Escolas católicas: famílias divergem sobre volta presencial

24 setembro, 2020

Após seis meses de suspensão, devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, o Espírito Santo está caminhando para a retomada das atividades presenciais nas escolas a partir do próximo mês. De acordo com o governo estadual a diminuição dos indicadores da doença entre os capixabas, apontam na direção do retorno da educação infantil e do ensino médio. Apesar disso as famílias ainda não têm um consenso sobre esse assunto.

A pesquisa mais recente feita com os pais de alunos das escolas particulares no Espírito Santo aponta que 58,4% dos responsáveis são a favor desse retorno presencial e apoiam a opção de as famílias escolherem se levam ou não os filhos ao ambiente escolar. O estudo encerrado na última semana foi realizado pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Estado (Sinepe-ES) e teve 8.970 respostas em relação a esse item.

De acordo com o vice-presidente do Sinepe, Eduardo Monteiro, a pesquisa também mostra que na educação infantil existe um desejo maior pelo retorno: 43,77% das respostas são a favor da retomada presencial nas escolas e ele explica que essa necessidade passa por vários interesses.

“Tem o do auxílio para que o pai possa trabalhar; tem as famílias que estão agoniadas porque os filhos já estão em um momento de estafa e um cansaço que tem gerado um prejuízo para a saúde mental; tem as famílias que entendem que o beneficio do ensino presencial compensa qualquer possibilidade de riscos e obviamente tem as famílias que por obrigação precisam se cuidar por conta de uma comorbidade. E isso é importante, vamos respeitar todas as famílias que não puderem e vamos atender com ensino remoto para todos eles”.

É o caso de Flavia Aquino que tem 3 filhos: Thaíssa, Luana e Lorenzo com 17, 9 e 7 anos respectivamente. Os dois mais novos estudam no Colégio Marista Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha. Ela conta que entende que as crianças precisam voltar para escola pois o ambiente familiar está desgastado, estressado e sob pressão. Ela também considera que foram transferidas para os pais, responsabilidades da instituição de ensino e na sua casa a rotina é muito difícil, pois são três.

“Tivemos que adaptar estrutura de estudo para os três e às vezes não conseguimos dar conta de reunir o material das atividades extras, tipo as maquetes, acompanhar os deveres, atividades avaliativas, provas. E ainda, trabalharmos. As crianças ficam desatentas, não conseguem se concentrar e reclamam que não estão ‘aprendendo nada’, ficam inseguras com as provas. Tem sido muito difícil ter que dar conta de casa, trabalho e três crianças em home-office. Os professores perdem a paciência durante a aula e demonstram estarem esgotados também. Entendo que a qualidade do ensino está muito prejudicada e por esses motivos, as aulas presenciais precisam voltar. Para manutenção do ambiente harmônico na família e para saúde e sanidade mental das crianças”.

Por outro lado, muitas famílias ainda se sentem receosas de mandarem as crianças para o ambiente escolar. De acordo com a irmã Rita Cola, diretora geral do Colégio Agostiniano, em Vitória, há cerca de um mês e meio eles realizaram uma pesquisa com os pais dos alunos matriculados na instituição e mais de 80% afirmaram que não querem o retorno das aulas presenciais. No colégio diante de toda essa situação eles tiveram uma perda de 10% de alunos matriculados e os que estão na escola receberam descontos nas mensalidades para continuar, pois muitos pais perderam o emprego.

“Muitos pediram transferência porque não aguentam pagar, mas também tem os que não estão dando conta, pois não tem gente para acompanhar o aluno dentro da aula em casa. E nestes casos não adianta a gente dar desconto ou ficar sem desconto, as famílias as vezes não tem os recursos necessários para as aulas. Mas se a volta acontecer estamos preparando o espaço e nós vamos dar aula para chegar à casa dos alunos que não querem vir e os que quiserem vir serão atendidos na escola. Esta também é uma forma de ajudar”.

O pedagogo e supervisor escolar Adriano Fiorese é pai de Isabelle de 12 anos e André de 8 anos que estudam no Agostiniano. Ele é contra o retorno presencial das crianças neste momento e não pretende mandar os filhos para a escola enquanto não houver segurança. Na opinião dele isso necessita de uma avaliação criteriosa por parte dos profissionais da saúde e da educação, pois existem riscos.

“Apesar da curva de crescimento de contágio e de mortes pela Covid-19 terem diminuído bastante e também dos protocolos rígidos já definidos que devem ser adotados pelas escolas no retorno as aulas, acho que ainda é cedo para que crianças e adolescentes até 14 anos compartilhem o ambiente escolar, pois como sabemos esse público quando está em grupo fica muito próximo. E o número de novas infecções e de mortes pela doença aqui no Espírito Santo pode aumentar e muitas crianças ou adolescentes moram ou tem contato com idosos e pessoas que tem comorbidade”.  

O governo do estado está adotando a estratégia do maior para o menor de retorno presencial. Já começou neste mês com a retomada das aulas presenciais nas instituições de ensino superior. E a partir de outubro existe a expectativa que haja a permissão de volta gradativa para o ensino básico: do infantil ao ensino médio respeitando as medidas de segurança como uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos.   

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