A CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, apresentou ontem, 17 de junho de 2026, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, com o número de Documento 114. As Diretrizes foram aprovadas na última Assembleia dos Bispos, que aconteceu em abril deste ano 2026 em Aparecida e serão inspiração para a Igreja até 2032. A apresentação/lançamento aconteceu na sede da CNBB com as presenças de: cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS); o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom Leomar Antônio Brustolin, responsável pela coordenação da redação das novas Diretrizes; o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers; e o diretor-geral das Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza.
Sobre as Diretrizes
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil constituem um importante instrumento de comunhão, planejamento e animação pastoral, contribuindo para que a missão evangelizadora da Igreja responda aos desafios do tempo presente à luz do Evangelho e da caminhada sinodal. Com validade até 2032, o documento orientará a ação pastoral da Igreja no Brasil a partir de compromissos missionários, formativos e sinodais assumidos pelo episcopado brasileiro.
As novas Diretrizes são fruto de um amplo processo de escuta, participação e discernimento iniciado em 2022. Ao longo de quatro anos, bispos, dioceses, organismos eclesiais e agentes de pastoral contribuíram para a construção do texto, em sintonia com o caminho da sinodalidade vivido pela Igreja. O processo incluiu consultas às Igrejas particulares, estudos pastorais, debates em âmbito regional e nacional e a análise de mais de 1.500 emendas apresentadas pelos bispos durante a Assembleia Geral da CNBB. O texto aprovado propõe a imagem da “tenda do encontro” como inspiração para a missão evangelizadora, expressando uma Igreja acolhedora, missionária e aberta à participação de todos.
Fruto de uma caminhada sinodal
Presidente da Comissão Especial para a elaboração das Diretrizes e arcebispo de Santa Maria (RS), dom Leomar Antônio Brustolin explicou que o documento amadureceu ao longo de um processo marcado pela metodologia sinodal, em sintonia com os trabalhos do Sínodo sobre a Sinodalidade.
“Estas Diretrizes são fruto de um longo processo de escuta, diálogo, discernimento e conversação no Espírito. Envolveram bispos, assessores, organismos, igrejas particulares e inúmeras expressões do povo de Deus”, afirmou.
Segundo dom Leomar, o texto passou por mais de vinte versões ao longo de sua elaboração e recebeu centenas de contribuições durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril deste ano, em Aparecida (SP).
Para o arcebispo, as duas palavras-chave que sintetizam o espírito do documento são “conversão” e “missão”.
“Não basta apenas organizar melhor a pastoral. Somos chamados a viver relações mais fraternas, processos mais participativos e uma autêntica conversão missionária”, destacou.
Cinco caminhos para a ação evangelizadora
Dom Leomar apresentou os cinco grandes caminhos que estruturam as novas Diretrizes.
O primeiro é a Animação Bíblica da Vida e da Pastoral, reafirmando a centralidade da Palavra de Deus em toda a ação evangelizadora.
O segundo é a Iniciação à Vida Cristã, entendida como caminho de encontro pessoal com Jesus Cristo e formação de discípulos missionários.
O terceiro é a Comunidade de Discípulos Missionários, que busca fortalecer a corresponsabilidade na missão e a vida comunitária.
O quarto caminho é a Liturgia e a Piedade Popular, reconhecidas como fonte e expressão da vida cristã.
Por fim, o quinto caminho, denominado Serviço à Vida Plena, reúne três compromissos fundamentais: a opção evangélica e preferencial pelos pobres, o cuidado da Casa Comum à luz da ecologia integral e a promoção da dignidade humana desde a concepção até o seu fim natural.
“As novas Diretrizes nos convocam a ser uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e próxima das pessoas, capaz de renovar suas estruturas e colocar suas prioridades a serviço do Reino de Deus”, afirmou.
Fundamentos bíblicos das Diretrizes
O arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, apresentou os principais fundamentos bíblicos que inspiram o documento.
Segundo ele, uma das imagens centrais das Diretrizes é a da “tenda”, inspirada no texto de Isaías 54,2, que remete ao acolhimento, à hospitalidade e à abertura missionária da Igreja.
“A Igreja é tenda do encontro, aberta a todos. É lugar de acolhida, proteção e esperança para aqueles que buscam abrigo em meio às tempestades da vida”, explicou.
Dom Paulo também ressaltou a inspiração proveniente dos Atos dos Apóstolos, especialmente na construção de comunidades missionárias alimentadas pela Palavra, pela oração, pela Eucaristia e pela caridade.
Para ele, as Diretrizes apresentam uma visão de Igreja profundamente enraizada na Sagrada Escritura, orientada para a comunhão, a participação e a missão.
“Evangelizar e servir exige uma permanente escuta dos sinais dos tempos. Somente assim poderemos anunciar uma esperança capaz de responder aos desafios da humanidade contemporânea”, afirmou.
Documento já está disponível
Durante a cerimônia, o diretor-geral das Edições CNBB, monsenhor Jamil, destacou a importância da publicação para a vida pastoral da Igreja no Brasil e agradeceu às equipes envolvidas na produção editorial da obra.
Segundo ele, o Documento 114 não é apenas uma publicação institucional, mas um instrumento fundamental para orientar dioceses, paróquias, comunidades, pastorais e organismos eclesiais em sua missão evangelizadora.
“Trata-se de um texto que ilumina, fortalece e orienta a caminhada da Igreja no Brasil diante dos desafios do nosso tempo”, afirmou.
Monsenhor Jamil também informou que a publicação já está disponível no site das Edições CNBB, que ofereceram condições especiais de lançamento para facilitar o acesso ao documento.
Aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 propõem uma Igreja em permanente estado de missão, fortalecida pela Palavra de Deus, pela vida comunitária, pela liturgia e pelo compromisso com os pobres, a justiça social e o cuidado com a Casa Comum.
Adquira (aqui) o documento.
Fonte: com informações e textos do site cnbb.org.br

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