Casamento na pandemia: resiliência é fundamental

8 outubro, 2020

Neste período de pandemia muitos casais têm enfrentado dificuldade em seus relacionamentos. Já são seis meses de uma hiperconvivência dentro de casa que causa uma sobrecarga entre as tarefas domésticas, o cuidado e educação dos filhos, o home office, entre outros pontos. Essa rotina mudada por um cenário de incertezas aumenta o estresse e evidencia problemas que muitas vezes já existiam e não foram solucionados. 

Padre Renato Criste, especialista em matrimônio e família, reforça que a pandemia favoreceu um estresse coletivo e familiar. E em um primeiro momento essa é até uma reação esperada, pois tudo mudou e ninguém estava preparado para essa pandemia que é algo muito intenso, além de existir a preocupação com o futuro. 

É o caso de Gabriela Almeida, casada há 6 anos com João e mãe da Lívia de 1 ano. Ela detalha que os primeiros meses da pandemia foram os mais difíceis e ela chegou a ter crises de ansiedade e muitas brigas com o marido: “Em dias normais nós sempre tivemos ajuda em casa, mas com a necessidade do isolamento eu acumulei o trabalho doméstico, alimentação de todos, cuidados com a bebê, além de ter ainda mais demandas no meu trabalho. Os atritos cresciam cada dia mais e acredito que o fato de não poder sair de casa e o medo da doença também sufocou um pouco a nossa família”.

Para vencer essas dificuldades, mantendo o casamento de pé, o casal conversou e alinhou uma melhor divisão de tarefas. Também ficou combinado que ambos teriam mais paciência e cuidado com o outro: “Chegou a um ponto que estava ficando insustentável manter um ambiente harmônico dentro de casa. Nos propusemos a conversar mais, rezar mais juntos e lutar para que nossa família ficasse bem diante desse período tão difícil que o mundo está vivendo”, finaliza Gabriela.  

E segundo padre Renato este é um bom começo. Ele enfatiza que saber reeducar a convivência familiar e social é fundamental nos dias de hoje em que as pessoas estão mais intolerantes, impacientes e vindas de um contexto de intolerâncias políticas e ideológicas.  

“Eu acho que a gente precisa saber se reeducar e reorganizar. Então se a rotina mudou a gente tem que ter essa flexibilidade para saber reconduzir a vida, a história e com um pouquinho de paciência e disciplina isso é possível. Tem uma palavrinha que é bastante batida mas cabe nesse contexto que é a ‘resiliência’, a capacidade de se readaptar, ressignificar a vida, reeducar. Do contrário fica muito difícil.”

A orientação para os casais com dificuldades neste período é para que busquem o diálogo dentro de casa e procurem ajuda. O sacerdote reforça que na Igreja existe o atendimento paroquial – onde o padre da paróquia a qual a pessoa pertence – pode ajudar no discernimento e na escuta. Paralelo a isso também existe a Pastoral Familiar que possui os agentes preparados para acolher e ajudar a direcionar a vida deste casal.

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