“A paz esteja convosco!”

18 abril, 2021

Jonatan Rocha I Assim está escrito: o Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia” (Lc 24, 46).

Ainda estamos a viver o frescor das alegrias da Páscoa! O coração ainda se admira e salta de alegria com o esplendor da ressurreição de Nosso Senhor que apareceu às mulheres, aos Onze e aos discípulos que caminhavam a Emaús. Em todos esses encontros, não faltou admiração e espanto. Apesar disso, essa luz resplandecente não afugentou completamente as sombras da dúvida e do medo.

Os discípulos que, outrora, dirigiam-se desesperançados à aldeia de Emaús, correram apressadamente ao encontro com os apóstolos, a fim de contar a maravilha da ressurreição. Contudo, mal terminaram de narrar a graça do partir do pão, Jesus apareceu no meio deles. Jesus, sabendo da fraqueza do coração humano e da névoa que cobre a mente amedrontada, evoca doces palavras, já pronunciadas anteriormente: “A paz esteja convosco”.

As palavras de Jesus acalmam e inundam o coração, como que um cumprimento das palavras do salmista quando canta “Vós, que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição” (Sl 4, 1), ou ainda, “Quem nos dá felicidade?” (Sl 4, 7). Àqueles que reconhecem o Senhor Jesus, verdadeiramente, Ele concede alegria e paz. Muitos, ainda hoje, nem tanto pelo espanto com o poder e a glória de Jesus, mas pelo apego ao erro e à mentira deste mundo não o veem como o Ressuscitado, o Vivente, o Senhor e Deus, mas como um iluminado, um vidente, um agitador, um fantasma, uma pessoa boa.

Jesus, então, faz uso de sinais que dizem não somente sobre si, mas sobre a conduta de cada seguidor seu. Assim, afirmou sua existência -real, viva, corpórea- e os sinais de sua Paixão. Além disso, ao pedir algo para comer poderia provar, de uma vez por todas, que estava realmente vivo. Deram-lhe, então, um pedaço de peixe assado, do qual tomou e comeu.

Ocorre que o Salvador não necessitava alimentar-se, nem mesmo queria dizer que a vida nova, ressuscitada, consistisse na possibilidade de comer e beber, mas para falar de que maneira será nossa ressurreição corporal, a vida nova, não submetida às leis da natureza, aos limites da física, uma vez que teremos um corpo espiritualizado, glorificado, espírito corporificado.

O peixe tomado pelo Senhor Jesus é sinal de si mesmo que, sendo Deus, desejou mergulhar na humanidade; sendo capturado pelos sofrimentos causados pelos pecadores (cf. At 3,13-15.17-19), quis ser assado na fornalha ardente do amor divino, para nossa salvação, como vítima de expiação pelos nossos pecados (cf. 1Jo 2, 1; Luc 24, 45-48); e, assim, servir de alimento e sustento para nossa vida. A Vulgata, a primeira tradução bíblica feita por São Jerônimo, acrescenta ainda que Jesus recebeu um favo de mel. Apesar desse fragmento não constar no texto litúrgico, nem na maioria de nossas bíblias, o favo de mel ali, poderíamos dizer que significa a doçura que recebemos da ressurreição, após a amargura das ervas comidas como ritual da antiga Páscoa judaica. O favo de mel ainda é mistura de mel e cera, o que simboliza a divindade misturada à humanidade, as naturezas de Cristo em Sua única pessoa divina.[1]

Ele é a nossa Páscoa, doçura e alegria! Ele, o Cristo Ressuscitado, Vivo e Verdadeiro, faz brilhar a Sua face sobre nós, tirando do nosso coração a tristeza, o medo a angústia, impulsionando-nos ao testemunho autêntico de verdadeiros filhos de Deus, guardando seus mandamentos e proclamando: Ele verdadeiramente ressuscitou!

 

Jonatan Rocha do Nascimento

Seminarista do 3º ano de Teologia.

Paróquia de origem: São João Batista – Sede – Cariacica.

Paróquia de Pastoral: São Pedro – Muquiçaba – Guarapari.

[1] São Beda. Catena Áurea. Disponível em: http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/pt/index.htm.

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