de informações”, explicou.

O conferencista apresentou um panorama das chamadas “revoluções digitais” que impactaram a sociedade e, consequentemente, a Igreja: a internet (1995), as redes sociais (2004), as tecnologias móveis (2007), as plataformas digitais, os algoritmos e, mais recentemente, a inteligência artificial. “São transformações que, em no máximo 30 anos, alteraram radicalmente nossas formas de se relacionar, de aprender, de se organizar socialmente. E a Igreja, com sua longa tradição, também precisa aprender a se situar nesse novo sistema operacional social”, destacou.
Moisés alertou ainda para os riscos e armadilhas do ambiente digital. Citando documentos recentes da Igreja, lembrou que as redes sociais, quando movidas por interesses econômicos e políticos, podem gerar polarizações agressivas e até mesmo uma “anti-evangelização”.
“Infelizmente, há também sites e perfis que tratam a fé de forma superficial, polarizada e até com ódio. Muitas vezes, a evangelização nesses ambientes se deixa levar por lógicas digitais de alcance e visibilidade, preocupadas apenas com curtidas e seguidores, e isso gera consequências sérias. A Igreja reconhece esse desafio e nos convida a investir para que o ambiente digital seja um lugar profético de missão e anúncio, e não de vulgarização da fé”, afirmou.
Para concluir, Sbardelotto destacou a urgência do que chamou de “discernimento digital”. Segundo ele, é necessário refletir criticamente sobre o uso das plataformas, reconhecer seus potenciais, mas também não se deixar arrastar pelas lógicas do mercado digital. “Esse ambiente precisa ser lugar de profecia, de anúncio, e não apenas de liquidação da fé em busca de visibilidade”, concluiu.
Lembrando que Moisés Sbardelotto, conduzirá uma nova conferência hoje às 19 horas no Cecates. E você pode participar fazendo sua inscrição clicando aqui.






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