Aquele que é, que era e que vem

21 novembro, 2021

Lucas Saraiva ITodo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18, 37b).

A Igreja nos presenteia nesse último Domingo do ano litúrgico com a solenidade de Cristo Rei do Universo. Inserida na Liturgia em 1925 pelo Papa Pio XI, esta Solenidade pode, a princípio, parecer pretensiosa e triunfalista. No intuito de superar uma visão ambígua acerca de tal realeza, precisamos ir além da concepção do Livro de Apocalipse, cujo hino na Segunda Leitura canta que “Jesus é o soberano de todos os reis da terra”, tendo em vista que os modelos terrenos de reinado não representariam o glorioso reino de Cristo.

 O exercício do poder que serve a vida é o que se traduz das leituras deste domingo. O poder eterno do Filho do Homem e de Jesus serve à vida, faz o povo viver em paz e revela o Reino de Deus. Ainda que seja para colocá-lo acima de todos os soberanos da terra, riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que sirvam para exaltar a entrega de Jesus por nós. Cristo está na outra margem: Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Dessa forma a Igreja sempre nos colocou no contexto da Paixão de Jesus para contemplar seu reinado, assumido por ele diante de Pilatos (cf. Jo 18,33b-37).

A época de Jesus foi marcada por muito sofrimento, causado por uma violência estúpida, vinda da parte dos governantes, do próprio povo e do império romano. O império era a totalidade do mundo, e Cristo disse com clareza que seu Reino “não é deste mundo”, ou seja, que não se pode confundir a proposta de Jesus com qualquer proposta política articulada na sociedade.

O Reino de Deus não pode ser fruto de uma revolução violenta ou de regimes nacionalistas messiânicos, por mais que eles se apresentem assim, e não surgirá com perturbações armadas ou com um aparato apocalíptico. Jesus nos ensina que o Reino já está no meio de seu povo, presente na humanidade, na atualidade. Deus já está reinando na manifestação de Jesus; em seus gestos, suas opções e em suas palavras, pelos quais nos revela o Reino de Deus.

Sabemos que Ele foi um rei bem diferente das imagens dos que conhecemos, e, antes de tudo, um rei simples e encarnado na pobreza humana. Não possuiu exércitos nem qualquer tipo de força militar. Em sua ação, combateu os males causados por uma sociedade injusta e deturpada pela desigualdade. Mesmo desarmado, mas com a força do Pai a seu lado, combateu a fome, as doenças, a ignorância, a solidão, os preconceitos, a violência, o medo, o sofrimento, o pecado e a morte. Ensinou-nos a guardar a fé e não perder a esperança. Nessa luta pelo Reino, descobriremos a presença de Deus no meio de nós.

Lucas Saraiva

Seminarista do 3º ano de Filosofia.

Paróquia de Origem: Paróquia da Ressurreição – Goiabeiras – Vitória.

Paróquia de Estágio Pastoral: Santo André Apóstolo – André Carloni – Serra.

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