A Arquidiocese de Vitória realiza neste sábado (20), no Centro de Treinamento Dom João Batista, em Ponta Formosa, o Encontro de Arquitetura e Arte Sacra, reunindo arquitetos, artistas, agentes de pastoral, membros das equipes de liturgia e pessoas envolvidas na construção, reforma e organização dos espaços celebrativos das comunidades.

A assessoria do encontro está a cargo de Raquel Tonini Rosenberg Schneider, arquiteta, especialista em Arquitetura e Arte Sacra e integrante da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, que tem dedicado sua atuação à reflexão sobre os espaços celebrativos e sua relação com a participação da assembleia e a vivência do mistério cristão. Em sua reflexão, ela destacou que o espaço litúrgico deve favorecer a participação ativa da assembleia e manifestar o mistério celebrado.
“A liturgia não compreende a edificação material apenas como um abrigo funcional para atividades religiosas. O espaço sagrado possui uma dignidade que expressa e revela o próprio mistério da Igreja reunida”, afirmou.
Raquel ressaltou ainda que a arquitetura e a arte sacra não podem ser compreendidas a partir de gostos pessoais ou estilos artísticos, mas como um serviço à assembleia celebrante. Segundo ela, cada elemento do espaço deve ajudar os fiéis a mergulhar mais profundamente na experiência do encontro com Deus.
Durante sua exposição, a assessora recordou palavras do Papa Francisco dirigidas à junta construtora da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, sobre a missão dos espaços sagrados de “despertar do torpor os corações adormecidos”. Para ela, o impacto de uma igreja não está na riqueza dos materiais ou na grandiosidade dos ornamentos, mas naquilo que o espaço é capaz de manifestar e comunicar sobre o mistério de Cristo.

Para o arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, iniciativas como esta contribuem para fortalecer a compreensão da liturgia e do papel evangelizador dos espaços celebrativos.
“A igreja não é apenas um local onde nos reunimos para celebrar. Ela é sinal visível da presença de Deus no meio do seu povo e expressão da comunidade reunida em Cristo. Refletir sobre arquitetura e arte sacra é refletir sobre a forma como acolhemos, evangelizamos e conduzimos os fiéis ao encontro com o mistério de Deus”, destacou o arcebispo.
Outro ponto abordado foi a relação entre o rito de dedicação de uma igreja e os sacramentos da iniciação à vida cristã. A palestrante explicou que o processo de dedicação de um templo, com a aspersão da água, a unção com o óleo do Crisma e a celebração da Eucaristia, expressa simbolicamente o mesmo caminho vivido pelo cristão no Batismo, Confirmação e Eucaristia.

Dom Andherson Franklin Lustoza de Souza, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória, destacou a importância dos espaços celebrativos na formação da consciência vocacional e no processo de iniciação à vida cristã. Segundo o bispo, o espaço litúrgico tem uma função pedagógica e evangelizadora, ajudando os fiéis a compreenderem o mistério que celebram.
“O espaço litúrgico evangeliza, forma e acolhe. Ele deve ajudar as pessoas a entrarem gradativamente no mistério da fé, permitindo que compreendam aquilo que celebram e fortaleçam seu vínculo com a comunidade”, afirmou.
Dom Andherson recordou ainda sua própria experiência de fé, quando os símbolos da Semana Santa despertaram seu interesse pela vida cristã. Para ele, a arte, a arquitetura, a catequese e a liturgia precisam caminhar juntas para favorecer uma iniciação mais profunda dos discípulos missionários. Mesmo as comunidades mais simples podem, dentro de suas possibilidades, organizar seus espaços celebrativos de modo que revelem com maior clareza o mistério cristão e favoreçam a participação da assembleia.











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