EDUCAR PARA UMA ECOLOGIA INTEGRAL

29 janeiro, 2025

As férias escolares estão terminando. Para algumas crianças e jovens, essa data não é nada agradável. Para tantos outros, é um desejo de reencontrar os amigos dos anos passados com quem se alegraram nos momentos de recreio e convivência escolar. Para os pais, chega o momento das preocupações com a compra de material escolar com preços exorbitantes. Quem vai socorrer aquelas famílias que não podem disponibilizar tanto dinheiro para esse momento?

Quem já viveu essa situação, sabe e sente na própria alma esse sofrimento dos pais. Algumas crianças tiveram que ser transferidas para outras escolas em decorrência da distância, do preço das mensalidades das escolas particulares, da violência em volta da escola, da ausência de uma política pública consistente para a educação. O sofrimento maior parece ser de ordem financeira e social.

O Papa Francisco nos traz uma contribuição imensa ao pedir que consideremos que no mundo tudo está interligado. Ser humano, natureza e meio ambiente estão em profunda conexão, numa relação de interdependência, troca e cooperação. Esse é o caminho de vida e de cura para o planeta que está doente e para uma sociedade desesperançada. Então, todas as preocupações e problemas levantados acima estão em íntima conexão, profunda relação.

O mundo em nossa volta sofre as consequências do modelo de exploração da terra e das águas. Desmatamento, queimadas, mudanças climáticas, degradação do solo estão fazendo a terra gritar. As águas que inundam as cidades, as ruas e as casas, são consequência desse processo de exploração.

Os pobres colonos e meeiros tiveram que abandonar as terras num grande êxodo rural vindo habitar as periferias, pobres e sem amparo do poder público. São essas mesmas pessoas que hoje sofrem com os preços das mensalidades, dos materiais escolares, das distâncias para seus filhos chegarem à escola que foram um dia expulsas da terra onde trabalhavam. Por isso dizemos que o grito da terra também é o grito dos pobres.

O Papa Francisco nos diz na Encíclica Laudato Si’ que “a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos e da relação de cada pessoa consigo mesma”. A cada dia nossas cidades são invadidas pelas águas torrenciais de verão. No inverno foram as queimadas. Até cidades estão sofrendo com os incêndios como vemos nos EUA. Não era assim até pouco tempo atrás. E por que agora precisamos ficar atentos aos alertas da “Defesa Civil”?

Daí surge uma questão: se não formarmos uma nova consciência humana nessa sociedade com as gerações novas as previsões serão cada vez mais sombrias. Como então vamos educar essas crianças e jovens?

A Campanha da Fraternidade desse ano traz como tema “Ecologia Integral”. E seu lema é “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1, 31). O tempo da Quaresma é o momento em que em todas as paróquias, todas as comunidades, deveria haver espaço para iniciarmos processos de “conversão ecológica”. Contudo, temos visto que algumas instâncias religiosas agem com indiferença e até contra a Campanha da Fraternidade. Como iremos educar nossas crianças de catequese se elas não ouvirem falar da crise climática? Como os adultos poderão aproveitar o tempo da quaresma para a conversão se não conhecerem e refletirem sobre os graves pecados que cometemos contra a criação de Deus? Pecados contra a água, contra a terra, contra as florestas. São nossos irmãos e irmãs como toda a criação.

O mesmo deveria acontecer em nossas escolas que são instâncias determinantes na educação das novas gerações. O Papa Francisco propôs um Pacto Educativo Global objetivando formar as novas gerações conforme um novo modelo, Ecologia Integral, relacionando todas as coisas, estabelecendo conexões e relações.

Reunindo as comunidades eclesiais, as forças vivas da Igreja, as escolas e as famílias poderemos iniciar novos processos para a construção de uma “aldeia da educação” como nossa “Casa Comum” e assim educar cada criança e cada jovem dessa nova geração. Juntos vamos encontrar soluções, iniciar sem medo novos processos de transformação e olhar para o futuro com esperança. Afinal, somos “peregrinos de esperança”.

Com Francisco de Assis poderemos então rezar: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o irmão sol que clareia o dia […], a irmã lua e as estrelas […] o irmão vento […] a irmã água que é muito útil e humilde, e preciosa, e casta[ …] o irmão fogo que ilumina a noite, é belo e jucundo, vigoroso e forte. Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas”.

Edebrande Cavalieri

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