Estamos caminhando para o final da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática, realizada em Belém, discutindo ações de combate às mudanças climáticas. Em meio a quase 200 delegações de países participantes, a voz da Igreja ecoa de maneira muito forte. Cardeais do Sul Global, que inclui América Latina, Ásia, África e Oceania, apresentaram o documento “Um chamado por justiça climática e a casa comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções”, reafirmando que a Igreja não se calará e erguerá sua voz junto à ciência, à sociedade civil, aos mais vulneráveis e com verdade e coerência, até que a justiça seja feita.
Antes dessa manifestação, o cardeal Jaime Spengler, que é arcebispo de Porto Alegre e Presidente da CNBB, juntamente com Dom Leonardo Ulrich Steiner, que é arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte I, constatavam que a presença da Igreja na COP 30 assusta aqueles que querem destruir a Amazônia.
Nesta segunda-feira passada, dia 17 de novembro, o Papa Leão XIV manifestou seu apoio através de mensagem dizendo aos cardeais do Sul Global e denominando de “voz profética dos meus irmãos na COP 30”: “Vocês escolheram a esperança e a ação frente à desesperação, construindo uma comunidade global que trabalha em conjunto. Tem se alcançado avanços, mas não suficientes. A esperança e a determinação devem se renovar, não só com palavras e aspirações, mas também com ações concretas”.
A Igreja é um dos atores que, não apenas no Brasil, mas também na América Latina, marcou e assumiu uma aliança, um compromisso em defesa dos povos amazônicos e de seus territórios. Sua voz se fez ouvir no Sínodo da Amazônia e se comprometeu com o destino desse espaço.
Em sua marcha com os povos do mundo inteiro, a Igreja se compromete com o cuidado da Casa Comum. A crise ambiental ameaça o planeta. Alguns desafios fazem parte da agenda prioritária como a realização de acordos para uma progressiva saída dos combustíveis fósseis, a saída do modelo extrativista predatório que inclui os minerais, a superação do agronegócio que é responsável pelo desmatamento da Amazônia, a superação da ilusão de que a solução provenha daqueles atores que provocaram o colapso climático e o enfrentamento de falsas falácias da tecnocracia dos governos.
Não compete à Igreja propor soluções, porém sua presença deve ser sempre profética, que vai além da religião, que protege a vida e tudo aquilo que nos rodeia.
O Papa Leão XIV diz que acordos são importantes, mas não “é o Acordo que está faltando, mas nossa resposta. O que está faltando é a vontade política de alguns. Ações climáticas mais contundentes criarão sistemas econômicos mais sólidos e justos. Medidas políticas e climáticas firmes constroem uma inversão em um mundo mais justo e estável”.
Em suma, a criação é obra de Deus e nos foi dada gratuitamente. Hoje chegamos a uma situação de desespero vital, pois não temos um plano B. O mundo é somente este em que vivemos e realizamos nossos sonhos. Não mais domínio, mas relação respeitosa. Nas palavras do Papa: “Somos guardiões da criação, não rivais por seus bens”. E conclui sua mensagem: “Que este Museu Amazônico seja recordado como o espaço onde a humanidade escolheu a cooperação frente à divisão e à negação”.
O sonho do Papa Francisco continua vivo, mais vivo como nunca!
Edebrande Cavalieri
Foto de capa: CELAM

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