“Isto é o meu Corpo. Isto é o meu Sangue”

3 junho, 2021

Paulo H. Coutinho I “Tomai e comei…” (cf. Mc 14, 22-24).

A Solenidade de Corpus Christi foi instituída, primeiramente, na Diocese de Liège (Bélgica), em 1246. O Papa Urbano IV (1261 – 1264) estendeu-a à Igreja universal. É celebrada na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade. Na celebração de Corpus Christi os fieis rendem graças a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus se dá a nós como alimento de Vida Eterna.

A Eucaristia é fonte e centro de toda vida cristã. Portanto, proclama-se, neste dia, a fé na presença real de Jesus Cristo nos Dons Eucarísticos: “O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição” (Sacrosanctum Concilium, n. 47). Nessa Solenidade recordamos a primeira Eucaristia em que Jesus, na Quinta-feira Santa, instituiu a nova Aliança entre Deus e os homens.

A Primeira Leitura da Solenidade de Corpus Christi nos apresenta um trecho do livro do Êxodo (24.3 -8). Na verdade, Moisés, depois de ter ordenado que fossem oferecidos sacrifícios de comunhão e ter sacrificado touros, despeja a metade do sangue sobre o altar, símbolo de Deus, e com a outra metade asperge o povo dizendo: “Este é o sangue da Aliança que o Senhor fez convosco segundo todas estas palavras”’.

A Segunda Leitura nos lembra que Cristo é o mediador de uma nova Aliança porque “Ele entrou uma vez por todas no Santuário, não mediante o sangue de bodes e de bezerros, mas com o Seu próprio sangue, obtendo, assim, uma redenção eterna”. Por isso Ele é o mediador de uma nova Aliança. Pela sua morte, Ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna (cf. Hb 9,15).

No Evangelho de São Marcos (Mc 14, 12-16. 22-26), a nova Aliança é apresentada nas palavras de Jesus que, em seguida, serão sempre pronunciadas na oração Eucarística: “Isto é o meu Corpo […]. Isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, que é derramado em favor de muitos”. É necessário, portanto, ter em mente, antes de tudo, que a Aliança prometida e depois realizada por Jesus através da celebração da Eucaristia continua concreta e operante. Isto é, o acordo de amizade entre Deus e o ser humano, amizade almejada por um lado, e por outro, tão difícil de alcançar, sobretudo pelo próprio homem, se torna possível, visível e concreta em Cristo.

A vivência do sacramento e a escuta da Palavra tendem, justamente, à construção e à estabilidade deste elo com o Senhor, a fim de que a Nova Aliança realizada seja também a obra por excelência na vida dos cristãos e, através deles, na vida de todos os homens pelos quais o Senhor deu a Sua vida.

A participação do fiel na Eucaristia, torna-se também uma ocasião para a oração de intercessão por todo o mundo, como a Igreja faz, quando na sua liturgia reza, de modo especial, a oração universal. Ou seja, todos os sacramentos lembram o Memorial de Cristo morto e ressuscitado, através dos quais Ele é o Emanuel, isto é, Deus conosco até o fim dos tempos. É por isso que os sacramentos podem ser chamados também de mistérios.

Ao celebrarmos esta Solenidade, seria o caso de questionarmos, explícita e diretamente, se aquilo que se conhece da Nova Aliança é capaz de “dialogar” com a vida de cada um de nós e de todos, pois é preciso despertar a consciência de que, quem é cristão, não é apenas convidado a participar da celebração da Eucaristia na Santa Missa, mas também é convocado a viver de modo eucarístico, reconhecendo-a como o “cume e a fonte da vida cristã” (Sacrosanctum Concilium, nº 10).

Que neste dia possamos, diante do sacrário, adorar o Cristo presença-presente e Levá-lo para a nossa vida, santificando o mundo, fazendo de todos os batizados autênticos discípulos-missionários para que todos possam experimentar a vida plena que brota do amor de Deus que se dá a nós, sem mérito algum nosso, o Pão da Vida Eterna. Amém!

Paulo Henrique Lima Coutinho

Seminarista do 3º ano de Filosofia.

Paróquia de Origem: Nossa Senhora da Conceição – Centro – Viana.

Paróquia de Estágio Pastoral: Santa Rita de Cássia – Bairro Santa Rita – Vila Velha.

[1] BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução oficial da CNBB. 2. Ed.  Brasília, Edições CNBB, 2019.

[2] CONCÍLIO VATICANO II. Constituição sobre a Sagrada Liturgia / Sacrosantum Concilium (SC). in: Compêndio do Vaticano II. Petrópolis: Vozes, 1967.

[3] PAPA BENTO XVI. Homilia na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (11-06-2009). Disponível em: < https://www.presbiteros.org.br/homilia-do-papa-na-solenidade-do-santissimo-corpo-e-sangue-de-cristo/>. Acesso em 02 jun 2021.

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