“É assim a geração dos que procuram o Senhor”

7 novembro, 2021

Leonardo Oss I “Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7, 9).

A Igreja neste Domingo celebra com alegria a Solenidade de Todos os Santos de Deus. Bem sabemos que a data desta solenidade é a 1º de novembro, mas que por concessão da Santa Sé ao Brasil, celebra-se sempre em um domingo próximo. Ser santo é uma vocação querida pelo próprio Deus, como lemos em Levítico (19, 2): “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo”. Por este fato, a santidade é um chamado feito a todos aqueles que assumem sua fé em Cristo por meio do Batismo.

Assim sendo, neste contexto da santidade como chamado e vocação, está a Solenidade de Todos os Santos. Além de ser uma celebração litúrgica da Igreja, é também um reconhecimento das virtudes vividas em vida terrena pelos santos, que venceram o pecado e se entregaram à plenitude da graça. Por isso, a santidade não é uma utopia ou um discurso ultrapassado mas uma realidade concreta que todos nós cristãos batizados, por meio dos sacramentos e da Palavra de Deus, podemos alcançar.

Foi com essa intenção que o Papa Bonifácio IV instituiu, no século VI d.C., esta solenidade em Roma, que outrora era somente celebrada na cidade de Antioquia em memória dos mártires. O Papa fixou a data de Todos os Santos para o dia 13 de maio, em contrapartida com o dia da dedicação do “Panteão” dos deuses romanos. Mas, no século IX, a data da solenidade foi modificada pelo Papa Gregório IV, fixando-a em 1º de novembro, tal como celebrada atualmente.

A Liturgia da Palavra proposta para esta Solenidade traz como mensagem principal a esperança de vivermos uma vida de santidade configurada em Cristo. A Primeira Leitura, do livro do Apocalipse de São João (Ap 7,2-4.9-14), narra uma visão em que João contempla no céu uma grande “multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas e que ninguém podia contar” (cf. Ap 7, 9). Através desta Leitura podemos concluir que João vislumbrou a Igreja Triunfante, a morada dos justos, dos pequenos e dos humildes. Na visão, um dos Anciãos falou com João que aquela multidão vestida de branco eram “os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro” (cf. Ap 7, 14). Portanto, a multidão incontável vista por São João é, na verdade, a multidão dos santos que habitam a morada eterna e que contemplam na eternidade a visão beatifica de Nosso Senhor.

A Segunda Leitura, da Primeira Carta de autoria também de São João (Jo 3, 1-3), se inicia discorrendo acerca do grande presente de amor do Pai, que nos concede “sermos chamados filhos de Deus” (1Jo 3, 1). Esta é uma grande graça que Cristo nos mereceu com sua morte e sua ressurreição. Se o mundo não reconhece que nós somos os filhos de Deus, “é porque o mundo não conheceu o Pai” (1Jo 3, 1). Por isso, seguir a Cristo e viver a santidade é nos configurar a Ele para lhe sermos semelhantes. De fato, este foi o caminho que os nossos irmãos, cuja solenidade celebramos hoje, trilharam em suas vidas. Ninguém foi santo sozinho ou por mérito próprio, mas por causa de Jesus e por graça do Espírito Santo.

Por fim, o Evangelho segundo São Mateus (Mt 5, 1-12a) apresenta as nove Bem-aventuranças pronunciadas pelo próprio Cristo no monte, rodeado pelos discípulos e pelas multidões. As Bem-aventuranças proclamadas por Jesus são o caminho para o Reino dos Céus, que inclui os pobres, os perseguidos, os injuriados, caluniados, os excluídos da sociedade, os famintos e sedentos de justiça, os aflitos e os promotores da paz. Assim, pode-se concluir que o Reino dos Céus é para aqueles que vivem a justiça e dão a sua vida pela causa do Evangelho no contexto de uma sociedade que exclui, e de sistemas políticos e econômicos enraizados na desigualdade. Grande será a “recompensa nos céus” (Mt 5, 12a) para aqueles que lutam pela causa do Reino.

O Papa Francisco, em sua exortação apostólica “Gaudete et Exsultate” sobre o chamado a santidade, ensina que “a santidade é o rosto mais belo da Igreja” (GE, n.9), bem como exorta a não termos medo de sermos santos, pois não tirará nossas forças, nem a vida e nem a alegria (cf. GE, n. 32) mas a santidade nos completará. De mesmo modo, São Domingos de Gusmão, na hora de sua morte, dizia aos seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”.

Portanto, celebrar esta Solenidade de Todos os Santos é celebrar a vida, a vitória de Cristo contra o pecado, e a esperança de que todos nós que padecemos na vida terrena nos uniremos, um dia, na comunhão com nossos irmãos e irmãs que já contemplam a Glória de Deus. Que todos os santos e santas possam neste dia, interceder por nós. Amém.

Leonardo Oss

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: Nossa Senhora da Conceição – Alfredo Chaves.

Paróquia de estágio Pastoral: São Pedro Apóstolo – Nova Palestina – Vitória.

Referência

PAPA FRANCISCO, Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate”, sobre o chamado à santidade no mundo atual, n. 9/32. 2018. 

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