Festa de Todos os Santos

28 outubro, 2025

No próximo sábado, 01 de novembro de 2025, a Igreja Católica celebra Todos os Santos. Nesta data, especificamente, veneramos aqueles que viveram como verdadeiros filhos de Deus e deixaram um exemplo a ser seguido. Celebramos todos os santos, os canonizados e os não canonizados e pedimos a intercessão para que nossas vidas também sejam dignas do amor de Deus.

A data foi estabelecida no Século IV, mas a veneração começou no Século II. Sobre o significado desta data, o site do Vaticano explica: “Os Santos e as Santas – autênticos amigos de Deus – aos quais a Igreja nos convida, hoje, a dirigir nossos olhares, são homens e mulheres, que se deixaram atrair pela proposta divina, aceitando percorrer o caminho das Bem-aventuranças; não porque sejam melhores ou mais intrépidos que nós, mas, simplesmente, porque “sabiam” que todos nós somos filhos de Deus e assim viveram; sentiram-se “pecadores perdoados”… Eis os verdadeiros de Santos! Eles aprenderam a conhecer-se, a canalizar suas forças para Deus, para si e para os outros, sabendo confiar sempre, nas suas fragilidades, na Misericórdia divina.
Hoje, os Santos nos animam a apontar para o alto, a olhar para longe, para a meta e o prêmio que nos aguardam; exortam-nos a não nos resignar diante das dificuldades da vida diária, pois a vida não só tem fim, mas, sobretudo, tem uma finalidade: a comunhão eterna com Deus.
Com esta Solenidade, a Igreja nos propõe os Santos, amigos de Deus e exemplos de uma vida feliz, que nos acompanham e intercedem por nós; eles nos estimulam a viver com maior intensidade esta última etapa do Ano litúrgico, sinal e símbolo do caminho da nossa vida”.

São Carlo Acutis e São Pier Giorgia Frassati

Nos últimos dois meses, setembro e outubro de 2025, o Papa Leão XIV canonizou 9 novos santos. Às vésperas da celebração de Todos os Santos, vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles.

Carlo Acutis, um adolescente italiano conhecido por criar um site sobre milagres eucarísticos, amar a Eucaristia, participar diariamente da missa e praticar a caridade. Pier Giorgio Frassati, um jovem também italiano, que dedicou sua vida a ajudar os pobres. Ambos se tornaram modelos para a juventude e foram canonizados em 07 de setembro deste ano de 2025, na mesma cerimônia.

Agora no mês de outubro o Papa canonizou outros 07 santos: Inácio Maloyan, Pedro To Rot, José Gregório Hernández, Bartolo Longo, Vicenza Maria Poloni, Maria Carmen Rendilles Martínez e a irmã Salesiana Maria Troncatti.

Durante a cerimônia de canonização, o Papa disse: “Hoje temos precisamente diante de nós sete testemunhas que mantiveram acesa com a graça de Deus a lâmpada da fé, ou melhor, tornaram-se eles mesmo lâmpadas capazes de difundir a luz de Cristo. Todos vós, todos nós, somos chamados a ser santos”’.

São Inácio Maloyan, São Pedro To Rot, São José Gregório Hernández, São Bartolo Longo, Santa Vicenza Maria Poloni, Santa Maria Carmen Rendilles Martínez, Santa irmã Salesiana Maria Troncatti. Leia o que disseram os postuladores e saiba um pouco mais sobre cada novo santo.

Bartolo Longo, o compromisso com os pobres com o Terço nas mãos

Uma luz para todos aqueles que não acreditam poderá ser acesa pelo beato Bartolo Longo (1841-1926), que “foi educado na fé”, explica o postulador padre Antonio Marrazzo C.SS.R., “depois foi para Nápoles para completar os estudos de Direito e dedicou-se a outras coisas, entre outras, às seitas satânicas. Mas um de seus professores lhe disse um dia: ‘Você não é isso. Essa não é a verdade sobre você. O que você procura, seu tormento interior, não deve ser buscado no que você está vivendo agora’”. Ao finalmente empreender seu caminho de fé, o beato Longo compreende que “o melhor caminho para chegar a Deus é o Terço a Nossa Senhora”.

O fato de ser um leigo e não um padre o tornará próximo a muitos fiéis. “Acompanhado pela presença de Nossa Senhora e pela devoção ao Rosário, que é uma oração cristológica – continua o padre redentorista –, ele não apenas deu vida ao Santuário de Pompéia, mas construiu a própria cidade de Pompéia, pois, para construir a igreja, transformou os camponeses da região em pedreiros, aos quais deu alojamento. Assim nasceram os hospitais, as farmácias e as escolas. Ele cuidou dos filhos dos presos e dos abandonados”. O Santuário de Pompéia foi, portanto, a semente da qual floresceram muitas realidades sociais destinadas aos mais pobres. “O que podemos entender do beato Bartolo é que não se pode ter um relacionamento com Deus sem estar em harmonia com as outras pessoas”, conclui o padre Marrazzo.

O amor pelo Santíssimo Sacramento do beato Maloyan

“Se os jovens se afeiçoaram a São Carlo Acutis, que repetia frequentemente que o Santíssimo Sacramento era a autoestrada para o Céu, então também amarão o beato Maloyan, que antes de ser martirizado abençoou um pedaço de pão e o partilhou com os seus 600 companheiros de martírio: a Eucaristia era sem dúvida o alimento da sua fé”, reflete o padre Carlo Calloni O.F.M., postulador da causa de canonização do arcebispo de Mardin dos Armênios, beatificado como “mártir da fé” pelo Papa João Paulo II em 7 de outubro de 2001.

Maloyan (1869-1915), bispo da Igreja armênia, “cuidou do rebanho que lhe foi confiado por 46 anos e a Igreja o proclama santo pelo gesto de ter dado a vida por seu rebanho”, continua o frade capuchinho. Durante o “Medz Yeghern – Grande mal” de 1915, dom Maloyan recusou-se a abjurar a fé cristã e a converter-se ao islamismo. Este é, portanto, o carisma deste futuro novo santo: “Ele teve a capacidade de devolver a Deus a vida que havia recebido d’Ele. Além disso, sempre aderiu a tudo o que a Graça de Deus lhe ofereceu, inclusive o martírio”, conclui o postulador de sua causa de canonização.

Beato Hernández Cisneros, medicina, fé e caridade

A combinação de fidelidade ao Evangelho na vida cotidiana e caridade para com os pobres também se encontra no beato José Gregorio Hernández Cisneros (1864-1919), beatificado em 30 de abril de 2021 em Caracas pelo Papa Francisco. “Ele era um médico do mais alto nível científico, professor universitário, mas quando atendia em seu consultório particular recebia e curava a todos: quem podia pagar e quem não podia”, explica a postuladora Silvia Monica Correale. “Aos mais ricos, ele pedia que deixassem uma esmola para os pacientes mais pobres”. O Papa Francisco frequentemente o citava como exemplo de “santo da porta ao lado”. Por seu compromisso com os mais necessitados, ganhou o apelido de “médico dos pobres”. Ele morreu em Caracas em 29 de junho de 1919, atropelado por um carro quando ia levar remédios a um doente. “O Papa Francisco compreendeu que o beato Gregório poderia representar um ponto de referência para a devoção popular do povo venezuelano”, conclui a postuladora.

A beata Maria Carmen traz dupla alegria a Caracas

“O domingo será uma grande alegria para a Arquidiocese Metropolitana de Caracas, pois é a primeira vez que dois beatos da mesma arquidiocese são canonizados”, afirma Silvia Monica Correale, postuladora do beato Hernández Cisneros e da beata Maria Carmen (1903-1977), fundadora do Instituto dos Servos de Jesus, dedicado à educação, à catequese e ao serviço em paróquias e hospitais. Ela foi beatificada em 16 de junho de 2018 pelo Papa Francisco. “Esta beata, originária de Caracas, tocou meu coração porque é uma figura muito contemporânea: faleceu em 1977, e eu poderia tê-la conhecido”, continua Correale. “Ela era uma mulher normal”, acrescenta, “como o Papa Francisco disse às religiosas. Ela foi capaz de viver sua vida consagrada com grande simplicidade, mas também com grande profundidade. Era muito humilde e maternal em seus relacionamentos com os outros. A santidade dela é uma santidade da vida cotidiana, uma santidade acessível que pode ser proposta como modelo para todas as mulheres, não apenas para as consagradas”, conclui Correale.

A defesa do matrimônio pelo beato Pedro To Rot

“O beato Pedro To Rot, leigo, foi morto por sua defesa do matrimônio em 1945”, explica o postulador, padre Fernando Clemente Santos M.S.C.. Durante a Segunda Guerra Mundial, a ocupação japonesa de Papua-Nova Guiné proibiu as atividades religiosas católicas, impondo a poligamia para ganhar a confiança dos moradores locais. O beato To Rot (1912-1945), beatificado pelo Papa João Paulo II em 17 de janeiro de 1995, continuou secretamente a organizar orações e a defender os valores cristãos. “Ele defendeu o valor da indissolubilidade do matrimônio e cuidou da população na ausência de padres. Temos muitos santos que defenderam o matrimônio, como João Batista. O beato To Rot, no entanto, era leigo e, além disso, contemporâneo. Numa época em que, como se diz, prevalece o ‘amor líquido’, uma época em que o matrimônio vive momentos difíceis, vale a pena considerar sua figura”, afirma o postulador. Ele será o primeiro santo de Papua Nova Guiné.

Ainda sobre Pedro To Rot, cuja figura luminosa nos ajuda a redescobrir o papel do leigo na vida da Igreja e o dom da santidade, eis o que nos disse o postulador:

A beata Troncatti será uma santa mãe e missionária

“A beata Maria Troncatti será uma santa da missionariedade, e é significativo que ela seja canonizada no Dia Mundial das Missões. Ela viveu sua obra missionária como mãe, cuidando das crianças abandonadas por mulheres vítimas de violência”, explica o postulador, padre Pierluigi Cameroni, SDB. A beata Troncatti (1883-1969), beatificada em 24 de novembro de 2012, em Macas, Equador, pelo Papa Bento XVI, foi médica, enfermeira, catequista e mãe espiritual. As pessoas a chamavam de “mãe de todos”. Após a Primeira Guerra Mundial, ela partiu para o Equador como missionária, onde trabalhou por mais de quarenta anos entre os povos indígenas Shuar, na Amazônia.

“Ela foi uma artesã da paz e da reconciliação. Entre os povos indígenas e os colonos brancos, a vingança e a conquista de territórios alheios eram comuns. Seu trabalho missionário, no entanto, foi inteiramente voltado para a reconciliação”, continua o postulador. “Hoje, ela poderia legitimamente receber o Prêmio Nobel da Paz. Como missionária, sua mensagem é investir nas novas gerações, na pastoral juvenil e na formação de jovens casais e famílias”, conclui o Padre Cameroni.

Contemplação e caridade na beata Poloni

A Verona dos pobres da primeira metade do século XIX foi o cenário onde viveu e trabalhou a beata Vincenza Maria Poloni (1802-1855), fundadora do Instituto das Irmãs da Misericórdia. Verona é também a cidade onde o Papa Bento XVI a beatificou em 21 de setembro de 2008. “Por um lado, a misericórdia para com os pobres; por outro, a contemplação diante da Eucaristia.” Este é o carisma específico da beata Poloni, segundo o postulador Paolo Vilotta. “Ao ajudar os outros”, continua ele, “ela agia concretamente, passando os seus dias com os pobres e os doentes, mas a sua obra não era mera filantropia. Ela via Cristo nos pobres. A relevância da sua figura”, conclui o postulador, “reside na necessidade de retornar ao silêncio e à oração após a sua obra de caridade.” Um carisma que permaneceu nas Irmãs da Misericórdia, hoje ativas na Itália, Alemanha, África e América do Sul.

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