“ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS”

21 novembro, 2025

Domingo passado, dia 23 de novembro, a Igreja celebrou a Solenidade de Cristo Rei, encerrando o ano litúrgico. Esta festa foi instituída em 1925 pelo Papa Pio XI num contexto de mundo marcado pelos regimes totalitários de direita e esquerda, de briga pelo poder e crescimento da cultura secularizada. A realeza de Jesus Cristo é afirmada, não na perspectiva do poder mundano, mas do serviço e do amor.

Como Cristo está liderando a vida de cada um de nós? Esta é a reflexão fundamental que deve ser feita para o tempo de advento, de preparação para o nascimento do Menino Deus.

Em nossa Igreja local, Arquidiocese de Vitória, também iremos iniciar a preparação para a Campanha da Fraternidade de 2026 que tem como tema “Fraternidade e Moradia” iluminada pelo versículo bíblico de João 1, 14: “Ele veio morar entre nós”. Como Cristo pode ser reconhecido nos dias de hoje, vindo habitar entre nós? Como aconteceu lá em Belém?

Quem? A cidade, por acaso, se perguntava? Uma estrela guia nos céus. Mas ninguém queria saber ou se importar com o novo habitante desse mundo. Quem estaria interessado em um novo nascimento? Um simples nascimento! Tão simples que nem hospedagem havia.

Quem está vindo morar entre nós? Seria o filho de um rei? Aos ouvidos de Herodes a notícia chegava e causava muita preocupação. Era precisa cortar o mal pela raiz. Então, mandou matar todos os bebês de até dois anos de idade de Belém e assim eliminar esse novo nascituro conhecido pelo nome Jesus. Herodes já era bem conhecido. Foi ele que presenteou a filha com a cabeça de João Batista. Agora decreta o “massacre dos inocentes”.

Quem está vindo morar aqui neste chão duro da cidade de Belém? Quem teria coragem de habitar esse lugar? Na verdade, nem mesmo uma casa de chão batido para o novo morador. Como é nascer sem ter casa? Sem ter uma cama, um berço?

Sábios, conhecidos como “reis magos”, vindo de tão longe, caminhavam seguindo a estrela. Mas, a pequena cidade não mostrava nenhum sinal. Que rei é esse? Uma realeza teria provocado enorme aglomeração. Mas, não era um rei que estava vindo morar ali?

Animais aqueciam-se do frio intenso num estábulo. A cidade não comportava mais um morador. Não cabia o novo habitante naquele lugar. Essa nova realeza parecia não caber no mundo e não apenas na cidade de Belém. Quando o próprio Deus parece não caber mais na obra de sua criação é porque chegamos ao momento do juízo final. Chega!

Restava ainda um estábulo. Restavam os animais como companhias. O choro se misturava ao ruminar das vacas, E nem cama havia. Ele estava ali, de modo sorrateiro, sem ser conhecido apesar de ser anunciado ao longo do tempo; nascia sem mandar notícias, apenas vindo morar entre nós.

Seus pais, pobres pais! O que tinham para ofertar de aconchego? Apenas uma manjedoura! Lugar onde se alimentam os animais. Ali fez-se comida desde o nascimento. Pão da Vida! Nem berço de ouro, nem cama. Apenas um cocho. Era o que restava. Seu berço improvisado, uma manjedoura, e assim servir-se de alimento!

Ele veio morar entre nós. De onde veio? Saiba Deus! Alguns homens tentavam adivinhar. Inútil. Ninguém acredita em adivinhações. Mas eram profecias! – Menos ainda. Ele veio morar em nós, na incredulidade do mundo. Ele veio morar entre nós, na miséria do mundo. Ele veio morar entre nós, onde não havia lugar.

Ele veio morar entre nós! O seu nascimento foi a insistência absoluta de Deus, de achar uma fresta para incutir esperança na terra, uma fresta para deixar passar um raio de luz, uma fresta para a semente colocar raiz, para o amor colocar-se entre nós.

O amor veio morar entre nós. E se fez carne. Esse é o Rei que se encarnou e assumiu a missão dada pelo Pai de resgatar o mundo, a humanidade pecadora. Loucura de uma fé! São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios (1, 18) escreve: “Porque a palavra da cruz é a loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”.

Edebrande Cavalieri

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