EDUCAR PARA O HUMANISMO SOLIDÁRIO

20 janeiro, 2022

A Igreja lança novamente para o tempo da Quaresma desse ano de 2022 a Campanha “Fraternidade e Educação”, buscando traduzir as vivências da fé cristã para a construção de relações cada vez mais fraternas num mundo justo e solidário. Essa Campanha da Fraternidade está em sintonia com o apelo do Papa Francisco em vista da reconstrução do Pacto Global Educativo. O lema que orienta toda essa caminhada está na Sagrada Escritura escrito de maneira lapidar: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31, 26).

A proposta apresentada pela CNBB convoca todo o povo cristão para esse momento, especialmente as Instituições de Educação Católica e outras Igrejas e organizações que buscam seguir o referencial humanista na educação. É preciso não perder esse foco e abandonar propostas de conteúdos que objetivam mais a exclusão e o descarte. O Papa Francisco nos solicita que aceleremos o movimento inclusivo da educação para combater a cultura do descarte, que rejeita a fraternidade, semeando o ódio, a competição, a intolerância, a discriminação. Nesse sentido, a educação enquanto realidade dinâmica deve orientar-se para o desenvolvimento pleno da pessoa, em sua dimensão individual e social. Não haverá educação humanista sem estar inserida no contexto social e comunitário.

Estamos ainda em tempo de pandemia que agravou ainda mais a condição de pobreza extrema que impossibilita o acesso integral à rede pública de educação. Vemos crescer um contingente cada vez maior de pessoas sem estudo, sem diploma e sem capacitação profissional, o que vai fechando todas as portas do mercado de trabalho. Tantos jovens buscam alternativa de emprego em atividades ilícitas como o tráfico de drogas. A impossibilidade de acesso à educação também cria obstáculos a tantos outros direitos como a habitação, a saúde, o transporte, a cultura. Por isso, um humanismo que não enfrenta a condição concreta da exclusão social é apenas perfumaria para ficar bem com a própria consciência.

O chamado mais específico é feito às escolas católicas de ensino fundamental, médio e superior. Uma escola cristã que forma apenas para o mercado de trabalho pessoas que podem pagar altas mensalidades, que fortalecem a competição mais acirrada possível, sem a inserção do educando na realidade social mais ampla, não cumpre sua função como educadora verdadeiramente cristã. Para isso, todos os currículos em seus diversos níveis (fundamental, médio ou superior) deveriam ter como objetivo a formação completa, permitindo que o educando tenha um conhecimento de si mesmo, tenha um conhecimento crítico da Casa Comum onde é chamado a viver, e a descoberta da fraternidade dentro de uma composição multicultural da humanidade em sua diversidade.

Trata-se de uma proposta educativa de cunho ecológico, como muito bem é refletida pela Encíclica Laudato Si’. Uma educação que visa apenas o indivíduo é contrária ao projeto do Reino de Deus. Todo educando necessita de uma formação de si mesmo como pessoa, como ser solidário com os outros e com todos os seres vivos, culminando com uma formação espiritual com Deus. A vivência da fé não se reduz a uma visão particularista exclusiva com Deus. Sempre ela estará implicando a si mesma, aos outros homens e ao mundo no qual habitamos. Isso exige “educadores capazes de reordenar os itinerários pedagógicos duma ética ecológica, de modo que ajudem efetivamente a crescer na solidariedade, na responsabilidade e no cuidado assente na compaixão”, nos diz a referida Encíclica.

Por fim, o projeto de uma educação para a fraternidade que se queira humanista requer enfrentar o desafio da inclusão. Aqui estão presentes os maiores desafios para a vivência da fé cristã, pois excluídas são aquelas pessoas tomadas pela pobreza, pela vulnerabilidade, pela guerra, pela fome, pela seletividade social, pelas dificuldades familiares e existenciais. No mundo atual gritam ainda mais forte as vozes dos refugiados, das vítimas do tráfico de pessoas, dos migrantes, sem nenhuma distinção de gênero, religião ou etnia. Tantas vezes temos a impressão que construímos uma sociedade que se move sempre na direção da rejeição da fraternidade ou fica apenas indiferente perante essa realidade.

Com essa Campanha da Fraternidade envolvendo as instituições educativas, professores e alunos, e toda a comunidade pedagógica, todos são chamados a testemunharem perante o mundo que é possível uma sociedade pacífica, sem ódio, em paz. Nosso desafio atual está nesse compromisso, vivendo num mundo cada vez mais plural, cada vez mais dividido entre gerações, povos, culturas, populações ricas e pobres, homens e mulheres, economia e ética, humanidade e ambiente. A humanidade está muito enferma decorrente dessas fraturas. Quase não consegue mais andar. Estamos doentes de nós mesmos, sem entender que a diversidade nunca atrapalha a unidade; ao contrário, ela é que nos enriquece. É o medo do diferente que nos adoece. Então, a educação humanista jamais deverá nortear suas ações pelo caminho da homogeneidade, mas da diversidade em seus inúmeros aspectos.

A grande tarefa que nos deixa essa Campanha da Fraternidade em vista de resgatar com justiça e dignidade todas as pessoas com uma educação inclusiva é reunir educadores e educadoras, educandos/as para pressionar os governos (municipal, estadual e federal) por políticas públicas concretas de modo que se possa falar com sabedoria e ensinar com amor. Para isso, a educação humanista implica o acesso à terra, às oportunidades de trabalho, a capacitação para o trabalho e a geração de renda, estando assim lutando contra toda forma de exclusão.

Edebrande Cavalieri

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