CONJUNTURA: COMO VAI A IGREJA CATÓLICA?

1 novembro, 2023

No último dia 20 de outubro, as Pontifícias Obras Missionárias, através da Agência Fides, divulgaram alguns dados atuais da situação da Igreja Católica no mundo, que nos levam a pensar e nos aventurar com algumas possibilidades de caminho sinodal. Sem nos conhecermos, torna-se difícil esse caminho.

O número de católicos no mundo aumentou passando para 1.375.852 membros, perfazendo um total de 17,67% da população mundial. A população mundial hoje está em 7.785.769.000 habitantes. Às vezes, achamos ingenuamente que todo mundo é católico ou que somos a maioria. O que não é verdade. A realidade nos leva a ser mais humildes, me parece.

O primeiro dado que pode parecer preocupante é a diminuição do número de bispos tendo hoje 5.340. São 23 bispos a menos em relação ao ano passado. Também diminuiu o número de sacerdotes. Hoje temos uma média de 3.373 fieis por sacerdotes. Comparado com as comunidades cristãs evangélicas essa relação padre x fieis é desafiadora na pastoral, especialmente no acompanhamento a grupos e pessoas. Estamos na linha de frente do trabalho pastoral com Bispos e Padres em números decrescentes e isso é motivo de preocupação. Indica a diminuição das vocações, pois também o número de seminaristas maiores que estudam filosofia e teologia diminuiu.

Essa realidade do ministério ordenado é o grande desafio para a Igreja do século XXI. Seria o modelo presente seguro para enfrentarmos os novos desafios do mundo atual? Vamos aguardar os discernimentos que virão do Sínodo dos Bispos que está acontecendo em Roma. Contudo, não podemos deixar de refletir sobre essa realidade tão desafiadora. Em que condições o nosso sacerdote pode acompanhar pastoralmente quase 1.500 fiéis? E o Bispo realizando visitas canônicas e pastorais nas paróquias e comunidades de suas extensas dioceses em condições nem sempre favoráveis também é objeto de preocupação nos dias de hoje. Tantas vezes os fiéis católicos não se dão conta dos grandes desafios que enfrentam seus sacerdotes e bispos, achando que vivem na vida tranquila.

Um dado nos salta aos olhos: no mundo atual houve um aumento significativo dos diáconos permanentes chegando a 49.176 ordenados. A diaconia dá sinais claro de sua força na Igreja como foi na Igreja dos tempos apostólicos. E sabemos que em nossas comunidades a imensa maioria tem à sua frente mulheres que, mesmo não recebendo nenhuma ordenação ministerial, exercem fiel e eficazmente a diaconia. Como a Igreja irá aproveitar essas forças que o Espírito nos apresenta? Confesso que não podemos fingir de cegos diante de ecos tão fortes. Como reconhecer a diaconia de fato como uma diaconia de direito?

Outro dado muito significativo é a diminuição do número de catequistas em relação ao ano passado. Foram menos 5.397 catequistas que deixaram de exercer essa função hoje reconhecida como ministério. Como nossas Igrejas estão implementando o ministério do catequista? Não podemos ficar perdendo tempo em questões de menor importância na catequese e nem alimentar a onda polarizada que infiltrou em nossas comunidades. Um Igreja em saída como é sinalizada pelo magistério pontifício exige ultrapassar barreiras e chegar a todos e todas com a Boa Nova do Reino.

É muito significativo o fato de a Igreja católica manter muitas instituições educativas e assistenciais, principalmente nos países africanos e asiáticos. Alguns dados merecem ser destacados: 74.368 escolas infantis, 5.405 hospitais, 567 hospitais para tratamento de hanseníase, 14.205 ambulatórios, 9.703 orfanatos, 10.567 creches, 15.276 lares para idosos, 3.287 centros de educação e reeducação social. Geralmente essas instituições são ou foram necessidades nas terras de missão, e muitas delas hoje já não se mostram tão essenciais para o trabalho de evangelização. Muitas dessas instituições sobrevivem de doações cada vez mais escassas. Neste sentido, cresce o desafio de pressionar os poderes públicos para a implantação de políticas sociais eficazes especialmente nas regiões mais pobres.

Uma reflexão que emerge desses dados nos leva a pensar a evangelização não apenas a partir do ministério ordenado – diáconos, padres, bispos; mas a partir do serviço cristão decorrente do sacramento do batismo. Foi-se a época que se pensava o batismo como sacramento de salvação das almas. Dom Pedro Casaldáliga dizia: “Desejaria que todos e cada um de nós pudéssemos visitar, pelo menos em espírito, a própria pia batismal, mergulhar nela a nossa cabeça e descobrir a missionariedade do próprio batismo […]. Então, devo ser missionário. Se eu não sou missionário, então não sou cristão”. A salvação se dá na medida em que se põe a caminho do outro, das periferias.

Quando a vocação dos leigos e leigas assumem verdadeiramente o sacramento do batismo, que é fonte primeira e fundamental da vocação cristã, o trabalho de evangelização toma a perspectiva sinodal de uma Igreja em saída missionária para as periferias sociais, culturais, geográficas e existenciais. Celebramos recentemente o 12º Encontro de CEBs, representando 3.472 comunidades no Espírito Santo. Um dos marcos da caminhada das CEBs sempre foi marcado pela vocação decorrente do sacramento do Batismo. Ao redor da Palavra escutada e refletida, os cristãos, mesmo sem a presença do sacerdote, foram alargando a tenda para o acolhimento de todos e todas. Por esse motivo, nas Diretrizes Pastorais a CNBB atribui o nome de “Comunidades Eclesiais Missionárias”.

A realidade decrescente em alguns setores ministeriais da Igreja católica deveria servir de impulso, motivação, adesão para caminhar juntos sem ficar se lamentando. “A messe é grande, mas os operários são poucos”. Bem verdadeiro para os dias atuais.

Edebrande Cavalieri

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