Entidades protestam contra maus tratos ao povo de rua

A pandemia do novo coronavírus amplia aos olhos de todos a desigualdade imensa que há em nossa sociedade. E a emergência sanitária nos escancara como são tratados, historicamente, os menos favorecidos. Não se enfrenta somente a pandemia, mas sim a permanência de uma violência estrutural em que as formas de implementação de políticas públicas são definidas.

A crise, que é também social e econômica, tem levado cada vez mais pessoas para as ruas, segundo constatam os membros e voluntários da Pastoral do Povo de Rua, permanentemente em contato com essa população.

A violência contra essas pessoas parte de muitos lados, até mesmo do poder público, ao recolher, em plena temporada de frio e chuva os poucos pertences que mulheres e homens sem casa carregam consigo, como papelões e cobertores. A Pastoral e entidades que atuam em conjunto denunciam essa prática que vem ocorrendo em municípios da Grande Vitória, são diversos os relatos e materiais documentando mais esse ato de violência contra as pessoas que estão nas ruas.

“Caminhões e carros das prefeituras, com apoio dos agentes de segurança pública, têm feito a retirada de pertences da população de rua. A rede de solidariedade tecida para os irmãos de rua doa roupas, cobertores e dinheiro para comprarmos alimentos e cobertores. Fazemos as doações de cobertores nesses dias de intenso frio na Grande Vitória e, nos dias seguintes, os órgãos públicos retiram perversamente estes pertences e jogam no lixo”, denunciam, em nota, as entidades.

Confira a nota na íntegra abaixo:

Desde o início da pandemia, em março de 2020, que a Pastoral do Povo da Rua vem atuando de forma incansável com apoio de várias entidades, dentre elas o Círculo Palmarino, o Fórum de EJA, o Fórum Capixaba de Lutas Sociais, e também outras instituições religiosas, objetivando garantir o mínimo de condições de sobrevivência para a população em situação de rua. Procuramos representantes do governo estadual e municipais, participamos de fóruns e comitês, apresentamos planos de trabalho, conversamos, dialogamos, tentamos muitos caminhos.

Porém, a resposta do governo municipal em Vitória, com o silenciamento e/ou apoio do governo estadual, tem sido de permitir a retirada pertences da população em situação de rua, de retirar a população de rua das malocas que constrói porque não tem moradia garantida, não tem república social, não tem aluguel social, não tem vagas suficientes nos abrigos existentes.

Caminhões e carros das prefeituras, com apoio dos agentes de segurança pública, têm feito a retirada de pertences da população de rua. A rede de solidariedade tecida para os irmãos de rua doa roupas, cobertores e dinheiro para comprarmos alimentos e cobertores. Fazemos as doações de cobertores nesses dias de intenso frio na Grande Vitória e, nos dias seguintes, os órgãos públicos retiram perversamente estes pertences e jogam no lixo.

Isso ocorreu embaixo da Segunda Ponte e, após o ato ecumênico feito no dia 19 de agosto, no dia 26 de agosto, ocorreu em Jardim Camburi e em Jardim da Penha com apoio da 12ª CIA Independente da PM. Hoje, 27 de agosto, pela manhã na praça do Papa, na Enseada do Suá, mais uma vez os pertences de pessoas em situação de rua foram retirados. Esses fatos estão devidamente fotografados e foram publicados em redes sociais.

Manifestamos nosso expresso repúdio, indignação e pedimos providências urgentes dos organismos de defesa dos Direitos Humanos contra as violações graves que têm ocorrido no município de Vitória contra a População em Situação de Rua.

As ações de violência e desrespeito com os irmãos de rua não irão nos calar e nem impedir que continuemos o trabalho da Pastoral do Povo de Rua. Continuaremos nas ruas por uma questão humanitária apoiando aqueles que não tem casa, não tem cobertores e dispõem apenas de papelão para encostar seus corpos.

Por isso, conclamamos todas as entidades, movimentos sociais, igrejas e conselhos de defesa dos direitos humanos para expressar seu repúdio a essas ações higienistas e perversas, além de requerer das autoridades competentes ações urgentes e efetivas que combatam essas violências cometidas cotidianamente contra a População em Situação de Rua na Grande Vitória.

Assinam esta nota:

– Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória

– Fórum Igrejas & Sociedade em Ação

– Fórum Capixaba de Lutas Sociais

– Círculo Palmarino

– Fórum EJA Espírito Santo

– Comitê Popular de Proteção dos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19

– Conselho Estadual de Direitos Humanos

– Conselho Municipal dos Direitos Humanos

Compartilhe:
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
domingo 18 abril
sexta-feira 23 abril
terça-feira 27 abril
quarta-feira 28 abril
Nenhum evento encontrado!