Fazenda Esperança celebra 13 anos em Muribeca

19 outubro, 2025

A chuva atrapalhou, mas não diminuiu a alegria da celebração pelos 13 anos de existência da Fazenda Esperança, em Muribeca na Serra, ES. A estrada enlameada, a chuva miúda, mas que não deu trégua dificultaram o acesso de voluntários e simpatizantes do projeto, mas os moradores da Fazenda, familiares, membros da comunidade local e alguns convidados confraternizaram e celebraram. Debaixo de uma tenda montada para o evento, os encontros aconteceram, a partilha teve vez e as história se repetiram aproximando as vidas  que se reuniram com o mesmo objetivo: agradecer pelo bem que a Comunidade Terapêutica faz acontecer na vida de quem quer se livrar de algum vício. A comunidade tem hoje, 45 homens em recuperação.

Por volta de 16h iniciou-se a missa, ponto alto das comemorações e aguardado para encerrar as festividades. Presidiu a missa, pe. Rafael Nascimento, administrador paroquial de Nossa Senhora da Conceição, Serra. Pe. Rafael levou as saudações do arcebispo dom Ângelo Mezzari, impedido de participar por conta de agenda e deslocamento, e junto com a saudação a promessa de uma visita em breve.

Conversamos com Luciano, responsável/cooordenador pela unidade há seis meses. Luciano fez tratamento em Minas Gerais em 2019 e voltou para a Instituição como voluntário. Vive na Fazenda Esperança em Muribeca desde 2022.

O que você celebra e o que quer celebrar hoje?

Luciano: Celebrar a vida.  A vida é o mais importante de tudo. Até porque a Fazenda da Esperança, trabalha isso, devolver a vida, a dignidade para aqueles que estão perdidos. São tantas coisas que, na verdade, o mundo oferece e a gente acaba se iludindo. Então hoje é a celebração da vida, tanto para os meninos que aqui estão aqui conosco e também para os familiares que acabam perdendo também o brilho de viver porque são codependentes. Então hoje é a celebração da vida. Um grande encontro para celebrar a vida.

Os familiares estão presentes?

Luciano: Sim, todos os familiares dos internos estão hoje presentes, assim como várias comunidades, voluntários, grupos GEV, Grupo Esperança Viva, um grupo de evangelização, que atua como extensão da Fazenda da Esperança na sociedade), ex-acolhidos que concluíram o ano e estão na sobriedade hoje lá fora.

Esta unidade acolhe apenas pessoas do Espírito Santo?

Luciano: Não, a Fazenda da Esperança é uma obra internacional. Nós temos em todos os estados brasileiros duas ou mais Fazendas da Esperança. Aqui no Espírito Santo são três Fazendas. Essa aqui de Serra, temos também Colatina, uma feminina lá em Alegre, e está prestes a inaugurar uma Fazenda em Brejetuba. Ou seja, aqui no Espírito Santo temos a graça de ter quatro Fazendas, três fazendas em funcionamento e uma que vai ser inaugurada.

Mas, os que vêm para aqui são todos do Espirito Santo?

Luciano: Não, nós acolhemos pessoas de todos os estados. Até porque a demanda é muito grande e há famílias que entendem que de repente a proximidade  se torna até um obstáculo.Então eles preferem mandar os seus acolhidos  para um lugar distante para que o tratamento seja mais eficaz. Nós também entendemos que há pessoas que quando chegam numa comunidade que é perto de casa, elas têm uma dificuldade maior, por saber que está perto de casa, ela pensa que a qualquer instante, a qualquer abstinência, qualquer situação de dificuldade que ela passa, ela acaba desistindo do seu tratamento e ela vai embora. Então, é realmente necessário que se faça esse tratamento  o quanto mais longe possível.

O que a fazenda oferece de atividades para os acolhidos?

Luciano:  Nós trabalhamos com tripé, que nós chamamos de base do nosso tratamento. A espiritualidade, o trabalho e a convivência. Na questão de trabalho, nós cuidamos da nossa casa.  É uma fazenda onde nós temos várias atividades. Temos os animais que precisam ser cuidados. Temos também toda a questão de paisagismo. Os meninos também trabalham na cozinha. Temos a padaria. E agora nós estamos tendo a graça de ter um curso profissionalizante, que o Senai está nos oferecendo, o curso de eletricista predial. Então os meninos, de uma forma ou outra se ocupam. E isso é essencial para que lá fora eles possam dar continuidade na caminhada deles. 

 

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