Bispos do Leste 3 escrevem sobre Política

2 julho, 2022

Citando o Papa Francisco, Documentos da Igreja, textos bíblicos e lançando um olhar sobre a realidade atual, os bispos do Regional Leste 3 (Arquidiocese e dioceses do Espírito Santo), publicam uma carta à sociedade com o objetivo de provocar uma reflexão sobre as próximas eleições.

Sobre a realidade, os bispos referem-se à “crise global de dimensões econômica, ecológica, ética, intelectual, social e política, intensificada e ampliada pela crise sanitária decorrente da pandemia global da Covid-19 a partir de 2020”; descrevem a predominância dos perfis dos políticos que nos governam: “Uma boa parte de nossos parlamentos está ocupada por políticos que reproduzem esses aspectos negativos da política e não têm demonstrado a reta conduta que se espera de representantes eleitos para o Poder Legislativo”; reconhecem o agravamento da pobreza e a fragilidade na defesa de direitos humanos e dignidade: “Somos também testemunhas dos elevados preços dos combustíveis, gás de cozinha, energia elétrica, carnes, óleo de cozinha e outros produtos da cesta básica, e sabemos muito bem que os efeitos dolorosos desses aumentos são sentidos primeira e mais sofridamente pelos mais pobres e desamparados, ou seja, por aqueles a quem Jesus nos manda amar e atender como se a Ele mesmo amparássemos (cf. Mt 25, 31-46). Além desses, o número de pessoas desempregadas e que amargam situação de extrema pobreza aumentou de maneira preocupante no Brasil”; e demonstram preocupação com o meio ambiente, nossa casa comum: “Vemos também com tristeza o avanço do desmatamento e a destruição de biomas fundamentais ao equilíbrio ecológico, além do avanço do garimpo e do agronegócio sobre terras indígenas, que tem provocado, além da destruição de nossa Casa Comum”.

Com base nesta análise, a Carta dos Bispos propõe alguns temas a serem observados pelos eleitores na escolha dos candidatos:

  1. Casa comum: “Quem não integra a concepção ecológica profunda a seus projetos políticos ou já demonstrou descaso com o ecossistema em sua gestão ou mandato não merece nosso voto e não pode dizer-se em sintonia com o pensamento de nossa Igreja”.
  2. Defesa da vida: “Tudo o que atenta contra qualquer aspecto da integralidade da vida humana deve ser combatido pelos meios disponíveis, entre os quais está a política”.
  3. Segurança e Direitos humanos: “A ideia errônea de que o crime deve ser combatido com a violência e o ódio, fortemente presente nos discursos políticos atuais, está em total contradição com os princípios evangélicos e com a Doutrina Social da Igreja”.
  4. Economia: “O discurso político que só reconhece como meta da economia o crescimento da riqueza, os resultados financeiros, a austeridade fiscal e o compromisso com as grandes corporações e com os agentes financeiros está em contradição com o ensino social da Igreja. O mesmo ocorre com os programas de governo que não assumem o papel determinante do Estado na gestão da economia na perspectiva da vida humana”.
  5. Democracia: “Partidos, candidatos ou candidatas e cabos eleitorais que simpatizam com regimes ditatoriais ou que atentam, com palavras e atos, contra a democracia e suas instituições também estão fora de sintonia com os ensinamentos de nossa Igreja e, como tais, não merecem nosso apoio”.
  6. Verdade: “busquemos o debate eleitoral aberto, no qual não se escondam as propostas e projetos, e evitemos as candidaturas e campanhas pautadas na difamação do outro, nas falsas notícias, no discurso raivoso e nas mensagens de ódio transmitidas por aplicativos”.
  7. Honestidade: “a corrupção não aparece apenas na forma de roubos ou desvios de verbas, mas também na distorção da função dos mandatos e no seu uso interesseiro. O uso dos mandatos políticos para a criação de vantagens individuais ou de grupos particulares também corrompe o sentido da política e da coisa pública”.

Leia a carta na íntegra clicando aqui.

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