A exposição “Igreja de Vitória: peregrina de esperança à luz do Vaticano II” convida o visitante a uma viagem pelo tempo, com olhar e andar de peregrino de esperança, pois Spes non confundit – “a esperança não decepciona”.
Sessenta anos depois, a exposição relembra os aspectos sociais, espirituais e litúrgicos que motivaram o Papa João XXIII a anunciar, já no início do seu pontificado, a convocação de um Concílio, o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965).
Havia se passado 90 anos desde a realização do Concílio Ecumênico Vaticano I (1870). Após uma intensa fase de preparação, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi solenemente aberto em 1962, no dia 11 de outubro. Buscava o sonhado aggiornamento, ou a aproximação da Igreja com o mundo atual.
A partir daí começou um grande movimento da Igreja e foram iniciados os trabalhos, divididos em quatro sessões. Participaram cerca de 2.000 Padres Conciliares do mundo inteiro.
Encerrado depois de três anos, em 8 de dezembro de 1965, deixou como legado não apenas uma série de importantes documentos que seguem sendo de grande atualidade, mas um novo modo de ser Igreja marcado pelos conceitos de colegialidade e sinodalidade.
As decisões de um dos mais importantes eventos da Igreja Católica no século XX a aproximou dos desafios do mundo moderno sem abrir mão de seus dogmas e tradições.
Pode dizer-se que o céu e a terra se unem na celebração do Concílio. Os santos do céu, para proteger o nosso trabalho; os fiéis da terra, continuando a orar a Deus; e vós, fiéis às inspirações do Espírito Santo, para prosseguir no trabalho comum segundo os desejos e as necessidades dos nossos tempos.
— Papa João XXIII.
Essa exposição apresenta fotografias, objetos sacros e documentos raros do acervo da Cúria Metropolitana, muitos deles inéditos ao público. Os diferentes espaços expositivos contam como a História da Igreja no Espírito Santo influenciou e foi influenciada pelo Concílio Vaticano II (CV II).
As salas narram a chegada dos primeiros missionários, no século XVI, a atuação dos primeiros bispos, a elevação da Arquidiocese de Vitória, em 1958. Também revisitam o trabalho e a esperança que guiaram líderes como Dom João Batista da Mota e Albuquerque, à época arcebispo de Vitória e padre conciliar, e Dom Luís Gonzaga Fernandes, nomeado seu bispo auxiliar ao fim do Vaticano II. Exposições temporárias e atividades variadas integram o programa.
O Concílio impulsionou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e é importante ressaltar que a característica participativa e comunitária dessas comunidades no Espírito Santo, fez da Igreja de Vitória uma referência nacional.
As memórias são recordadas a partir do protagonismo de bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos e leigas que ajudaram a escrever a História.
Ao revisitar esse passado, a exposição reforça que o Concílio Vaticano II continua atual e segue apontando caminhos para a Igreja, hoje. Ao percorrer os espaços, o visitante pode se reconhecer como parte dessa história viva.

por 