Foi levado ao céu e sentou-se à direita de Deus

16 maio, 2021

Marcílio Netto I “O Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus”( Mc 16,19).

Neste Sétimo Domingo da Páscoa, celebra-se a Solenidade da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que após ressuscitar dos mortos, apareceu aos discípulos falando-lhes do Reino de Deus e instruindo-os pelo Espírito Santo (cf. At 1,2-3), mostrando-se ser aquele mesmo que fora crucificado. Transcorridos os quarentas dias em que Cristo nossa Páscoa foi imolado, tendo falado com os apóstolos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus (cf. Mc 16,19).

Deus Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis (cf. Cl 1,16), existindo desde toda eternidade, poderia usar de qualquer outro meio para salvar a humanidade, porém, de forma extraordinária, por sua infinita bondade e misericórdia, enviou o seu único Filho, para todo aquele que nele crê, não morra, mas tenha vida eterna (cf. Jo 3,16). Assim sendo, Deus não só liberta o homem do pecado, reconciliando-o consigo mesmo, mas permite que a humanidade seja inserida na dimensão divina, participando da relação de amor da Trindade, quando Jesus assenta ao lado direito de Deus.

São Leão Magno diz que ao celebrar a Ascensão “recordamos e celebramos aquele dia em que a humildade da nossa natureza foi exaltada, em Cristo, acima de toda a milícia celeste, sobre todas as hierarquias dos anjos, para além da sublimidade de todas as potestades e associada ao trono de Deus Pai”[1]. “A ascensão do Cristo, portanto, é a nossa exaltação e para lá onde precedeu a glória da Cabeça, é atraída também a esperança do Corpo. (…) Hoje não só fomos firmados como possuidores do paraíso, mas até penetramos com Cristo no mais alto dos céus”[2].  

Em Jesus, que desde toda eternidade era Verbo, se encarnando assume a natureza humana, que na Ascensão é elevada no mais alto dos céus, participando da Trindade, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. “Cristo sobe ao Céu com a humanidade que assumiu e que ressuscitou dos mortos: aquela humanidade é a nossa, transfigurada, divinizada, que se tornou eterna. Portanto, a Ascensão revela a altíssima vocação de cada pessoa humana: ela está chamada à vida eterna no Reino de Deus, Reino de amor, de luz e de paz”[3].

Antes, porém, de subir aos céus, Jesus dá uma ordem aos seus Apóstolos, para que não se afastem de Jerusalém, local onde se realizará a promessa e, sem ainda compreenderem, os discípulos perguntam a Jesus se é já o momento da restauração do Reino em Israel. Com essa pergunta, verifica-se a falta de entendimento dos acontecimentos, e se nota a necessidade do Espírito Santo na vida dos apóstolos, pois, quando Ele vier, o Espírito da Verdade, será Ele a guiará a toda a verdade (cf. Jo 16,12-13).

A promessa do Espírito Santo à comunidade apostólica não é somente para levá-la ao pleno conhecimento de toda verdade, é antes de tudo, para que sejam testemunhas em Jerusalém, até os confins da Terra (cf. At 1,8). Essa é a missão da Igreja, por meio dos Apóstolos, sob a orientação do Espírito Santo conduzir todos, que através do Batismo se tornam membros da Igreja, Corpo de Cristo, ao Reino dos Céus.

Como testemunhas de Cristo, os apóstolos devem anunciar e exortar, para que se convertam, sejam batizados e assim, desde já, participem da divindade por meio de Cristo, todo aquele que recebe o mandato apostólico tem esse compromisso: a salvação das almas, conduzir todo rebanho de Cristo para o reino dos céus, pois, fazendo as vezes de Cristo, realiza com amor a missão da Igreja.

Portanto, a pergunta dirigida aos apóstolos quando o Senhor subiu ao céu, ainda hoje, é dirigida a todas as pessoas: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? A resposta a essa pergunta é individual, somente aquele que se dispõe seguir os passos do Cristo é capaz de respondê-la. Segundo Bento XVI nessa pergunta existem duas atitudes relacionadas as suas realidades. Primeiro, a realidade terrena: Por que estais aqui? E em segundo, a realidade divina: Olhando para o céu?[4]

Assim, todos os homens devem questionar a si mesmo, refletindo diversas vezes essa pergunta: Por que estou aqui? No mundo, em meio a tantos sofrimentos, dificuldades, tribulações, porém, com a atitude dos discípulos, fixando o olhar para céu, orientando toda sua atenção ao mistério de Deus. Ao celebrarmos a Ascensão do Senhor, abramos o nosso coração à graça que nos é dada de viver nesse mundo, praticando o bem, mas com a esperança do céu, pois, é para lá que Cristo nos convida.   

Marcílio de Araújo Netto

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de origem: São Sebastião – Afonso Cláudio.

Paróquia de estágio pastoral: Virgem Maria – Itacibá – Cariacica.

[1] São Leão Magno, papa. 2º Sermão da Ascensão, 1-4: Pg. 54, 397-399. Séc. V

[2] São Leão Magno, papa. Sermão LXXIII: 1º Sermão sobre Ascensão, nº 4, pág. 109.

[3] Bento XVI, papa. Regina Caeli. Praça de São Pedro, 21 de maio de 2006.

[4] Bento XVI, papa. Viagem Apostólica à Polônia – Homilia. Parque de Blonia, Cracóvia. 28 de maio de 2006.

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