A noite de terça-feira, 04 de novembro de 2025 reuniu no Colégio Agostiniano um grupo de pessoas comprometidas com a ecologia integral e com expectativas quanto à realização da COP30. Para conversar sobre o assunto, o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson de Souza Ribeiro, diretor da Faculdade Católica do Amazonas e membro pesquisador da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, no Vaticano, que está em Vitória.
Dom Hudson iniciou lembrando que o Papa Francisco nos chamou a atenção de que estamos diante de uma crise socioambiental e não diante de duas crises, porque tudo está interligado: natureza, sociedade, cultura e espiritualidade. “Estamos diante de uma crise ética, cultural e espiritual e isso exige de nós uma conversão ambiental/ecológica.
Após expor as diretrizes e orientações do Papa sobre Ecologia Integral, e lembrar que os mais pobres são sempre os mais atingidos pelos problemas, dom Hudson apresentou três pontos que serão encamunhados à COP30:
Propostas
Processo de transformação da casa comum;
Mudança de mentalidade e estilo de vida. As pessoas buscam qualidade de vida, mas não querem mudar o estilo de vida;
A conversão ecológica é pessoal, comunitária, social, cultural e institucional;
Espiritualidade ecológica é reconhecer o valor de cada criatura.
Sonhos com relação à COP30:
Social – aborda a injustiça e o crime na região amazônica – sonho cultural – diversidade cultural e sobretudo os povos ameaçados
Ecológico – criar novo paradigma contra o consumismo desenfreado
Eclesial – Igreja envolvida que fala sobre inculturação da fé.
A Igreja na cop30 que acontece pela 1ª vez na Amazônia propõe: ações e compromissos globais para frear o aquecimento, e a Amazônia tem papel essencial para controle desse aquecimento;
A COP30 deve acelerar a transição para energias renováveis – Neste ponto dom Hudson lembrou a autorização para pesquisa sobre petróleo como um contra senso;
A defesa de que as populações originárias precisam ser ouvidas;
Que surja manutenção financeira de projetos para defender a Amazônia.
Compromissos:
Proteção dos territórios e soberania dos povos originários.
Promoção da igualdade (países e corporações que impactam fortemente devem ter maior parcela de responsabilidade e recursos).
Rejeição à financeirização da natureza. A monetização não tem chegado às comunidades, o que prova que este não é o caminho.
Não basta falar de transição energética, outros países se perguntam para onde irão as placas de energia e como manter energia eólica com mudanças nos ciclos do vento. [É preciso discutir is impactos dessas tentativas que já foram experimentadas.
Erradicação total do desmatamento – dom Hudson lembrou que a abertura de estradas provocam muitos estragos ambientais.
Para terminar a exposição os presentes foram convidados a lerem o poema Estatutos do Homem de Tiago de Mello:
Os Estatutos do Homem
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV.
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V.
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII.
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.
Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.






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