A ESCUTA SINODAL

10 fevereiro, 2022

O Sínodo dos Bispos que acontecerá em outubro de 2023 em Roma já se iniciou na chamada fase diocesana que vai de outubro do ano passado até agosto de 2022. É desejo e decisão do Papa Francisco que esse caminho implique o envolvimento de todo o povo de Deus. Nesse momento é o tempo das Igrejas particulares manifestarem suas percepções a respeito do tema “Comunhão, Participação e Missão” e nesse sentido cada bispo deverá dirigir-se a todos os seus presbíteros, diáconos e fieis leigos, envolvendo todas as forças vivas presentes em cada diocese, para ouvir o que eles têm a dizer sobre esses temas na Igreja particular.

Esse é o momento da escuta sinodal. Como se caracteriza essa escuta?

Tomando como referência o documento preparatório, trata-se da escuta principalmente dos clamores dos pobres e da terra em vista do reconhecimento das sementes de esperança e de futuro para a Igreja. A orientação do Magistério da Igreja é para que os bispos não tenham medo de se colocarem à escuta da Grei que lhes foi confiada. Somente assim a grande assembleia do sínodo em Roma estará enraizada na história de todo o povo de Deus espalhado pelo mundo afora. O Sínodo dos Bispos não é uma assembleia de notáveis, mas reunião dos pastores da Igreja espalhada pelo mundo todo.

Cada Igreja particular está dessa forma no primeiro passo do Sínodo. A escuta requer que a mente e o coração de cada pessoa, de cada presbítero, de cada diácono, estejam abertos, sem preconceitos. Tantas vezes dizemos que estamos escutando, mas na verdade ouvimos apenas a nós mesmos, conforme os nossos interesses e desejos. De imediato o Papa nos alerta que estamos em dívida com alguns segmentos muito importantes na Igreja. Estamos em dívida com as mulheres e com os jovens. Preconceitos e estereótipos impedem a nossa escuta em relação a esses dois segmentos. Muitas vezes o próprio clericalismo acaba se tornando uma barreira para a comunhão sinodal, para a caminhada sinodal.

Colocar-se à escuta requer tempo, capacidade e humildade. Quem se acha dono da Igreja jamais terá capacidade de escutar. Na história da Igreja temos um exemplo muito forte de uma reunião sinodal convocada pelos Apóstolos em Jerusalém sob a direção de Pedro, para ouvir o grupo conduzido por Paulo e o grupo liderado por Tiago. Em questão estava o problema da circuncisão imposta aos não judeus. A postura fundamental de Pedro foi ouvir os dois grupos e depois discernir o caminho a ser tomado. Nasceu assim de maneira concreta o caminho eclesial conhecido como caminho sinodal, ou simplesmente sinodalidade.

Esse modo de proceder não é o mesmo que se desenvolve nas organizações políticas como Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, etc. O caminho sinodal tem na escuta da Palavra o ponto de partida. O elemento fundamental é a escuta comunitária da Palavra seguida da Celebração da Eucaristia. Somente assim teremos a possibilidade de uma escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo. A escuta do outro está implicada na escuta do Espírito.

Então o caminho eclesial se abre a partir da escuta em direção ao diálogo. Não poderá haver diálogo sem antes haver um tempo de escuta do outro e do Espírito. Isso eleva a convivência, a comunhão, para o discernimento comunitário. O governo da Igreja jamais poderá trilhar os mesmos caminhos do governo de uma nação ou Estado. Qualquer decisão eclesial deverá ser tomada no caminho da sinodalidade, do caminhar juntos.

Nesse momento particular da Igreja estamos com um tempo propício para ouvir todo o povo de Deus, os mais afastados, principalmente os pobres. Muitas vezes parece que nos afastamos das periferias geográficas e existenciais como nos alerta o Papa Francisco.

Estamos sendo alertados para algumas armadilhas no processo de escuta. Às vezes, em vez de nos deixarmos guiar pelo Espírito queremos ser os guias de nós mesmos, concentrando nossa atenção em nós mesmos, nossas necessidades, nossos problemas e preocupação. Também pode ocorrer que mostramos apenas os elementos percebidos da estrutura da Igreja, quase sempre nos colocando fora dela. Ou também a armadilha ou tentação de permanecermos em nossas divisões internas, nossos conflitos eclesiológicos, etc.

Por fim, partindo da experiência que tivemos na realização do I Sínodo da Arquidiocese de Vitória, naquela época vimos como muitas comunidades pautaram suas escutas apenas aos membros que estão envolvidos nas atividades da paróquia ou comunidade. Uma escuta que se restringe apenas ao conselho não tem sentido sinodal. Não é para isso que estamos sendo convidados a participar do Sínodo dos Bispos. Também não pode ser um assunto de última hora como desencargo da comunidade para ficar bem na fita junto ao Bispo.

A escuta requer tempo, paciência, organização, disponibilidade e humildade. Seguir as orientações emanadas da Coordenação de Pastoral e de cada Área Pastoral é o melhor caminho. Não é preciso que cada um invente a roda novamente. Todo o material proveniente da escuta deverá ser organizado, sintetizado e enviado para a instância superior. Se cada grupo, se cada pessoa, se cada força viva der a sua colaboração no processo de escuta do Povo de Deus podemos ter a certeza que o Sínodo dos Bispos será um grande evento eclesial, marcando concretamente a presença de Deus na história.

Edebrande Cavalieri

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