FERIR UMA MULHER É ULTRAJAR A DEUS

6 janeiro, 2022

Na missa celebrada no dia primeiro de janeiro passado na Basílica Vaticana o Papa Francisco iniciou o novo ano sob o signo de Maria e nesse caminho da maternidade ele apontou remédios para superarmos as divisões, os conflitos, as violências. Chamou-nos ainda mais a atenção a respeito da violência contra as mulheres e nos disse que é através do olhar materno que podemos encontrar o caminho para renascer. Por isso, qualquer violência contra a mulher, qualquer ferida imposta a uma delas, é ultrajar a Deus.

Trata-se de uma transgressão à Lei de Deus ofendendo gravemente a dignidade da mulher. Pode ser uma afronta, bem como uma desonra, um insulto, etc. Não se fere apenas com uma arma de fogo ou uma faca, ou mesmo com os próprios punhos. Afronta-se também com palavras de insulto à dignidade, tratando-a como um ser inferior e a serviço do macho.

O Pontífice ainda nos brindou com a reflexão sobre a verdade revelada nas Escrituras em que Maria e todas as mulheres são obrigadas a suportarem o escândalo da manjedoura. Muitas vezes, a violência contra a mulher começa no nascimento do próprio filho, semelhante à Maria, que não teve nenhuma alternativa de escolha, nem sequer um berço para que pudesse deitar o bebê recém nascido após o parto. Tantas mães veem seus filhos nascerem sem ter sequer um pano para o enrolar. A miséria dos estábulos tem aumentado muito em nossas cidades, em nossos países.

Depois do parto a via crucis aumenta ainda mais, pois são as mulheres mães que fazem das tripas o coração para dar comida a seus filhos. Muitas vezes, seus companheiros nem se dão conta do tamanho desse sofrimento materno. A panela vazia é como se fosse um deserto árido, sem água e sem comida. E nos questiona: “Que há de mais duro, para uma mãe, do que ver o seu filho sofre a miséria?”

A mulher não é destinada por Deus para servir ao homem como muitas pregações religiosas repercutem nos templos, mas é uma pessoa “capaz de tecer fios de comunhão, que contrastem os numerosos fios de arame farpado das divisões”. Foi Maria enquanto mulher e mãe quem conseguiu harmonizar o trono do rei e a pobre manjedoura, conciliando a glória do Altíssimo com a miséria de um estábulo.

Por fim, é preciso considerar que as mulheres olham o mundo não para explorar, mas para que tenha vida, pois são mães que dão a vida e guardam o mundo. É preciso considerar que a violência contra as mulheres está na ordem da conduta política e não apenas da criminalidade. Nascem na esfera política em torno de nossas organizações as orientações que dissolvem o tecido construído pelas mulheres. Como sofrem nossas representantes nas Câmaras de vereadores, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional!

Ao mesmo tempo é preciso considerar que nosso aparato jurídico não atende aos princípios da justiça e do direito na maioria das vezes. Historicamente vemos como se matava as mulheres para “salvaguardar a honra” (do macho). Não avançamos muito. Quase sempre os feminicídios desaguam na absolvição ou pena simples de pouco tempo de reclusão.

Nesses tempos de pandemia quem mais ficou sobrecarregado nas casas foram as mães, mulheres, sem as mínimas condições para acompanharem seus filhos nos trabalhos escolares, e tantas vezes sem alimento para colocar nos pratos, com tantos desempregados. A pandemia também revelou seu lado violento com as mulheres, esquecidas nas casas. Que esse ano que se inicia os cristãos e especialmente os católicos invistam forte no combate a todo tipo de violência, a todo movimento que fere a dignidade da mulher. Para concluir, o Papa afirmou que “Igreja é mãe, Igreja é mulher”. Nesse sentido, a grande tarefa pastoral é “promover as mães, e tutelar as mulheres”.

Edebrande Cavalieri

Compartilhe:
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email

VÍDEOS

sexta-feira 8 julho
domingo 10 julho
terça-feira 12 julho
Nenhum evento encontrado!

Facebook

endereço

R. Soldado Abílio Santos, 47
Centro, Vitória – ES, 29015-620

assine nossa newsletter

Seja o primeiro a receber nossas novidades!

© Copyright Arquidiocese de Vitória. Feito com por