A GUERRA COMO FALÊNCIA DA PAZ

15 abril, 2026

Acompanhando as manifestações políticas em torno das palavras do Papa Leão XIV condenando a guerra e o faz desde sua primeira manifestação na Praça São Pedro quando falava de uma paz desarmada e desarmante, o mundo católico e cristão precisa estar atento ao fenômeno da polarização política que alguns governantes querem incluir nele também a Igreja, nesse jogo de conflito. É por meio da polarização que governantes estão chegando ao poder e ali se mantendo a qualquer preço, inclusive com o risco de uma catástrofe mundial. A polarização tornou-se mecanismo eleitoral.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota de apoio ao Santo Padre, o Papa, afirmando que a Igreja “não se orienta pela lógica do confronto político”, ou seja, pela lógica da polarização. Esta está destruindo comunidades, famílias, grupos de pessoas, amizades. A polarização é a grande epidemia dos dias atuais.

Por outro lado, a Igreja não pode abdicar de sua tarefa evangélica de promoção da paz, de proteção dos inocentes e de posições corajosas e proféticas contra quem ameaça a paz. O Papa Leão disse: “Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas indefesas desses conflitos. O que as fere, fere toda a humanidade”. No momento presente, o silêncio diante dessas catástrofes nos torna cúmplices do mal e da destruição da vida. “Quem é discípulo de Cristo nunca se coloca ao lado de quem lança bombas”.

A bênção de qualquer armamento não é garantia da graça de Deus. Ele não abençoa nenhum conflito e nem atende as orações de quem promove as guerras, pois suas mãos “estão cheias de sangue”. São palavras duras, mas estão presentes no Evangelho de Jesus Cristo e na Doutrina Social da Igreja. “Deus não ouve as orações de líderes que promovem as guerras, pois a fé não pode ser usada para justificar os conflitos”, afirma o Papa.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja em seu parágrafo 438 nos dá a dimensão do compromisso cristão diante da guerra. “Para resolver os conflitos que insurgem entre as diversas comunidades políticas e que comprometem a estabilidade das nações e a segurança internacional, é indispensável referir-se a regras comuns confiadas à negociação, renunciando definitivamente à ideia de buscar a justiça mediante o recurso à guerra”. Sem vencedores ou vencidos, a guerra torna-se caminho para o “suicídio da humanidade”. Portanto, “é necessário rejeitar a lógica que a ela conduz”.

O que o Papa Leão XIV está fazendo é não ficar em silêncio, pois este é comprometedor. Sua voz se une à de outro norteamericano, Martin Luther King, Pastor Batista, que dizia: “O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos sem caráter, dos sem ética […] O que me preocupa é o silêncio dos bons”. Alguém precisa manifestar oposição radical a quem ameaça “destruir uma civilização”.

A posição da Igreja, manifestada pelo Papa Leão XIV de maneira serena, firme e de prudência pastoral, situa-se na defesa incondicional da dignidade humana, a busca incansável da verdade, o cultivo do diálogo responsável e a promoção da paz entre os povos. Por isso, sua voz é como um farol de discernimento e um convite às nações e lideranças políticas em prol de uma convivência marcada pelo respeito mútuo e responsabilidade moral.

O Magistério da Igreja condena “a crueldade da guerra” e, nos tempos atuais, “não é mais possível pensar que nesta era atômica a guerra seja um meio apto para ressarcir direitos violados”. Ela é um “flagelo”. Nunca será um meio para a solução de problemas, pois gerará novos conflitos e mais complexos. Depois de deflagrada ela se torna “uma carnificina inútil”, “uma aventura sem retorno”.

Gostaria de concluir com uma frase do Papa João XXIII presente na Encíclica Pacem in Terris: “Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra”. A guerra é a falência de todo e qualquer humanismo, ou seja, sempre será uma “derrota da humanidade”.

Edebrande Cavalieri

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