Logo no início do seu pontificado o Papa João XXIII anunciou a convocação de um Concílio. Havia se passado 90 anos desde a realização do Concílio Ecumênico Vaticano I (1870). Depois de uma intensa fase de preparação, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi aberto solenemente em 11 de outubro de 1962.
Relatos dos que participavam naquele momento indicam que o Concílio assustou os cardeais. Vários jornais, inclusive alguns de renome internacional escreveram artigos e comentários dizendo que “o Concílio era coisa interna da Igreja e que nada causaria ao mundo e nem mesmo à própria Igreja”.
O tempo e a história mostraram que estavam enganados. Após o anúncio começou um intenso processo de preparação até a inauguração, em 11 de outubro de 1962, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O Concílio, pode-se dizer, buscava o sonhado “aggiornamento”, ou a aproximação da Igreja com o mundo atual. A partir daí começou um grande movimento da Igreja e foram iniciados os trabalhos, dividido em quatro sessões. Participaram cerca de 2.000 Padres Conciliares do mundo inteiro.
“Pode dizer-se que o céu e a terra se unem na celebração do Concílio. Os santos do céu, para proteger o nosso trabalho; os fiéis da terra, continuando a rezar a Deus; e vós, fiéis às inspirações do Espírito Santo, para procurardes que o trabalho comum corresponda às esperanças e às necessidades dos vários povos. Isto requer da vossa parte serenidade de espírito, concórdia fraterna, moderação nos projetos, dignidade nas discussões e prudência nas deliberações.” (Papa João XXIII)
Na abertura do Concílio, o Papa João XXIII expressou a imagem de Igreja que ele gostaria que saísse do Vaticano II.
“Sempre a Igreja se opôs aos erros; às vezes, condenou-os com a máxima severidade. No dia de hoje, todavia, a Esposa de Cristo prefere fazer uso da misericórdia mais que o da severidade. Ela acha que deve ir ao encontro das necessidades atuais, mostrando a validade de sua fé mais que as condenações“.

O Concílio Vaticano II se tornou o evento mais decisivo da história da Igreja no século XX. Idoso, São João XXIII não pôde ver sua conclusão porque faleceu em 3 de junho de 1963. Quem prosseguiu o Concílio foi São Paulo VI, que foi eleito seu sucessor em 21 de junho de 1963.
O Concílio Vaticano II foi encerrado depois de três anos, em 8 de dezembro de 1965, deixando como legado não apenas uma série de importantes documentos que seguem sendo de grande atualidade, mas um novo modo de ser Igreja marcado pelos conceitos de colegialidade e sinodalidade.
O Arcebispo de Vitória, Dom João Batista da Mota e Albuquerque (1958-1984) participou ativamente do Concílio Vaticano II como padre conciliar. Contou com a colaboração, como seu assessor pessoal, de um jovem teólogo, o padre jesuíta João Batista Libânio, que afirmava ser Dom João um dos bispos mais atualizados em Teologia. Depois de cada Aula Conciliar Dom João transmitia aos padres e seminaristas brasileiros que estudavam em Roma, as discussões, as propostas e encaminhamentos. Fazia o mesmo com os fiéis de Vitória enviando cartas aos padres que posteriormente eram publicadas no Jornal da Arquidiocese chamado O Mensageiro do Espírito Santo.
Na quarta e última sessão do Concílio em 1965, Dom João recebeu a notícia da nomeação de Dom Luís Gonzaga Fernandes, então Reitor do Seminário Maior de João Pessoa (Paraíba), como Bispo Auxiliar de Vitória. Naquele mesmo ano, as vésperas do encerramento do Concílio Vaticano II, Dom João presidiu a celebração litúrgica de ordenação episcopal de seu bispo auxiliar.

Ao fim do Concílio Dom João e Dom Luís trouxeram para a Arquidiocese todas as novidades do Vaticano II. Iniciaram um tempo de grande renovação da Igreja de Vitória, especialmente no tocante a Liturgia. Dom Luís instalou-se em Colatina com a tarefa de aplicar a mentalização do Concílio, experiência chamada de Concilinho. Multiplicaram-se, com a ajuda de padres, religiosos e religiosas os treinamentos para divulgar o Concílio Vaticano II. O resultado desse trabalho conhecemos bem: os círculos bíblicos, os conselhos pastorais em todos os níveis, o protagonismo leigo, o nascimento das Comunidades Eclesiais de Base, os movimentos sociais que surgiram a partir da conscientização dos leigos sobre o seu lugar no mundo…
O Concílio contribuiu para tornar a Igreja de Vitória uma Igreja com maior participação dos leigos e ter na sua ação eclesial maior presença nas questões sociais, mais plural e inculturada, mas logicamente não livre de problemas.
A proposta da Exposição: Igreja de Vitória, peregrina de esperança à luz do Vaticano II, é mostrar documentos, fotografias e peças sacras que revelam a atuação da Igreja, antes, durante e depois do Concílio Vaticano II. Mostrar um pouco de tudo o que foi vivido, revisitar a esperança que sempre impulsionou os leigos e leigas, os padres, os religiosos e as religiosas que fizeram e fazem essa caminhada junto com a Igreja. E para que os que chegaram agora saibam que o Concílio não perdeu a sua atualidade e continua a indicar, de maneira segura, os rumos para a Igreja nesse novo tempo.

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