Fé e esperança em meio à tempestade

20 junho, 2021

Vitor Valentim I “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Mc 4, 41).

Celebramos hoje o 12º Domingo do Tempo Comum, no qual o evangelista Marcos nos narra o episódio da barca, no lago de Genesaré, onde Jesus aproveita para descansar, especialmente depois de um longo sermão (Mc 4, 35-41). Recorda-nos que quando o Senhor descansava, os discípulos –  vários deles homens do mar -, pressentiram a chegada de uma tempestade que caiu muito rápida e violentamente: e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. O Senhor teve que intervir, e Ele, despertando, increpou os ventos e disse ao mar: Silêncio, Cala-te! Acalmou-se o vento, e fez-se uma completa calmaria.

O Senhor nunca nos deixará sozinhos no meio das dificuldades. Devemos nos aproximar d’Ele e dizer-lhe a todo o instante, com confiança de quem quer segui-lo incondicionalmente e de falar sempre d’Ele: Senhor, não nos largue!  Passaremos por dificuldades com Ele, mas a tempestade não nos afligirá jamais.

São João Crisóstomo, em suas homilias, nos ensina que Jesus levou consigo seus discípulos a fim de que fossem testemunhas dos milagres que Ele iria realizar. Mas era só com eles, para que ninguém visse sua pouca fé. Por isso, para mostrar que outros remavam separados, o evangelista diz: “[…] E vários outros barcos o acompanhavam” (4, 36). E para que seus discípulos não se orgulhassem porque os conduzia sozinhos, ele permitiu o perigo em que se encontravam, enquanto os ensinava a resistir às tentações com ardor destemido: “[…] então surgiu uma grande tempestade” (4, 37). Para que, então, ficassem mais impressionados com o milagre que estava prestes a acontecer, Ele deu tempo ao medo cedendo ao sono: “[…] nesse ínterim, Ele dormia na popa da cabeceira da cama” (4, 38). Se Ele estivesse acordado, eles não teriam temido ou orado pela tempestade que se ergueu, ou não teriam acreditado que Ele pudesse realizar tal milagre [1].

Às vezes, grandes tempestades ocorrem ao nosso redor e dentro de nós, e nosso pobre barco parece não aguentar mais. Chega a nós com ondas que podem nos dar a impressão de que Deus se cala: fraquezas pessoais, dificuldades profissionais ou econômicas, doenças, problemas com filhos e pais, calúnias e tantos outros. São Josemaría Escrivá ensina que “[…] se tiveres presença de Deus, por cima da tempestade que ensurdece, brilhará sempre o sol no teu olhar; e por baixo das ondas tumultuosas e devastadoras, reinarão na tua alma a calma e a serenidade”[2].

Se somos verdadeiramente discípulos, devemos contar com as incompreensões no meio do mundo.  O Senhor nos convida a uma confiança e acreditar n’Ele: “cesse de perturbar-se o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1). Não se deve temer os inimigos – o mundo está contido pelas investidas do demônio -, mas devemos ter confiança sobretudo em Deus, Cristo parte sempre a nossa frente, a fim de “preparar” um lugar para nós.

Somos convidados hoje, como bons cristãos, a termos atitude e fidelidade ao Senhor perante as nossas dificuldades. Por vezes, desanimamos perante os problemas por não encontrarmos soluções rápidas e elas entregamo-nos.

O exemplo dos santos nos encoraja a crescer na fidelidade a Deus no dever, não nos desanima se nossos objetivos não estão progredindo, e quanto mais difíceis as dificuldades que enfrentamos, mais nos apeguemos por Ele. Santa Tereza nos ensina que “[…] importa muito, e tudo, uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar à fonte, venha o que vier, suceda o que suceder, custe o que custar, murmure quem murmurar; quer se chegue ao fim, quer se morra no caminho ou não se tenha coragem para os trabalhos que nele se encontrem; ainda que o mundo se afunde”[3].

Vitor Valentim Placidino do Nascimento

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: Mãe da Divina Misericórdia – Marcílio de Noronha – Viana.

Paróquia de Estágio Pastoral: Nossa Senhora da Penha- Flexal – Cariacica.

[1] São João Crisóstomo, homilia em Matthaeum, 28.

[2] Josemaría Escrivá, Forja, n. 343.

[3] Santa Teresa, Caminho de perfeição, 21, 2.

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