I Assembleia Eclesial

24 novembro, 2021

I Assembleia Eclesial: “escutar e transbordar”

Aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade do México, teve início do dia 21 de novembro e vai até o dia 28 a I Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. A missa de abertura foi presidida por dom Miguel Cabrejos, presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), diante de cerca de mil participantes, depois de um longo caminho feito juntos, escutando a todos, como expressão do Corpo Místico de Cristo, como protagonistas e corresponsáveis pela evangelização. Destacou o celebrante a necessidade de se manter no espírito de escuta, de sinodalidade e unidade eclesial, como povo a caminho.

Conforme dom Miguel, essa assembleia é histórica, pois deveria ocorrer na sequência das Assembleias Episcopais, mas o Papa Francisco propôs que fosse uma Assembleia Eclesial com a participação de todo o povo de Deus, e não apenas dos bispos. Desde a Assembleia de Aparecida essa proposta vinha sendo gestada na Igreja e conduzida pelo Papa. Assim essa assembleia reúne a diversidade de ministérios e carismas, inaugurando um novo organismo sinodal em nível continental, que coloca entre o Bispo e o Povo de Deus em sua Igreja local o espírito de colegialidade episcopal no coração da sinodalidade eclesial.

Essa transformação deve atingir a todos, especialmente os ministros ordenados, que tem como tarefa pastoral não estar separado do povo, inacessíveis e intocáveis, mas junto de seu povo, caminhando junto. Em muitos lugares e com muitas pessoas o grande movimento pastoral será a conversão do espírito para essa caminhada.

Nesse sentido, o Papa Francisco, em mensagem enviada aos participantes, propõe duas palavras que são verdadeiros lemes na condução da barca de Pedro: “escutar e transbordar”. Isso deve reforçar o espírito e o dinamismo das assembleias eclesiais contido nos processos de “escuta da voz de Deus até escutar com Ele o clamor do povo, e escutar o povo até respirar nela a vontade a que Deus nos chama”. Trata-se, conforme orientação do Papa, que a Igreja procure escutar-se mutuamente, escuta entre os bispos, escuta entre os padres, entre padres e bispos, escuta entre todo o povo de Deus. É preciso superar a tentação de caminhar sozinho e querer chegar primeiro. Somente na medida em que nos escutamos mutuamente é possível termos condições para ouvir os mais pobres e esquecidos.

A segunda diretriz está na palavra “transbordar”. É interessante observar que o Papa nos coloca dois verbos e não dois substantivos. Isso indica a nossa ação. Ele não está indicando algum conceito, mais duas ações fundamentais. Nesse segundo verbo, é preciso encontrar caminhos que nos levem a evitar que as diferenças se transformem em divisões e polarizações. É preciso confessar que vivemos tempos em que as divisões estão enfraquecendo o agir da Igreja. Somente superando as divisões é possível o transbordar do amor criativo do Espírito, que nos impulsiona sem medo ao encontro dos outros, animando a Igreja para que se converta pastoralmente e se torne cada vez mais evangelizadora e missionária.

Dom Miguel ainda na homilia destacou a semelhança entre essa Assembleia e a Conferência de Medellín de 1968, que representou a “recepção criativa do Concílio Vaticano II. Reviver Aparecida como caminho para reafirmar a renovação do mesmo Concílio e assim no México estaríamos diante de uma segunda recepção do Vaticano II em um novo contexto histórico e social.

Além dessas considerações iniciais da I Assembleia, ainda seria importante registrar que as coletivas de imprensa serão feitas tendo um bispo, um padre, uma irmã religiosa e uma leiga. Da escuta de nossa juventude, a representante disse que é preciso “ver os jovens nos espaços onde as coisas são planejadas, onde as decisões são tomadas”. Esse grito tem ecoado muito na Assembleia. Além dele destaca-se a voz das mulheres, pois é preciso reconhecê-las “como protagonistas em nossas sociedades e especialmente em nossa Igreja”. Nesse primeiro momento as diversas vozes ouvidas no tempo da escuta vão ecoando pelos espaços e tempos da Assembleia, sob o olhar acolher de Maria de Guadalupe.

Edebrande Cavalieri

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