Dom Hudson Ribeiro: cultura do cuidado e proteção

4 novembro, 2025

Cuidar é uma palavra que combina com Igreja, naquele sentido amplo de atenção, aproximação, empatia. Este foi o tom da palestra proferida por dom Hudson de Souza Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, diretor da Faculdade Católica do Amazonas e membro pesquisador da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, no Vaticano.

A provocação iniciou-se com uma sequência de fotos de crianças, que por si mesmas, introduziram o tema, e a pergunta: vocês já foram fotos dessas?

A manhã foi dividida em dois propósitos: ouvir dom Hudson sobre a proteção a crianças, adolescentes e pessoas vulnerabilizadas e apresentar a Comissão Arquidiocesana formada a partir do Motu Proprio do Papa Francisco “Vos estis Lux Mundi”, e do Documento da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sobre Política de Proteção da Infância, Adolescentes e Pessoas Vulneráveis, ambos de 2023.

Dom Hudson fez um retrospecto histórico sobre a cultura adultocêntrica e lembrou que sempre que falamos de infantilidade é de forma negativa. Ainda somos reféns desta cultura e a Igreja também demorou para abordar o assunto sobre proteção e cuidado, mas nos últimos anos temos documentos da Igreja que orientam a ação. Estamos passando da cultura de abuso de poder (adulto sobre a criança) e criando a cultura do cuidado. Para explicar como a Igreja é chamada ao cuidado, dom Hudson lembrou que cuidar é uma condição ontológica do ser humano e usou uma expressão para tal afirmação: “existo, logo cuido”.
 O Papa João Paulo II começou a organizar o pensamento sobre os abusos e falar deles com mais clareza em 2001. Em 2002 os bispos da América Latina também enfrentaram as situações com transparência. O Papa Bento acelerou as reformas para proteger os vulneráveis de abusos, pediu perdão e já apontou para a cultura do cuidado. Em 2019, o Papa Francisco, enfrentou os casos de abusos sexuais, pediu perdão aos abusados e familiares e recomendou tolerância zero para abusos contra crianças e adolescentes na Igreja. Na primeira versão o Papa dirigiu-se aos padres, mas na revisão em 2023 incluiu diáconos, instituições e leigos com funções de tolerância.
Tendo como referência o Motu Proprio do Papa Francisco e a Politica de Proteção à Criança e Vulneráveis, dom Hudson lembrou que essas políticas precisam estar em acordo com as normas civis e lembrou que “o papel de tutelar é do Estado. A diocese não julga, não investiga, mas ela entra na rede de proteção. O que a Igreja quer é que se criem ambientes mais saudáveis e de proteção, apresentar proposições e esperança. Mas, o sonho é chegarmos ao momento de nem precisarmos falar sobre isso”. Dom Hudson ainda afirmou que as crianças e adolescentes precisam ser envolvidos e protagonistas nas ações do cuidado.

Na segunda parte, a Comissão Arquidiocesana foi apresentada:  diácono Jovercino – Dra. Lúcia Roriz – Maria de Fátima Facheto – pe. Carlos Barbosa – pe. Jorge Campos. Dra. Lúcia apresentou a caminhada da Comissão e o caderno recém publicado com as políticas de proteção da Arquidiocese de Vitória. Dom Hudson deu algumas sugestões sobre o trabalho produzido pela Comissão e encerrou a manhã com uma frase “quando a gente deixa o lado criança morrer, parte de nós morre” a música de Gonzaguinha:

Nunca pare de sonhar

Ontem um menino
Que brincava, me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo
Que esse tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá

 

 

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