A dimensão humana na formação presbiteral

3 setembro, 2021

Pe. Daniel Calil em sua Ordenação Diaconal em 12/12/2020.

“O chamado divino interpela e envolve o ser humano ‘concreto’”[1]; de modo mais prático, os seres humanos são homens, não anjos. Logo, essa dimensão trata do homem precisamente como ser humano – de carne e osso. Nesse sentido, diz respeito, sobretudo, aos aspectos físicos tais como saúde, alimentação, atividade motora e descanso, mas também aos aspectos psicológicos, tais como personalidade estável, equilíbrio afetivo, domínio de si e sexualidade bem integrada. No âmbito moral, diz respeito à formação de uma boa consciência, que se torne responsável, capaz de tomar decisões justas, dotado de reto juízo e de uma percepção objetiva das pessoas e dos acontecimentos.

A formação Humana é o “fundamento  de toda a formação presbiteral”[2], pois somente a partir dela é possível desenvolver as demais dimensões. Santo Tomás de Aquino nos ensina que “a graça supõe a natureza”, isto é, deve-se primeiro ser Pessoa (natureza humana) para ser transformado pela ação divina (Graça). Em linhas mais gerais, podemos pensar que a formação humano-afetiva auxiliará o formando em sua relação consigo mesmo. Quando reconheço quem sou, posso abrir-me à transformação, portanto, à formação.

Essa formação possui dois pontos principais, o conhecimento da própria história de vida, aliado à educação afetivo-sexual. Em primeira análise, o seminarista deve aprofundar o conhecimento do modo como viveu a infância e a adolescência, as influências familiares, as figuras parentais e o contexto sociocultural. Assim, é possível reconhecer-se a si mesmo na própria história e na própria condição, tornando-se melhor disposto às relações interpessoais e mais capaz de usar a solidão de modo positivo – fator fundamental no caminho vocacional.

Em segunda análise, mostra-se a necessidade da educação afetivo-sexual, na qual o indivíduo assume sua opção pelo celibato, a qual deve ser assumida livremente desde o início do processo. Tal decisão jamais pode ser movida por uma “repressão” ou “anulação” da própria sexualidade, isso seria mentir a si mesmo e dilacerar-se internamente. No entanto, o celibato deve ser a disposição da total doação de si por amor do Reino de Deus.

A equipe formativa do Seminário acompanha diligentemente os seminaristas a fim de averiguar e contribuir na progressiva maturação dos indivíduos. Além disso, podem valer-se da colaboração de pedagogos, psicólogos e outros especialistas de comprovada idoneidade, competência e orientação cristã.

Enfim, convém ressaltar “a maturação do presbítero é exigência de seu próprio ministério e decorrência da Caridade Pastoral”[3]. Todo esse esforço ocorre em vistas a formação de um santo e íntegro padre, capaz de guiar o povo de Deus ao céu.

[1] RFIS, n.89

[2] Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja do Brasil – Documentos da CNBB 110 n.185.

[3] Ibid. n.187

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