08 de setembro 2025

ARQUIDIOCESE DE VITÓRIA

NOSSA SENHORA DA VITÓRIA

HOMILIA

Amados irmãos e irmãs,

          Com alegria celebramos a Festa de nossa Padroeira, Nossa Senhora da Vitoria. Padroeira de nossa Arquidiocese, da Igreja Catedral, da cidade de Vitória. São 474 anos, um tempo para elevar ação de graças a Deus, por sua Mãe Maria, e, também continuar suplicando a intercessão da Mãe da Vitória, para vivemos na paz, justiça e concórdia. É o que desejamos e pedimos hoje.

          Nossa devoção a Nossa Senhora da Vitória se fundamenta na invocação de Maria, Mãe de Deus, como intercessora nas lutas e adversidades, o que nos dá força e coragem, na esperança de alcançar as promessas de Deus.  Neste sentido a devoção é um sinal de confiança, de entrega filial e amorosa à Mãe de Deus, para que continuemos firmes na fé, perseverantes no amor, e fiéis às raízes religiosas que nos constituíram como povo, seus valores mais caros, que não podemos jamais esquecer, mas sempre guardar, e praticar. Que esta história de mais de quatro séculos nos encha de alegria e esperança, e neste ano do Jubileu da Esperança, que nos recorda que Jesus Cristo é a nossa única esperança, pois Ele jamais decepciona.

A Liturgia de hoje, 8 de setembro, nos traz a Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria. Esta celebração, introduzida na Igreja no século VII, segue a tradição oriental. A natividade da Virgem liga-se estreitamente à vinda do Messias, como promessa, preparação e fruto da salvação. É a aurora, o nascimento, que prepara e precede o Sol da justiça, que é Jesus Cristo. Maria preanuncia ao mundo toda a alegria do Salvador. O seu nascimento é de exultação e regozijo, pois o seu sim, como serva do Senhor, abriu as portas da salvação.

De fato, da Palavra de Deus nos diz que celebrar a Natividade de Maria, nos leva necessariamente à contemplação do Mistério de Cristo, lança um olhar sobre a “origem” humana e divina de Jesus Cristo.

Na origem humana, temos a genealogia de Jesus, que entre tantos aspectos, é salientada a inserção de Jesus na tradição israelita, a partir da referência aos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Ao mesmo tempo vemos como Jesus está inserido na linhagem real judaica, quando se refere a Ele como da descendência de Davi, é Ele o “Filho de Davi”.

Na origem divina vemos como Maria, a Mãe de Jesus, concebeu pela ação do Espírito Santo. Assim, desde o início é apresentada a identidade de Jesus, o Messias, como Filho de Davi e Filho de Deus.

A Festa de hoje nos mostra, então, Maria como o primeiro esplendor que anuncia o fim da noite e, sobretudo, a proximidade do dia, a nova aurora, que é Cristo. O seu nascimento faz-nos compreender, a iniciativa amorosa, terna e compassiva do amor com que Deus. Ele se inclina sobre nós e nos chama para uma aliança maravilhosa com Ele, que nada e ninguém poderá romper.

Maria soube ser transparência da luz de Deus e refletiu os fulgores desta luz na sua casa, em sua família, que partilhou com José e Jesus, e, também, no seu povo, na sua nação e na casa comum de toda a humanidade que é a criação.

De fato, no Evangelho que ouvimos, e que traz a genealogia de Jesus, (cf. Mt 1, 1-23), não é uma mera lista de nomes. É, de fato, uma história viva, história de um povo com o qual Deus caminhou, e dele cuidou. Ao fazer-se um de nós, quis anunciar que, no seu sangue, corre a história de justos e pecadores, que a nossa salvação não é uma salvação sem corpo, sem carne, sem história, diríamos, de laboratório, mas concreta, uma salvação de vida que caminha, o Filho de Maria se fez Homem, assumiu nossa condição humana, e pela sua paixão e morte de cruz, por nós deu a vida, e nos salvou.

Esta longa lista, a origem humana e divina de Jesus, nos recorda que somos uma pequena parte de uma longa história. Ajuda-nos a não pretender protagonismos excessivos, ajuda-nos a fugir da tentação de espiritualismos evasivos, a não abstrair das coordenadas históricas concretas em que nos cabe viver. E, também integra, na nossa história de salvação, aquelas páginas mais obscuras ou tristes, os momentos de desolação e abandono comparáveis ao exílio. Em tudo devemos sempre ver e acolher o projeto de Deus sobre cada um de nós, nossa vocação e missão.

Maria, com o seu «sim» generoso, permitiu que Deus cuidasse desta história. E hoje pedimos a Nossa Senhora que cuide deste mundo ferido, por tantos modos, e que suplica pela paz, a fraternidade, a concórdia e justiça, Que a intercessão de Nossa Senhora da Vitória, o Senhor nos proteja contra todos os perigos, nos livre de todo mal, nos encha de esperança, para sempre amar a servir a Deus, no amor e serviço aos irmãos e irmãs.

+ Angelo Ademir Mezzari, RCJ

08 de setembro de 2025