Críticas que valem a pena

18 dezembro, 2020

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Acompanhando os comentários sobre as expectativas de vacinação podemos constatar uma curiosa característica do ser humano. Quando a corrida contra a vacina do coronavírus ganhou corpo a vacina da Pfizer foi criticada por exigir conservação em temperatura baixíssima o que seria pouco viável para a logística de distribuição em um país continental.  Falaram mal da vacina da Pfizer. Pareceu lógica a argumentação e o governo foi privilegiando vacinas mais compatíveis com a nossa estrutura usual de vacinação, com transferência de tecnologia já que seriam produzidas aqui no Brasil. No cenário atual de grande ansiedade e pela eficiência da vacina da Pfizer, os mesmos que criticaram antes passaram a criticar a decisão do governo de não ter comprado. Lembrei das passagens bíblicas em que João Batista era criticado por não beber e não comer e outra em que Jesus possivelmente pelos mesmos sujeitos, era igualmente criticado por fazer as duas coisas. Ao ser crítico em relação ao outro eu me sinto melhor que o outro. Ao fazer em grupo eu formo aliados. Muitos acham que liberdade de expressão é poder falar tudo sobre todos. Sim, é privilégio de todos, mas ferir, destruir, caluniar não. Sempre haverá quem critique. Sempre. Mas infeliz é aquele que anseia agradar a todos. Ao querer agir assim a pessoa vai se esvaindo de si mesma, e insegura, nunca estará satisfeita, pois sabe que a sua base não tem consistência. Quer ser o que não é e cada vez mais carente de apoio, afeto, poder, o que seja. E vira um crítico contumaz, muitas vezes, infeliz!  Ter medo de criticar também traz problemas. Amar também é falar não, brigar, negar ao outro a ultrapassagem da linha que divide o direito e o respeito de um e de outro. Amar é reconhecer meu erro, é admitir minhas falhas, é pedir ajuda, é pedir desculpas. Amar é não permitir que o outro “fale mal” de quem quer que seja, é não aceitar alianças injustas por seu silêncio. Amar é não ter medo de ser frágil!

Antes de qualquer crítica devo responder à algumas perguntas:

Se o problema é de sua responsabilidade:

A crítica visa ser construtiva? Não posso pedir/exigir do outro aquilo que ele não pode dar. Se a pessoa não tem recursos pessoais para lidar com aquela situação, não critique. Ajude-a a sair da dificuldade. A crítica só vai ferir sua autoestima e a colocará na defensiva, ou seja, na raiva, na tristeza ou, na junção dos dois sentimentos, na mágoa.

Se é construtiva e a pessoa tem recursos intelectuais, emocionais e espirituais devo me perguntar quando devo fazer a crítica, como e de que maneira, pois se critico sem essas perguntas vou apenas levar a pessoa a reagir à mudança e aos mesmos sentimentos acima.

Se não é construtiva, tenha inteligência emocional e fique quieto. Reveja, em você, o que tanto o desagradou no outro. Por que quer criticar?  O que você está ganhando com essa crítica? Quais são seus motivos para agir sem amor ou compaixão.  Qual é a parte deste problema que é seu? Há outras maneiras de fazer o outro perceber o problema? Pare então, pense e só depois que tiver uma resposta assertiva, saia deste lugar de desconforto, sem ser destrutivo.

Se o problema  não é de sua responsabilidade:

Cuidado para não invadir o espaço do outro. Agir sem que lhe peçam é invadir a privacidade do outro.  Isso é agressão ao outro, mesmo que você ache que é ajuda. Se não lhe pedirem, o máximo que você pode fazer é oferecer ajuda, suporte e, de forma amadurecida, aceitar o “não quero ou não preciso de sua ajuda” como proposta de autonomia e desejo de realização do outro e não de ofensa a você. Não prenda as pernas de quem quer e precisa andar. Assista sem interferência, como os pais de crianças que estão aprendendo a andar. E se ela cair, ofereça a sua mão, mas jamais fale “eu te disse!” ou pior ainda “bem-feito!”. O que você semeará é rancor, dependência, sentimento de incapacidade, e não amor.

Voltando ao início: a realidade está em constante transformação. Não critique a pessoa pela mudança do cenário à sua volta. Ajude aos críticos de primeira hora a perceberem a mudança (nem sempre previsível) do cenário e não entre no coro destes.

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