A devoção que virou história

24 maio, 2020

Carlos José Fernandes cresceu envolvido pela fé católica de sua avó e tia que o criaram e educaram e sempre morou e mais tarde trabalhou nas proximidades do Convento da Penha. A fé herdada pela criação foi amadurecida e assumida fazendo dele um devoto de Nossa Senhora da Penha e um curioso sobre a história do Convento. Hoje é diácono permanente da Igreja na Arquidiocese de Vitória e atua na paróquia Santa Mãe de Deus em Vila Velha. Ele conta que ficava olhando o Convento e imaginando como teria acontecido a chegada de frei Pedro Palácios, como teria sido sua missão e relacionamento com os moradores, como seriam os diálogos e as missões, os encontros e como surgiu a devoção a Nossa Senhora.

Um dia ele uniu seus pensamentos e imaginação a alguns dados históricos e, construiu uma narrativa de ficção onde imaginou os diálogos entre os personagens da época, sobre os quais não existem registros e deles nasceu o texto, “O Eremita Missionário”, que foi publicado na Revista Vitória na edição de abril de 2020.

Como surgiu sua devoção Nossa Senhora da Penha?

Eu venho de uma família muito devota. Nasci em Vitória e com um ano de idade fui para Vila Velha morar com minha avó e tia. Minha devoção a Nossa Senhora sempre foi mística, de milagres, de lendas, de superstições, de histórias e minha visão de tudo isso era no Convento, sempre tendo a Virgem da Penha como referência.

A vida estudantil também me direcionou ainda mais para a devoção mariana, pois fui juvenista no Marista, onde mais tarde, atuei como professor de Educação Religiosa. Depois me especializei em Mariologia e atualmente dou aulas sobre essa parte da teologia. Bom, todas essas coisas me levaram a essa grande devoção.

Quando surgiu a vontade de escrever a história desse jeito que você contou?

Justamente quando eu trabalhava na Casa da Memória de Vila Velha, em 2008. Da minha janela eu olhava para a Prainha e para o Convento e pensava que essa parte da história era pouco explorada. Tínhamos um pouco da história religiosa, mas nada relativo à ficção. Muitos me incentivaram a escrever e veio-me a ideia de “O Eremita Missionário”, porque frei Pedro alternava o ‘ficar retirado’ na gruta e sair para catequizar e ajudar as pessoas, sendo o primeiro missionário naquelas imediações.

O objetivo dessa ficção, desse romance, é justamente suscitar uma nova pesquisa, mais aprofundada. Acredito que é assim que nascem novas pesquisas.

O senhor tem bastante material que era divulgado sobre o Convento da Penha e a Festa da Penha. Tem até cópia de um documento que reconhece a Festa da Penha como feriado municipal de Vila Velha, em 1949.

Esse material o ajudou a escrever a história?

Sim. Sempre me interessei pela documentação desde que iniciei a graduação em História e, isso me ajudou na escrita da ficção. Eu guardava esses recortes e cópias de documentos e ficava imaginando como aconteceram os fatos na época.

O que está escrito em “O Eremita Missionário” é a minha versão, é como eu imaginei que pudesse ter acontecido os fatos, os encontros e os diálogos. Aí a história foi adquirindo forma e se tornou prazerosa. Toda a pessoa que lê essa história me diz que quando retorna ao Convento, fica procurando os lugares que eu cito na história. Esse é o objetivo, amar o que temos; a história e a terra que nos abrigou e fazer algo por ela.

Os desenhos (ilustrações) são bastante fiéis à narrativa. Quem é o autor?

Esses desenhos eu costumo dizer que foi algo de Deus. Eu conheci um andarilho, o Joãozinho, que ficava muito nas imediações da Prainha. Ele tinha algum transtorno, dava para perceber, mas esse começou a frequentar a Casa da Memória. Lá dávamos café para ele, roupas e ele se tornou nosso conhecido.

Ele queria fazer algo para agradecer. Descobri que todo o mundo que entrava no local, Joãozinho desenhava. Um dia propus que ele imaginasse frei Pedro chegando. Eu ia falando os detalhes e ele, minuciosamente, desenhava a cena que eu descrevia.

Assim foram feitos os desenhos: eu descrevia e minutos depois ele me entregava, exatamente como eu havia dito. Era impressionante. Uma perfeição.

Infelizmente ele sumiu, não voltou naquelas imediações, perdemos completamente o contato com ele.

É coisa de Deus!

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