Igreja em missão inspira o fim da Semana Teológica

11 setembro, 2025

A Semana Teológica chegou ao fim deixando reflexões para estudo e aprofundamento da fé. Realizada ao longo de três dias, a programação reuniu especialistas, religiosos, seminaristas, leigos e leigas para pensar nos desafios da Igreja na atualidade. O último dia contou com a conferência do professor e teólogo Pe. Francisco de Albuquerque (FAJE – BH), que trouxe uma releitura histórica e pastoral dos documentos latino-americanos à luz da missão e da sinodalidade.

O conferencista propôs um “recuo na história da Igreja”, contextualizando a realidade latino-americana desde o Concílio Vaticano II e sua recepção nas Conferências Episcopais, sobretudo Medellín, Puebla e Aparecida. Segundo ele, esse processo foi fundamental para consolidar aquilo que chama de “experiência conciliar”, marcada pela comunhão e pela participação do Povo de Deus.

Pe. Francisco destacou que a releitura dos documentos de Puebla permite compreender como a Igreja latino-americana foi assumindo uma identidade própria, comprometida com os pobres e aberta ao diálogo com a sociedade. “Hoje, ao revisitarmos esse texto, fazemos isso à luz do que a Igreja propõe em nível universal, especialmente nos temas da missionariedade e da sinodalidade”, explicou.

Para o professor, os conceitos de comunhão e participação são inseparáveis da vida cristã e constituem pilares da experiência eclesial. Ele lembrou que a Igreja é chamada a ser “mistério de comunhão”, reflexo do amor trinitário, e que todos os seus membros – bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e leigos – são animadores da comunhão nas diversas instâncias da vida comunitária.

“Na Igreja como Povo de Deus, a comunhão e a missão estão profundamente unidas. A comunhão é missionária, e a missão gera comunhão”, afirmou, ressaltando que esse chamado se estende a todas as vocações e ministérios.

Pe. Francisco também recordou a dimensão social da fé cristã, situando a missão da Igreja em meio às tensões do mundo contemporâneo, marcado por guerras, desigualdades e crises políticas. Ele evocou exemplos da história latino-americana, como a força das Comunidades Eclesiais de Base e o testemunho de leigos perseguidos no México, para mostrar que a opção pelos pobres permanece um critério essencial da evangelização.

“O desafio é viver uma Igreja que seja casa e escola de comunhão, aberta ao diálogo e comprometida com a transformação da sociedade”, pontuou.

A partir das conferências e debates, ficou evidente que a Igreja de hoje é chamada a aprofundar a sinodalidade, fortalecer a comunhão e renovar o ardor missionário. A Semana Teológica terminou deixando não só aprendizado, mas também um gás novo pra viver a missão com esperança no meio do Povo de Deus.

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