Decisões em bases falsas

30 julho, 2021

Vania Reis

Temos conversado sobre o que é verdade e o que é mentira sob vários ângulos. Sabemos que muitas vezes as pessoas estão apenas se apoiando em suposições, pressupostos e até crenças que não correspondem com os fatos e os dados e que conflitos acontecem por isso, inclusive nas nossas relações pessoais.

Hoje vamos ver uma ferramenta para ajudar a evitar que se tire conclusões incorretas e de como podemos ajudar o outro a desmontar os equívocos de raciocínio que  o leva para conclusões distanciados do real. Quando você desafia as conclusões de outras pessoas, precisa ter certeza de que o raciocínio delas e o seu, estão firmemente baseados nos fatos e nos dados, pois assim os dois podem “subir juntos” a   “Escada da Inferência”  em busca de uma visão compartilhada da realidade. Vamos ver como é isso.

O psicólogo organizacional dos anos 70, Chris Argyris trouxe contribuições valiosas neste sentido. Seus argumentos nos possibilitaram perceber que as pessoas têm “mapas mentais” que são guias que as direcionam nas tomadas de decisão. Peter Senge, aluno do Argyris e autor do clássico livro “A Quinta Disciplina”, nos possibilitou colocar em prática o conceito teórico  do Pensamento Sistêmico de Argyris lançando um modelo inovador de gestão com as “Organizações que Aprendem”.  Suas contribuições, no entanto, transcendem ao campo organizacional, pois  tomar de decisão faz parte de todos os espaços.

Nosso cérebro enfrenta, simultaneamente, 100 Milhões de Instruções Computacionais (MIPS) por segundo com sua enorme condição de processar informação, e quando precisamos tomar uma decisão, as vezes temos apenas poucos segundos. No caminho entre a organização do pensamento e a tomada de decisão, o cérebro percorre muitos caminhos. Começa considerando todas as alternativas, depois analisa e avalia dificuldades e possibilidades e, por fim, toma a decisão, se deparando o tempo todo com as variáveis emocionais envolvidas, pois já sabemos que o emocional é muito mais determinante que o racional na tomada da decisão. Então, nosso cérebro precisando analisar todas essas informações, em tão pouco tempo,  o que ele faz? Ele se utiliza de “mapas mentais”. O que é isto?

Ao longo da vida seu cérebro foi interpretando as suas experiências vividas  e moldando a forma de você ver e agir no mundo. Esse resultado, em termos simples, é o seu “mapa mental”. Assim fazendo o cérebro “corta caminho” na tomada de decisão  e consegue decidir rapidamente, naquela situação determinada, baseado nas suas escolhas e experiências passadas, sem precisar muito esforço. Mas, o que por vezes acontece é que esse mapa mental está sem as referências diante de uma situação desconhecida ou está de alguma forma desajustado por nossas emoções, por exemplo. E aí a coisa se dificulta.   O processo de formação de uma opinião passa por etapas sucessivas: primeiro minha mente precisa  observar a realidade em torno,  a partir disto selecionar a informação concreta que preciso (aqui eu posso selecionar só uma parte da informação, não ver o contexto todo e posso, assim, começar a desfigurar a minha escolha). Depois preciso dar significados /sentido (culturais e / ou pessoais)  às informações que percebi e selecionei. Nesta etapa também acontecem muitas distorções pois a informação passa por filtros emocionais. Em seguida,  faço suposições  / pressupostos baseadas nos significados que absorvi. Nesta etapa a distorção pode ficar grande pois as conclusões que tiro são baseadas nas etapas anteriores, que se estão baseadas em pressupostos frágeis, estão sem sustentação. Tendo a minha opinião formada,  eu aos poucos vou reforçando essas convicções e adotando crenças sobre o mundo e  agindo de acordo com minhas crenças.

O que podemos fazer para sair destas distorções  e compartilhar uma visão sistêmica saindo do conflito e ampliando minha percepção da realidade. A ideia é “descer”  junto com a pessoa  a escada da inferência que analisando a questão divergente. Em um momento vocês vão juntos perceberam aonde o raciocínio perdeu a sustentação e, juntos, conseguem “subir “ de novo a “escada”.

Veja na tabela abaixo. Na primeira coluna  está o número do “degrau” da ( hipotética) da escada. N segunda coluna estão as etapas/degraus desta “escada”. Leia na tabela a segunda tabela  abaixo, de baixo (1º degrau) para cima (7º degrau). Pense em uma decisão que você tomou ou precisa tomar e vai respondendo primeiro   as perguntas da terceira coluna “ Reflexões 1º plano” (mude a conjugação do verbo se necessário) e depois reflita sobre a quarta e última coluna  e veja. ao final, como a sua visão está muito mais ampliada.

Degraus da escada  ESCADA DA INFERÊNCIA  REFLEXÕES 1º PLANO  ABRINDO O LEQUE
7º degrau Ajo Por que escolhi agir assim? Existem outras ações que eu deveria/poderia ter considerado?
6º degrau Adoto crenças ·         Que crenças me levaram a essa ação?

 

Foi bem fundamentada? Que outras crenças você poderia fundamentar suas ações?
5º degrau tiro conclusões ·         Por que eu cheguei a essa conclusão? A conclusão é lógica? Poderia haver outras?
 

degrau

Crio pressupostos  ou  faço suposições baseadas nos significados que absorvi ·         O que estou assumindo quando faço essa suposição e por quê? As minhas suposições são válidas? Poderiam ter outras?
3º degrau Dou significados (culturais e pessoais) ao que percebi Como interpretei  o que percebi Poderiam ter outros significados?
2º degrau Seleciono os fatos a partir do que eu observo (entre os fatos e dados do primeiro degrau) ·         Quais fatos ou dados escolhi usar e por quê?

 

Eu selecionei dados com rigor? Deixei algo de fora? Deixei de  ver  algo?
1º degrau ·         Fatos e dados

(realidade objetiva)

Quais são os fatos que eu deveria estar usando? ·         Existem outros fatos que devo considerar? Estão completos?

 

Esse exercício vai lhe permitir observar as suas tendências  diante de decisões. Você poderá, assim, aprender a fazer esse estágio de raciocínio com cuidado extra no futuro. Experimente explicar seu raciocínio para um amigo que pense diferente. Perceba se seus argumentos são sólidos, veja que degrau você está pulando ou deixando o outro pular. Exercite  essa subida ou desça  a “escada” com o outro. Desçam juntos. Isso irá ampliar as suas habilidades e ajudar a outros a chegarem a uma conclusão compartilhada, e a evitar conflitos.

 

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