ABRTURA DE PORTA SANTA

12 junho, 2024

O Papa Francisco no dia 10 de junho desse ano, durante a visita à Prefeitura de Roma conhecida como Capitólio, comunicou em seu discurso que tomara a decisão de abrir uma Porta Santa em uma prisão romana, destacando que a autoridade deve estar a serviço de todos, especialmente dos mais vulneráveis.

Já é de nosso conhecimento o gesto da abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro programada para o dia 24 de dezembro de 2024 e também a abertura das Portas de todas as catedrais do mundo inteiro pelos seus respetivos bispos (arqui)diocesanos no dia 29 de dezembro; teremos também a abertura da Porta da Catedral  de São João de Latrão nesse mesmo dia, a Porta Santa da Basílica de Santa Maria Maior no dia 1º de janeiro de 2025 e a Porta Santa da Basílica de São Paulo Fora dos Muros no dia 05 de janeiro, desse mesmo ano.

Agora o Papa sinaliza de maneira concreta outro gesto altamente significativo para o jubileu da esperança ao anunciar a abertura de uma Porta Santa em uma prisão romana. O que isso quer significar nesse percurso de espiritualidade do Ano Santo?

A porta é um dos elementos arquitetônicos mais importantes e significativos das construções, das casas e aqui se transforma numa metáfora repleta de conteúdos que nos remetem ao acolhimento como gesto de abrir a porta àqueles que estão desabrigados e assim nos torna hospitaleiros do outro. Abrir a porta é um ato nobre e generoso, corajoso e solidário.

O Papa Francisco nos ensina que “as Igrejas jubilares, ao longo dos percursos e em Roma, poderão ser oásis de espiritualidade onde é possível restaurar o caminho da fé e matar a sede nas fontes da esperança, a começar pelo sacramento da Reconciliação, ponto de partida insubstituível dum verdadeiro caminho de conversão”.

Ao mesmo tempo em que todas as catedrais do mundo inteiro abrirão suas Portas Santas, com o gesto de abrir uma Porta de uma prisão romana o Papa nos lembra que a verdadeira porta é Jesus Cristo como nos atesta o Evangelista João (10,9): “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens”.

Contudo, a porta que é Jesus Cristo se torna ainda mais concreta quando “eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram” (Mt 25, 35-36).

Dessa forma, o caminho para o ano jubilar requer que deixemos nossa casa com portas abertas, para que quem precisar basta se aproximar. Atravessar a Porta Santa das Catedrais significará no ano jubilar um caminho de bênçãos e graças concretizadas em uma atitude de acolhimento, de agradecimento e de pedido de perdão. Cruzar uma porta santa indica atitude de renovação, de conversão e de arrependimento.

A comunidade cristã deverá nesse tempo empenhar-se numa aliança social pela esperança, que seja inclusiva. Portanto, cabe descobrir sinais de esperança nos sinais dos tempos. Assim seremos sinais tangíveis de esperança, especialmente para aqueles que vivem em condições tão precárias nas prisões.

A abertura de uma Porta Santa de uma prisão indica uma proposta do Papa Francisco aos governantes do mundo todo para que sejam tomadas iniciativas que restaurem a esperança na população carcerária, que crie formas de anistia ou remissão de penas que ajudem as pessoas a recuperarem a confiança em si mesmas e na sociedade. Compromisso para que se criem itinerários de reintegração dessa população junto à comunidade correspondendo de maneira concreta com a observância das leis.

Como podemos mudar nossa realidade prisional que, conforme dados do IBGE 2022 cresceu 44% nos últimos dez anos e chega em fins de 2023 com 839.700 pessoas presas? Vemos um fortalecimento de um “populismo penal” que incentiva uma maneira simples de lidar com as prisões, abandonando por completo o ideal de ressocialização ou reintegração. Temos como única opção/solução o encarceramento.

Isso significa que as pessoas se sentem mais seguras? Não. O consumo de drogas diminuiu? Não. É difícil encontrar drogas? Não. Todo o dinheiro que se emprega no processo de encarceramento serve quase só para manter os presos em condições sub-humanas, escancarando graves violações da dignidade humana tantas vezes denunciadas ou silenciadas.

O Papa Francisco encerra seu chamado para a abertura da Porta Santa da prisão apontando o peregrinar da esperança: “Para oferecer aos presos um sinal concreto de proximidade, eu mesmo desejo abrir uma Porta Santa numa prisão, para que seja para eles um símbolo que os convide a olhar para o futuro com esperança e um compromisso renovado com a vida”.

Edebrande Cavalieri

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